“Cheguei a Lisboa, mas não cheguei a uma conclusão.”, já diria o grande poeta português.
A chegada foi tranquila, apesar do esforço pra levar todas as malas até o apê (dois andares -várias escadas-, quatro malas grandes, dois braços…). Capotei na cama logo que cheguei. Sim, óbvio, com certeza, certamente ou sem dúvida…? (Ah, depois de ter curtido um pouquinho a casa nova, claro.).
O dia seguinte começou a mil: fui ao Liceu onde vou estudar, mas a Secretaria já estava fechada. Aí, pra não perder a viagem (que nem foi tão longa assim), almocei um bacalhau (ai, que saudade eu tinha de um bom bacalhau!) ali do ladinho. Depois de bem alimentada (afinal, saco vazio não para em pé…), fui, de metrô, até a Praça dos Restauradores. Caminhei sozinha pela Baixa, enquanto minha mãe tinha um compromisso. O roteiro foi curtinho, mas mega agradável: Praça dos Restauradores, Rossio, Teatro D. Maria, Praça João IV, Praça da Figueira, rua Augusta, rua do Ouro, rua do Sapateiro, rua do Carmo… Ao som de um português bem português e aproveitando o ritmo desacelerado que reinava por ali -pelo fim de ano-, fui curtindo o clima lisboeta. Esse lugar segue encantador: é uma cidade grande com cara de interior. Acaba sendo, mesmo com o movimento de uma capital, super aconchegante.
No meio da tal caminhada, vi, de longe, um cara com uma câmera de filmagem e uma moça com um microfone. “Hm… Que não me peguem outra vez!” – pensei eu, um tantinho traumatizada pela (quase) coletiva do dia anterior em Madrid. Desviei. – Mas não é que os dois vieram até mim? (GRRR!). Queriam que eu falasse sobre a passagem de ano… Eu disse que era brasileira e perguntei se isso tinha algum problema – pelo que eu entendi, buscavam pessoas portuguesas pra tal entrevista… Eles responderam que seria bom ter alguém de fora. Entonces, meio tímida, falei que comeria passas e que entraria no novo ano com o pé direito (tradições portuguesas), que comeria 12 uvas (tradição espanhola) e que, se estivesse no Brasil, pularia 7 ondas. A engraçadinha me perguntou por que eu não pulava as ondas em Lisboa… – Teve uma risada como resposta, claro.
Saindo da pequena entrevista, fui em direção à Santini. AH, A SANTINI! – Eu sonhava com aquele sorvete há semanas… “Framboesa, chocolate e avelã, por favor.”. SU-PIM-PA! Mas, como se comer três sabores de sorvete não bastasse, saí dali e fui ao Starbucks pra tomar um delicioso chocolate quente. No caminho, uma cena me chamou a atenção… Era um morador de rua, velhinho, com alguns cartazes ao seu redor: “Para -mais- cerveja.” “Para vinho.” “Para whisky.” “Para ressaca.” “Pelo menos sou sincero…”. Verdadeiro, ele, não?!
À noite jantamos -eu, minha mãe e meus tios, que vieram passar o ano novo conosco- num lugarzinho muito giro no Chiado. Depois do jantar (e de um belo choque térmico, já que saímos do quentinho de uma estufa pra uma noite bem gelada…), caminhamos pelo Bairro Alto atrás de um fado vadio. Paramos no “Caldo Verde”, um lugar bem típico por aqui. A música era boa – e a sobremesa melhor ainda. Detalhe: roubei (todos) os porta-copos da mesa (eram de papelão, ok?!) pra escrever trechos de alguns fados… Espero que não sintam falta deles, mas foi por uma boa causa.
Bueno… No último dia do ano levei meus tios até Belém pra conhecerem a Torre, o Mosteiro dos Jerónimos e os famosos pastéis… Adoraram! (E tem como não gostar, por algum acaso? Não, não tem.). Enquanto eles visitaram os museus, fiquei sentada/deitada na beira do Tejo, curtindo o solzinho – apesar do frio e do vento. Só faltou um chimarrão, tchê!
…E assim começou minha estada por aqui. – Um pouco como turista, já que tenho mostrado a cidade pros meus tios, que não a conhecem; um pouco como nativa, morando num bairro residencial e conhecendo a rotina dos que moram aqui. – Mas seguindo os passos da Gabi Borges: me permitindo conhecer a MINHA Lisboa.
Vitória Gonzalez Rodriguez - Aluna do Colégio João XXIII, está em Lisboa a fazer intercâmbio.
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Bem vinda ao Argumento, Vitória!!
E PARABÉNS pelo texto, ele é leve e divertido, além de estar muito bem escrito. Demonstras ter todas as qualidades de uma cronista. Vou continuar te acompanhando.
Beijos
Marga