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categoria: PAPO CULT

TRÊS VEZES LEONA CAVALLI EM GRAMADO

A gaúcha Leona Cavalli, radicada há algum tempo em São Paulo, é uma das atrizes mais requisitadas do cinema brasileiro. Basta ver a sua participação em filmes como OLGA, CARANDIRU, AMARELO MANGA, CONTRA TODOS, para ficarmos apenas nos mais recentes. No teatro, é figurinha carimbada do Porto Alegre em Cena, sempre trazendo trabalhos que comprovam sua excelente capacidade de escolha. Leona é uma das atrizes mais elogiadas pela crítica, mesmo que o grande público talvez nem sempre a reconheça. Na TV, faz pequenas participações, como em DA COR DO PECADO, OS NORMAIS, A GRANDE FAMÍLIA. Durante a semana em Gramado, Leona circulou pelos bastidores do festival e pelas noites oficiais, sempre sorrisos e simpatia. Foi numa tarde de quarta-feira que o Argumento conversou com Leona Cavalli.

 

Leona, você está em Gramado com dois curtas, CAPITAL CIRCULANTE e DESEQUILÍBRIO, e uma participação no OLGA, fora de competição. Primeiro: como foi trabalhar em DESEQUILÍBRIO?
Foi muito legal participar de DESEQUILÍBRIO porque seu roteiro é super diferente, contando a história de uma prostituta que se apaixona por um equilibrista. Ao mesmo tempo, tudo pode se passar dentro do inconsciente dela. É a história de um personagem muito diferente. Essa paixão pelo equilibrista traz a referência do anjo caído, junto dos poemas do Augusto de Campos, podendo trabalhar bastante com as imagens de uma outra maneira. Não tem diálogos, tudo é construído em cima desses poemas. Foi um filme que eu fiz há alguns anos atrás e só está estreando agora. É o primeiro curta do Francisco Garcia.

E você também faz um prostituta em CAPITAL CIRCULANTE…
Pois é, também, é curioso. São duas prostitutas, mas completamente diferentes uma da outra. Em CAPITAL CIRCULANTE já é outro papo, ela é muito mais descolada, muito mais esperta. Teve até uma passagem curiosa. Eu estava no Rio de Janeiro, filmando na avenida Atlântica, e encontrei o Nelsinho, filho do Nelson Rodrigues . Ele tinha me visto como Geni, em Toda Nudez será Castigada, e me disse: Ah, você por aqui, Geni?. Eu disse: Pois é, você vê, estou por aqui outra vez, como outra Geni. É engraçado pensar nisso, a Geni no teatro e essas duas, agora, no cinema, três prostitutas que são, na verdade, completamente diferentes entre elas. O que eu acho bacana em fazer estes personagens é poder dar a dimensão humana a elas. No caso de CAPITAL ela é essa persona astuta, diferente da sofrida de DESEQUILÍBRIO.

E como foi a produção de CAPITAL CIRCULANTE?
Foi bacana, foi um filme que eu fiz com o Ricardo Mehedeff. É um diretor muito bom, acho que tenho muita sorte com os meus diretores.

É uma produção muito boa, mesmo sendo independente, tem uma qualidade excelente…
Você viu? É bacana, eu não tinha visto ainda e gostei bastante. O legal foi que DESEQUILÍBRIO eu também não vi, acabei assistindo aqui pela primeira vez.

É legal assistir junto do público e perceber as suas reações? Ainda dá um friozinho na barriga?
Dá. Nossa, dá sim, porque é a estréia pra mim também. Existem filmes, inclusive, como o longa CONTRA TODOS (dirigido por Roberto Moreira, ainda não lançado), eu fiz há pouquinho tempo e filmei inteiro sem vídeo assist. Então você não sabe como ficou, ainda tem a edição, o som. Quer dizer, a surpresa é multiplicada, nem é redobrada.
E no caso de CAPITAL CIRCULANTE eu tinha visto apenas as minhas cenas, não o filme inteiro. Por isso é claro que me dá um friozinho na barriga, eu quero muito que o filme seja bom, apesar de confiar muito nos diretores.

A entrega é total?
Me entrego, claro. Eu parto desse princípio: se eu estou trabalhando com uma pessoa é porque eu estou confiando totalmente nela. E eu tenho sorte, realmente eu posso dizer que tenho tido sorte.

Você tem feito boas escolhas. Desde UM CÉU DE ESTRELAS, filme super premiado…
Foram meus primeiros prêmios de atriz, neste meu primeiro filme. (Leona ganhou os prêmios de melhor atriz dos críticos paulistas, do Cine Sesc e em Trieste). Depois eu fiz ATRAVÉS DA JANELA, também da Tata Amaral, com a Laura Cardoso, depois o AMARELO MANGA…

AMARELO MANGA foi um filme surpreendente, num ano de megasucessos como CARANDIRU, que você também faz uma participação, ele teve uma ótima carreira, de público e de crítica.


Teve um bom público e foi muito premiado. Ganhou mais de 25 prêmios o filme do Cláudio Assis. E o CONTRA TODOS, que ainda não foi lançado, estréia em novembro, já ganhou mais de dez prêmios. Ganhou cinco prêmios no último Festival de Recife (CinePE), três no Festival de Belém e três prêmios internacionais.Bom, a gente falou um pouco sobre teatro. Neste ano, teremos Leona Cavalli no Porto Alegre em Cena?
Não… (risos). Infelizmente não. Talvez no outro. Este ano eu fiz a Medéia, em São Paulo, mas eu fiz em março (Memórias do Mar Aberto– Medeia conta sua história, dirigida por Regina Galdino). Eu até estava pensando em trazê-la, mas o festival é só em setembro. Eu comecei a fazer outras coisas, talvez eu vá filmar agora, não tinha como segurar a produção até setembro. Mas no ano que vem eu prometo que estarei lá.

 

 

Qual é este projeto que você talvez vá filmar?
O FEDERAL, do Erik de Castro, diretor de SENTA A PUA, de Brasília. Eu faço a mulher do Carlos Alberto Riccelli. É com o Selton Mello, e tem um elenco de fora também. Não sei direito o cronograma, mas é meu próximo filme.

Para terminar, Leona, fala um pouquinho sobre o clima do Festival de Cinema de Gramado.
Eu adoro…

Além de tudo, é voltar pra casa.
É, voltar pra casa, encontrar minha família, que está aqui, inclusive (Leona aponta alguns familiares que aguardam, pacientes, o final da entrevista). Eu adoro, acho que é um festival muito bem organizado, realmente é. É um festival grande, tem toda uma infra-estrutura, e oferece muitas coisas. Eu, particularmente, tenho ido bastante a festivais pelo Brasil, que são também muito bons, mas o de Gramado tem um diferencial porque consegue trazer gente de diversas áreas. Ele é realmente um grande ponto de encontro. Todo festival é, mas Gramado consegue realizar isso de uma maneira muito legal.

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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