Através de um programa de intercâmbio da minha escola, Colégio de Aplicação da UFRGS, ganhei a oportunidade de arrumar as minhas malas e, com dezesseis anos de idade, voar para o mundo. O destino era a tão admirada América, onde muitos esperam encontrar uma chance de uma vida melhor.
Weston é uma cidadezinha do estado de Massachussets, nos Estados Unidos (a vinte minutos de Boston), que mais parece uma floresta do que um lugar residencial (tem esquilos por toda a parte!).
As famílias aqui, em geral, parecem felizes, possuem seus bons dois ou três carros, sua grande casa e aquela mesma bandeira branca, vermelha e azul na frente delas. Entretanto, essa última parte não estava inclusa na minha nova família: um casal de indianos e dois filhos, um garoto da minha idade e outro mais velho, em um college, em Montreal.
Cheguei no aeroporto de Boston por volta das dez horas da manhã de um domingo e lá estava ele: o filho mais novo, Ayaas, mas ele não estava com a tradicional plaquinha na mão “Welcome Lívia”, como me disseram que ele estaria. Após pegarmos as minha malas, fomos para o meu novo lar: uma casa grande com uma sala, uma cozinha americana, quatro quartos, garagem, sala de jogos e uma pequena academia.
A saudade da família era intensa e a ideia de ficar um ano longe de casa estava começando a me incomodar. Então, o que eu fiz? Fui para a Internet! Falava com a mãe, com o pai, com as irmãs, cunhados, amigos, namorado (sim! Eu tenho um!) e foi então que eu comecei a ouvir frequentes vezes uma voz: “Não fique no computador! Faça algo!”.
Após um pequeno período de absoluta tristeza, foi o que fiz: entrei para o time de Cross Country (corrida) do colégio, apesar das aulas ainda não terem começado. Terrível. Dez metros de corrida e lá estava a Lívia gritando: “I can’t!”!
Quando o outro fim de semana chegou, eu e a minha família fomos convidados para um jantar. Foi então que tudo mudou: conheci uma outra família que se ofereceu para ficar comigo no fim de semana, já que os indianos precisavam viajar para visitar o filho em Montreal. Com essa família, eu pude conversar muito, sair para comer pizza, brincar com o cachorro, rir, ir ao cinema, sair para comer sorvete, jogar futebol e conhecer Boston em um fim de semana!
Estava tudo maravilhoso, porém o fim de semana acabara. As aulas iam começar e era hora de voltar para a família original. Na manhã de terça-feira, com um grande pesar, ouvi três batidinhas na porta do meu quarto, seguidas de uma voz: “Livia!”. Era hora de, pela primeira vez, ir para a High School.
Lívia Guilhermano - Quando foi para Weston e escreveu para o argumento.net, tinha 16 anos. Atualmente, é estudante de jornalismo na UFRGS.
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