Os três primeiros meses do meu intercâmbio (no dia 13 de dezembro, completei três meses) passaram incrivelmente rapidamente. Parece que foi ontem que eu estava no aeroporto, rodeado pelas pessoas que eu mais amo, dando a cada uma delas um abraço e um beijo que teriam que valer por um ano inteiro…
Apesar de o tempo passar rápido, a saudade é muito grande. Antes de dormir, ao olhar para as fotos de meus familiares e desejar-lhes boa noite, me dói pensar nas pessoas que quero tanto, e imaginar que eles sentem de mim a mesma saudade que eu sinto deles. Bom, passando a parte sentimentalista hehehe…
Troquei de família! A minha segunda família é muito boa. São pessoas caridosas, simpáticas, que estão sempre sorrindo e sempre preocupadas em dar de si antes de pensar em si. Mesmo tendo dinheiro, são pessoas simples. São muito religiosos, e estão tentando para passar isso pra mim também.
A vida na casa nova é melhor que na primeira. Apesar de já não ter a companhia de Darío, que é um cara legal pra caramba, o simples fato de já não acordar de noite com o barulho do trem já me agrada muito. A família nova tem algumas ajudantes, então só tenho que arrumar a minha cama (baita preguiçoso). Uma delas cozinha muito bem. O lugar onde eles vivem também é legal demais. Eles moram em uma casa bem grande, que tem vista incrível pros vinhedos da família. Além da casa em que estou vivendo agora, aqui há outras três casas, além da fábrica. Nas outras casas vivem os pais de Jorge, um irmão dele com sua esposa e filhos, e uma irmã dele com seu marido e filhas.
Jorge é o coordenador de inbounds do Club Rotário de Aguascalientes, meu host club aqui no México. Por isso, e por toda a religiosidade da família, pensei que eles fossem ser bem estritos. Que nada! São tri gente boa, me deixam sair e convidar gente pra vir aqui sempre que eu quiser.
Bom, além de ter trocado de família, não tem muitas novidades… Estou de férias já, mas isso não faz grande diferença, já que a minha escola daqui não me exige nada. Eles não se importam se eu não vou à aula, ou deixo de fazer alguma prova, então estou bem tranquilo aqui. Está começando a esfriar! Os nordestinos que estão vivendo aqui já estão trincando os dentes de frio, porque a temperatura é sempre mais baixa que quinze graus de manhã e de noite. Durante a tarde, geralmente chega aos 25… Estamos no início do inverno e, pra minha felicidade, vai ficar bem frio! Disseram que no auge do inverno chega a zero grau quase sempre! Pros intercambistas europeus, isso não é nada, mas pra mim já ta bom.
O natal foi difícil. Durante todo o dia 24, eu não consegui deixar de pensar na família do Brasil. Apesar de que todo mundo aqui gosta de mim e eu gosto muito deles, não é a mesma coisa que a família da gente. A festa de natal é basicamente igual à brasileira. Come-se peru (preparado sem chili, incrivelmente), carne (essa sim com chili pra caramba, pra compensar o peru) e outras comidas típicas natalinas.
Ultimamente tenho notado bastante um aspecto da cultura mexicana que eu, até agora, não havia comentado: a música. O povo mexicano tem um gosto muito peculiar para música. As canções são tristes, paradas, sem animação… O pessoal mais jovem quase só ouve musica estadunidense, porque dos músicos mexicanos são pouquíssimos os que se salvam (Maná e Carlos Santana, por exemplo).
Matheus Steffen - 16 anos, porto-alegrense, gremista, aluno do Colégio João XXIII, faz intercâmbio no México, vivendo na cidade de Aguascalientes, na região central mexicana.
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