Luiz Antonio de Assis Brasil: “Minha auto-crítica é tão brutal que às vezes me impede de escrever”
Luiz Antonio de Assis BrasilL nasceu em Porto Alegre em 1945. Professor universitário (PUCRS) e escritor, é autor de Um quarto de légua em quadro (será adaptado ao cinema em filme dirigido por Paulo Nascimento), Bacia das almas, Manhã transfigurada (adaptado ao cinema em filme dirigido por Sérgio Assis Brasil), As virtudes da casa, Videiras de cristal (adaptado para o cinema em PAIXÃO DE JACOBINA, dirigido por Fábio Barreto), Cães da província (prêmio Instituto Nacional do Livro), Um castelo no pampa (TRILOGIA, prêmio Açorianos), Concerto campestre (adaptado ao cinema em filme dirigido por Henrique de Feitas Lima), O pintor de retratos (prêmio Machado de Assis, será adaptado ao cinema em filme dirigido por Lauro Escorel), entre outros.
Entrevista por Paulo Ricardo Kralik Angelini
Para um escritor reconhecido, ainda há insegurança na hora de escrever? Como funciona tua autocrítica?
Assis Brasil: Somos sempre inseguros, mesmo no décimo-quinto livro. Por isso, pedir que outros leiam previamente nossos livros não é uma questão de humildade, mas de inteligência. Minha autocrítica é tão brutal que às vezes me impede de escrever.
O que muda no teu dia a dia quando estás no processo de criação de um livro?
Assis Brasil: Nada. Sigo minha rotina. E quanto mais rotineira for, melhor. É que tenho meu tempo de sonho e imaginação, e isso fica num compartimento que se abre e fecha a horas certas.
Quais são tuas influências literárias?
Assis Brasil: Fundamentalmente dos realistas (Zola, Flaubert, Eça, Machado).
Qual a sensação da tua constante atuação como incentivador de novos talentos, que surgem nas tuas oficinas literárias?
Assis Brasil: Cada vez que um aluno ou ex-aluno lança um livro tenho uma alegria maior do que com meus próprios lançamentos. Acho que isso diz tudo.
A tua atuação acadêmica ajuda ou atrapalha a tua produção literária?
Assis Brasil: Só ajuda, pois na Universidade trabalho full time com literatura.
Qual a importância de um evento como a Feira do Livro de Porto Alegre?
Difícil não usar um lugar-comum. A Feira é a superior consagração do livro, dos autores, mas principalmente é a consagração do leitor, pois a Feira é feita para ele.
Qual a tua opinião sobre sites na internet que estimulam a criação literária e a discussão na rede?
Assis Brasil: Acho excelentes os sites literários. O pessoal pode publicar e ter retorno imediato. Sou francamente a favor, e estou sempre sugerindo aos meus alunos que publiquem em sites, e fiquem escutando as respostas dos leitores-internautas.
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Produzido em 2002, às vésperas da Feira do Livro, em um especial do site www.argumento.net de nome “LETRAS DO SUL“, o espaço rebatizado TECE A ESCRITA traz o processo criativo de conhecidos (e novatos, à época) escritores das terras do sul, a relação com a literatura, influências e a internet.
Todas as entrevistas foram concedidas via email.
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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