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categoria: HIGH SCHOOL

PELAS ESTRADAS MEXICANAS

GUADALAJARA

 

Em dezembro, minha família anfitriã me levou à Guadalajara. Saímos de manhã cedo, e voltamos à noite. Chegamos ao nosso destino em menos de três horas. A cidade de Guadalajara é interessante pela arquitetura colonial mais ou menos bem conservada, e também pela culinária. Os Guadalajarenses apresentam mais traços indígenas que os Hidrocálidos, porque Guadalajara antigamente tinha uma enorme população indígena.

 

Ao chegar, tomamos um Tour Bus pelo centro histórico da cidade, que não estava muito bem conservado. Quando descemos do ônibus, entramos a outro para passear pela cidade em geral, e ao contrário do centro histórico, o resto da cidade está relativamente bem conservado e limpo. É um lugar bonito e um tanto interessante, mas nada que me emocionou.

 

O que eu gostei muito em Guadalajara foi a comida. Paramos para comer em um restaurante típico e, pela primeira vez aqui no México, comi uma boa carne. Na verdade, comi como um animal, porque estava morrendo de fome (tomamos café às seis e almoçamos às cinco da tarde…). A comida Guadalajarense é bem pesada, e me deu dor de estomago depois de comer, mas estava muito bom!!!

 

Voltamos para Aguascalientes de noite, e chegamos mais ou menos à uma da manhã. A viagem de volta foi um pouco mais rápida que a de ida, porque havia menos trânsito. Bom, Guadalajara é isso aí. Se alguém pensa em vir pro México e tem bastante tempo, é legal visitá-la, mas não é nada indispensável.

 

GUANAJUATO

 

Também fui a Guanajuato. Fizemos esse mesmo esquema de ir e voltar no mesmo dia, mas dessa vez levamos conosco Adrian, um primo com quem criei uma boa amizade. Também viajaram com a gente a família do meu “tio” aqui, Gustavo, que é irmão de Jorge, meu “pai”.

 

Guanajuato fica um pouco mais longe de Aguascalientes que Guadalajara. Saímos mais ou menos às nove da manhã e, como estávamos em comboio, demoramos mais ou menos quatro horas e meia para chegar. Como eu tinha saído para festa na noite anterior, eu dormi a viagem inteira.

 

Antes de começar a contar como foi o passeio por Guanajuato, vale relatar alguns detalhes peculiares dessa cidade interessantíssima. Ela fica mais ou menos a dois mil metros de altitude, e tem relevo muito irregular. Há muitos morros e montanhas pequenas, e as ruas da cidade são extremamente inclinadas. Nos tempos em que o México estava se tornando independente da Espanha, Guanajuato foi uma das principais bases espanholas. Aí, as construções antigas de fins bélicos são muitas, e estão todas bem conservadas. Guanajuato é a capital do estado de Guanajuato.

 

Esta cidade respira cultura. Apesar de não ter a mesma importância econômica que León e Irapuato (cidades do mesmo estado), segue sendo a capital por sua importância cultural. A Universidade de Guanajuato é muito reconhecida no México.

 

Desde o momento em que chegamos a Guanajuato, percebi que aquele passeio seria mais interessante que o anterior. Na mera entrada da cidade, havia quantidade de “guias turísticos” oferecendo-se para mostrar-nos a cidade. Cada um deles com mais cara de malandro que o outro, e obviamente não aceitamos a ajuda de ninguém.

 

No início, tínhamos como plano visitar as famosas múmias de Guanajuato. Na verdade, não são múmias como estamos acostumados a ver nos filmes, mas sim pessoas normais que não podiam pagar por um sepulcro e tiveram seus corpos conservados e utilizados como atração turística. O interessante é que todos os cadáveres ali expostos têm uma história (a maioria bem sinistra).

 

Depois de sair do museu de múmias, fomos dar uma volta pela cidade. Éramos muitos e havia crianças pequenas, então ficou meio lento e não conseguimos ver muita coisa. Mesmo assim, tudo o que a gente viu valeu a pena: fortalezas espanholas, igrejas lindíssimas, casas muito legais e principalmente ruazinhas bem estreitas e íngremes.

 

Depois disso fomos comer, e novamente estava morrendo de fome. Paramos em um restaurante que TINHA CHURRASCO BRASILEIRO!!!! Matei a saudade, comi como um louco (não estava à altura do churrasco do meu Vô Plácido, mas estava bom). Assim que terminamos de comer, fomos dar uma volta pela cidade. Entramos em um teatro bem bonito, construído cerca de dois séculos atrás pelos caras que foram responsáveis pela independência do México. O nosso guia não parava de falar, então eu enchi o saco e não prestei atenção na metade das coisas que ele dizia…

 

Saímos do teatro mais ou menos às sete da noite, e já estava escuro lá fora. Na rua, nos deparamos com uns mariachis que estavam vendendo ingressos para um evento que se chama, em espanhol, “Callejoneada”. Uma Callejoneada consiste em sair pelas ruas cantando e tomando suco (originalmente tomavam tequila, mas agora é proibido consumir bebidas alcoólicas em via pública). As pessoas que participam da Callejoneada se chamam Callejones, e os líderes são mariachis que vão guiando as pessoas, enquanto cantam e tocam canções típicas mexicanas.

 

O ingresso custava 100 pesos, mas valeu a pena. Perambulamos por mais ou menos duas horas pelas belíssimas ruas de Guanajuato, e apesar da minha falta de conhecimento da música típica mexicana, consegui cantar uns pedacinhos de algumas canções e me diverti muito.

 

Ao contrário de Guadalajara, Guanajuato é uma cidade imperdível para qualquer pessoa que visite o México e queira ver algo mais do que praias e pirâmides.

 

Matheus Steffen - 16 anos, porto-alegrense, gremista, aluno do Colégio João XXIII, faz intercâmbio no México, vivendo na cidade de Aguascalientes, na região central mexicana.
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