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categoria: PÁTRIA LUSA

SOPHIA

Redescobri a Sophia de Mello Breyner Andresen(1919-2004). Ou descobri? Nunca a tinha lido com a atenção merecida. Amiga de Cecília Meireles, de Murilo Mendes, de João Cabral de Melo Neto, Sophia (mãe do escritor Miguel de Sousa Tavares - Equador), socialista de carteirinha, sempre teve o engajamento político ao seu lado, mas isso não transforma sua arte em panfleto. Divido aqui um poema pós-Revolução dos Cravos. Vale lembrar que Portugal viveu por décadas um regime totalitário, ditadura conhecida como Salazarismo, e que os novos sopros de liberdade chegaram em abril de 1974.

Revolução

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício

Como a voz do mar
Interior de um povo

Como página em branco
Onde o poema emerge

Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação

27 de Abril de 1974

A Companhia das Letras tem uma bela antologia publicada (2004) no Brasil, com seleção e prefácio da professora Vilma Arêas.

Este espaço serve como divulgador de ideias portuguesas. Poemas, narrativas, trechos, pensamentos… Não se pretende teorizar, apenas deixar o texto falar por si.

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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