A viagem para Nova Iorque fez com que eu conhecesse a neve de verdade. Comparo esta sensação à de quando descobri que Papai Noel não existia. Uma grande decepção. A neve existe e é linda, sim. Mas junto com ela aparecem mais problemas do que eu poderia imaginar.
Não é fácil viver em uma cidade coberta de branco. Mal dá para caminhar na rua. Atravessar a rua se torna uma operação de risco. Quando a neve não está alta, o que restou dela derrete, vira um gelo sujo, é escorregadio.
Nos canais de TV, não se fala em outra coisa. Os repórteres entram ao vivo dos quatro cantos da cidade mostrando como está a situação, que ruas estão bloqueadas. Todas as escolas fecharam em Nova Iorque. Os pais são pegos de surpresa. Precisam trabalhar e deixam os filhos sozinhos em casa. Ou faltam ao trabalho. Nos intervalos dos programas, as Tvs fazem vinhetas especiais em que as crianças aparecem na frente do aparelho e quando veem escrito Heavy Snow comemoram como se fosse uma festa.
Se um dia é complicado, imagina uma semana assim? Um mês. Nesta estação, as nevascas estão mais frequentes por lá. E mais intensas. Bom é saber que os aeroportos estão preparados para isso. Ao contrário do Aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, que fecha até por causa da neblina, o JFK, de NYC, consegue decolar em meio a grandes nevascas. Os funcionários retiram metros de gelo acumulado sobre a aeronave com um jato de álcool. Todo o avião recebe um banho de um álcool bem vermelho. Isso dura uma hora mais ou menos. E depois ele segue viagem, como se a enchente branca não estivesse tomando conta de tudo. Claro que tem muitos voos cancelados também. Mas aí eles levam em conta a situação dos aeroportos de chegada. No Brasil dos 40 graus, não existe risco nenhum.
Cristiano Dalcin - 35 anos, é jornalista e mora em Porto Alegre.
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