DIA DOS MORTOS
No dia 31 de outubro, quando boa parte do mundo celebra o Halloween, o estado de Aguascalientes para para celebrar o Dia Dos Mortos. Essa data um tanto macabra demarca, na minha opinião, a originalidade da cultura mexicana, que certamente não se resume a comer chili e tortillas tomando tequila e andar por aí com um sombreiro na cabeça…
Para celebrar o Dia Dos Mortos, é comum fazer altares para relembrar os falecidos. Nas escolas, os alunos fazem competição com os seus altares, que podem ser até para pessoas que eles nunca conheceram! Teve uma gurizada que ganhou o concurso da sua escola com um altar pro Bob Marley!
Há também passeios por cemitérios, geralmente organizados por grupos de teatro. Os integrantes dos grupos se caracterizam e guiam alguns corajosos por dentro dos cemitérios, assustando-os a toda hora. Infelizmente não pude participar dessa brincadeira, porque quando fui comprar ingresso, já não tinha mais… Pra que vocês tenham uma ideia da popularidade desta prática, os ingressos já se haviam esgotado um mês antes do dia 31 de outubro.
Um lugar interessante é o Museo De Los Muertos, aqui na cidade de Aguascalientes. Apesar de o prédio estar mal preservado, as obras de arte indígenas são bem interessantes. Pra dizer a verdade, eu fiquei impressionado com a forma com que a morte faz parte da cultura mexicana, principalmente no estado de Aguascalientes. Apesar de o estado de “Águas” ser o menor do país, o maior NÚMERO de suicídios é aqui. Não é a porcentagem da população nem nada disso, é o número mesmo. Ninguém sabe explicar por que tanta gente se mata por aqui. Estranho, né?
NECAXA
Em outubro eu fui num jogo do Necaxa, o time local. O estádio deles é bem legal. Cabem umas doze mil pessoas no máximo, mas é tri o estádio… tem umas fontes e de quando em quando jorra água na torcida, pra refrescar. Achei interessante que não tem repartição nenhuma no estádio. Por aqui o pessoal não se mata por futebol, longe disso. Tinha gente com camisa do Necaxa conversando com gente com camisa de outros times, e até do adversário daquele jogo, sem problema nenhum.
Apesar de o estádio ser legal, o time é um lixo. São da segunda divisão do México, e mesmo sendo os melhorzinhos, continuam sendo horríveis. Por sorte, o Atlante, oponente daquela ocasião, perderia até pro time reserva do São José de Porto Alegre. Então o Necaxa ganhou por 5 a 1.
Em outubro eu também fiz uma visita, com um grupo de intercambistas, a uma creche. Fomos lá, falamos um pouco dos nossos países e a criançada nos adorou. Ganhamos um monte de comida de graça, e no final da visita a diretora da creche nos convidou para uma confraternização na casa dos seus pais. Estava muito divertida a “confraternização”: a casa tinha piscina, campo de futebol e mesa de sinuca.
ZACATEAS
No último fim de semana, eu viajei pra Zacatecas, com alguns intercambistas. Zacatecas é vizinha de Aguascalientes, mas é capital de outro estado que também se chama Zacatecas. A cidade é muito legal. Foi fundada em 1546, e a parte antiga da cidade é considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO.
O monumento mais interessante é, de longe, a catedral, cuja fachada foi esculpida por um índio que tinha sido condenado à morte. Os espanhóis disseram para o índio que iam matá-lo logo depois que ele terminasse de esculpir. Ele demorou 46 anos, e quando terminou, os espanhóis não o mataram, de tão impressionante que foi o trabalho do cara.
A cidade de Zacatecas foi de especial interesse para os espanhóis, devido à grande quantidade de minérios que se extraiu de lá. O nosso guia comentou que se toda a prata de Zacatecas tivesse permanecido na cidade, as ruas estariam cobertas de prata.
Um dos passeios mais interessantes foi o da mina de Zacatecas. O guia falou que os índios eram forçados a trabalhar lá a partir dos 11 anos de idade, e que a expectativa de vida dos mineiros era de 35 anos. Hoje em dia a mina está fora de uso, a não ser para turismo e festas. Sim, festas: há uma boate dentro da mina. Infelizmente, não a conheci, porque no dia em que a gente saiu para fazer festa, o pessoal que está morando em Zacatecas disse que havia uma outra boate muito melhor…
Realmente era muito boa a outra boate.
Matheus Steffen - 16 anos, porto-alegrense, gremista, aluno do Colégio João XXIII, faz intercâmbio no México, vivendo na cidade de Aguascalientes, na região central mexicana.
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