Seis milhas. Nove quilômetros e meio. Duas horas e meia de caminhada. Balões, crianças, bolhas de sabão, adultos e disposição. A chamada “caminhada do coração” ocorreu no sábado de manhã, unindo os departamentos de cardiologia dos hospitais de Boston e arredores.
Com o evento, foi arrecadada uma boa quantidade em dinheiro que irá beneficiar os pacientes com problemas no coração. Essa é uma atitude necessária, visto que a parada cardíaca está entre as três maiores causas de morte nos Estados Unidos.
Também pudera. Um dia desses, ao chegar no colégio, no café da manhã, deparei-me com o colesterol tentando me hipnotizar: “Coma-me, coma-me!!”. Muitos estudantes, ao irem para a escola, começam o dia com cheeseburguers ou com aquela velha história do bacon e ovo. Eu, humildemente, optei por um cafezinho preto.
Os praticantes desta “pesada” rotina fazem esportes depois da aula. Os vaidosos preferem correr ou jogar futebol e, assim, manter o seu corpo e a sua saúde em dia. Os outros, jogam futebol americano, já que é fácil correr um pouquinho e pular em cima do coitado do adversário.
Sobre a minha relação com as pessoas, a minha aula de Social Science, na sexta-feira, me fez pensar. A atividade era formular perguntas sobre o que desejávamos saber dos nossos colegas.
Perguntei sobre o que eu mais gosto de conversar – filmes, futura profissão, etc. Contudo, as perguntas as quais tive de responder não eram tão simples assim: “Como é o Brasil?” ou “Qual a diferença daqui e do Brasil?” Naturalmente, uma das minhas respostas foi: “O Brasil é imenso, eu não posso generalizá-lo!”
É bastante complicado responder algumas perguntas destinadas a mim, porém fico feliz quando alguém mostra interesse em saber um pouco sobre a minha cultura. Isso deve ser porque a maioria das pessoas, ao conversar comigo, não vão além do “Você é brasileira? Que legal! Eu falo espanhol, sabia?” Quando eu escuto isso, fico com vontade de falar: “Você é americana? Que legal!! Eu falo português, sabia?”
Já houve quem tentasse uma comunicação em francês comigo! Cheguei, então, à conclusão de que as pessoas querem se mostrar interessadas para que eu me sinta bem de estar na comunidade delas. Entretanto, elas não encontram a forma correta para isso.
Porém, não tenho do que me queixar. Estou rodeada por pessoas que falam outras línguas, mas que querem ao menos saber quem eu sou e ser gentil e, também, por alguns brasileiros dispostos a ajudar. Enfim, a verdade é que as pessoas aqui têm várias línguas. Seja para falar inglês, francês e espanhol ou para comer pizza, cheeseburguers e batatas fritas.
Lívia Guilhermano - Quando foi para Weston e escreveu para o argumento.net, tinha 16 anos. Atualmente, é estudante de jornalismo na UFRGS.
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