FOREVER YOUNG
Fernanda Young que me desculpe. Sim, talvez isso seja uma ofensa à personagem que ela criou, mas eu gosto da Fernanda Young. Eu não acho ela insuportável, nem chata. Ela não me irrita. Ela faz de tudo para parecer irritantemente supermoderna, supernem-tô-procês, adora listar seus trabalhos e livros e roteiros e, ai gente, como eu sou boa… Sim, eu sei. Mas eu gosto dela, cáustica, mórbida, tatuada. E agora, dizem, a Playboy. Oh God. Até a Fernanda Young? Não deixa de ser irônico: a mulher que se veste de antipática, que alfineta as bundudas dos programas de auditório (que acabam nas capas de revistas de mulher pelada). E ops, agora! Será? Mas eu gosto muito da Fernanda Young. Uma cabeça que gerou a Vani e o Rui já merece crédito ad eternum. Mas cá entre nós: bastou cair na mídia essa notícia de ela se pelar em uma revista, e veja a entrevista dela com a Pitty: cabelão, corpete, gostosa?
PITCHUCA
E falando em Pitty. Tá, eu sempre achei as músicas dela um saco. A maioria. A voz da pessoa me irrita, esganiçando-se, rockeira com sotaque de novela da globo. Mas gente, tem penso ali naquela cabecinha gorduchita. Yep, a Pitty arredondou-se, virou quase uma pintura de Botero. Cruzes, quantos quilos a comilona ganhou? Ok, who cares… Parece que, contraditoriamente, ela está mais leve. Bem, como eu dizia, me surpreendi em como ela encara a fama, o sucesso, a Bahia. E em como ela é inteligente. Pode ser também uma persona, mas mudei um pouquinho de ideia. Mas por favor, ainda não estou pronta para um cd dela.
LUPA
Minha avó, nona de Caxias, praguejou em italiano quando leu a tal inovação do novo caderno Donna, da Zero Hora. Nada contra o conteúdo, ainda que eu ache que diminuir o espaço de matéria para colocar anúncios seja um pouco discutível, mas pelamordedeus, qual o tamanho daquela fonte? 8? Nem com óculos minha nona conseguiu ler. Pensaram em tantos detalhes, em deixar o projeto bonito e blablablá, mas se esqueceram do fundamental: muitos não vão conseguir ler, por conta do microtamanho daquela fonte. Ah, mas olha as figurinhas, disse a minha priminha. É, é o que resta.
LÁGRIMAS DE CHUVA
Gente, chega de explorar a desgraça humana. Ninguém mais aguenta o sensacionalismo dos nossos telejornais mostrando pessoas que perderam tudo, chorando na TV. Do lado de cá, da tela mágica, alguns ficam com os olhos marejados. Eu não. Eu fico brava. Não, não sou insensível. Insensível é quem comercializa audiência em troca das lágrimas alheias. Chega de câmeras fazendo zoom no olho das pessoas para mostrar que elas sofrem. O que é isso? Toda a semana é a mesma coisa.
LÁGRIMAS DE CROCODILO
E uma lágrima leva a outra… Assisti no GNT ao maravilhoso documentário JOGO DE CENA. Vasculhem na grade de programação para ver os dias de sua reapresentação. O filme de Eduardo Coutinho é absolutamente fantástico. Mas tem uma coisa que ficou na minha cabeça. A atriz Marília Pêra disse que, quando as pessoas comuns sabem que vão chorar na frente das câmeras, elas escondem o choro (este mesmo que a câmera procura exibir, à força). Porém, um ator, uma atriz, que quer ser levado a sério, desfila lágrimas em cena. Parece que quanto maior a sua facilidade em derrubar o líquido salgado e sagrado, maior será o seu reconhecimento como um bom ator. Puxa, mas faz todo o sentido. Se as pessoas até choram escondido, por que os personagens de filmes e novelas choram tanto, e tão à mostra? Tá aí, (la)criminosamente narcisista. A Marília acertou em cheio.
Dani Porto - Paulista de nascimento, gaúcha por adoção. Tem formação em comunicação social, com ênfase em marketing. Vive um pouco em Porto Alegre, um pouco em Caxias do Sul (mas nunca foi Rainha da Festa da Uva).
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