As aulas começaram. No primeiro dia, a cafeteria ficou lotada de amigos se revendo depois de um período de ferias, passadas possivelmente na Europa. Garotas encontravam suas amigas – todas maquiadas e vestindo a mesma roupa; garotos encontravam seus amigos – vestindo camisetas do time de beisebol ou de futebol americano de Boston. E lá estava eu: a menina do Brasil.
Weston High School é um colégio grande, com auditório, ginásio, cafeteria (bar), campo de futebol, campo de futebol americano, campo de hockey, pista de atletismo, biblioteca, algumas salas de informática, salas de aulas – equipadas com TV, vídeo e bandeira dos Estados Unidos – e mais, possivelmente, outros ambientes que eu ainda não descobri.
O colégio oferece vários cursos e cabe ao aluno escolher os seus. Eu, por exemplo, faço Jornalismo, Fotografia, Educação Física, Ciências Sociais, Literatura e História dos Estados Unidos (disciplina obrigatória). Então, os alunos do primeiro ano (Freshman), segundo ano (Sophmore), terceiro ano (Junior), e quarto ano (Senior) são colegas, pois não há pré-requisito quanto à série para a escolha de algum curso.
O dia em Weston começa em uma caminhada até a rua por onde o ônibus passa. Esse é amarelo com listra preta igual, aos que a gente vê nos filmes. Ao chegar na High School, o aluno deve marcar a sua presença e pegar a sua correspondência. Logo após, deve ir para sua aula: cada professor possui uma sala e cabe aos alunos se deslocarem até ela. As aulas terminam as três horas da tarde, porém todos os alunos vão para os seus respectivos esportes depois.
Os americanos valorizam muito os esportes: os alunos treinam uma hora e meia de segunda a sábado (com algumas exceções). Na noite de quarta-feira, os pais dos alunos foram ao colégio conversar com os técnicos de seus filhos. O encontro durou menos tempo do que nos anos anteriores porque, segundo Fareeda (mãe da família com a qual eu estou), naquela noite passaria na TV um jogo de futebol americano do time de Boston, algo que ninguém poderia perder.
O jogo teve abertura com fogos de artifício, performances de dança, cantores como Ozzy Osbourne e apresentação do ator Freddie Prinze Jr. As pessoas, em geral, parecem ser legais: perguntam como você esta, se dispõem a ajudar e, quando você diz que é brasileira, eles falam: “Legal! Você é do Brasil”.
Mas a verdade é que eles sabem muito pouco sobre o nosso país. Posso me recordar de duas situações que mostram o que tento dizer. Estava explicando para o casal com o qual estou morando que no Brasil eu fazia Geografia. Então, a mulher perguntou: “Ah! Legal! A Geografia que vocês aprendem no Brasil é em inglês?”. A outra situação ocorreu quando eu estava tentando conversar com uma menina que faz Cross Country comigo e, como o meu inglês ainda não está bom, pedi para ela repetir o que estava dizendo. Então, ela disse: “Desculpa, eu não sei falar brasileiro, só inglês e espanhol”!
Por sorte eu conheci uma americana que conseguia conversar comigo sobre cinema brasileiro! Porém, são raras essas exceções. A minha estada aqui vai me proporcionar muitos aprendizados, mas pelo visto eu também vou ter o que ensinar.
Lívia Guilhermano - Quando foi para Weston e escreveu para o argumento.net, tinha 16 anos. Atualmente, é estudante de jornalismo na UFRGS.
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