LAÍS BODANZKY é a diretora do filme brasileiro mais premiado do ano, BICHO DE SETE CABEÇAS, sua estréia na direção de longas-metragens. Protagonizado por Rodrigo Santoro, o filme levou nove Candangos no Festival de Brasília, entre eles os de Melhor Filme, Direção e Ator (Santoro), e repetiu o mesmo feito no Festival de Recife, inclusive no número de vitórias. A produção recebeu também a Margarida de Prata para produções comprometidas com os direitos humanos, pela CNBB.
No último Festival de Cinema de Gramado, BICHO DE SETE CABEÇAS foi convidado para ser apresentado fora de competição, na noite de encerramento. Na ocasião, ainda, Laís recebeu o primeiro Troféu BR para Melhor Diretor Estreante, oferecido pelo principal patrocinador do evento. O último prêmio de BICHO… foi o de Melhor Filme segundo o público jovem no Festival de Locarno, na Suíça.
Laís Bodanzky é paulista, formada em cinema pela FAAP. Sua estréia como cineasta já foi com vitória, no Festival do Minuto, com BIA BAI. Em 1994 realizou seu primeiro curta, CARTÃO VERMELHO, premiado em vários festivais no Brasil, entre eles no Festival de Brasília e no FestRio, e no exterior. Há cinco anos desenvolve o projeto Cine Mambembe, exibição itinerante de filmes brasileiros para um público que não tem acesso às salas de cinema. Com o projeto viajou pelo interior do Brasil por 6 meses, dando origem também ao documentário CINE MAMBEMBE – O CINEMA DESCOBRE O BRASIL, co-dirigido por Luiz Bolognesi, que ganhou vários prêmios, como o Especial do Júri, no Festival de Gramado/99, a Margarida de Prata 99/CNBB, Festival de Havana/Cuba 99, o Prêmio de Melhor Filme Internacional de Vanguarda/Festival Internacional de Filme Latino de Nova Iorque 2000 e o Prêmio Brasil de Melhor Documentário.
Durante nossa conversa, Laís demonstrou ser uma pessoa extremamente simpática e sensível. Valoriza a importância para o cinema nacional de uma integração entre os diversos pólos produtivos do nosso país como único meio de fazer frente à supremacia norte-americana (estou louca para ver NETTO PERDE SUA ALMA). Apesar de sua premiada carreira e da bem-sucedida trajetória de BICHO DE SETE CABEÇAS, ainda se mantém simples e direta em suas opiniões, sem por isso deixar de tremer perante seus ídolos (ao finalizar o BICHO nos estúdios da CINECITTÁ, em Roma, Itália, ocupamos um estúdio ao lado de onde Ettore Scola estava finalizando seu mais recente longa. Nossa, ele é um dos meus maiores ídolos, conheço todos os seus filmes, mas acredita que não tive coragem de ir falar com ele?).
UM LIVRO: CANTO DOS MALDITOS, de Austregésilo Carrano Bueno (livro que serviu de inspiração, junto com o texto Carta ao Pai, de Franz Kafka, para o roteiro de BICHO DE SETE CABEÇAS).
UM FILME: A HORA DA ESTRELA, de Suzana Amaral (filme brasileiro, inspirado no romance homônimo de Clarice Lispector, que recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim de Melhor Atriz para Marcélia Cartaxo).
UMA MÚSICA: Seu Olhar, de Arnaldo Antunes (música que consta na trilha sonora do filme BICHO DE SETE CABEÇAS).
UM ESPETÁCULO: qualquer um do Grupo Corpo, sou fã de carteirinha deles. Mas adoro em especial sua coreografia inspirada nas obras de Ernesto Nazaré e José Miguel Wisnick.
FÉRIAS IDEAIS: ficar isolada do mundo, longe de tudo, sem televisão, telefone, nada, perdida no meio da natureza. De preferência numa praia, adoro água salgada e sol.
UMA VIAGEM INESQUECÍVEL: os seis meses pelo interior do Brasil, com o CINE MAMBEMBE.
O QUE ESTÁ LENDO ATUALMENTE: A Mulher de 30 Anos, de Honoré de Balzac. Mas aqui na bolsa agora estou com Comédias para se Ler na Escola, do Luís Fernando Veríssimo, que eu adoro também.
UM GRANDE ESCRITOR: Machado de Assis, ele é perfeito.
UM ÍCONE DO CINEMA: Vitório Gassman. Você viu O JANTAR, do Scolla? O que é aquilo? Se aquilo não é perfeição, então eu não sei o que é.
UM NOME DA ARTE: Arnaldo Antunes. Pra mim, ele é o artista mais multimídia que existe no Brasil, ele é completo.
UM ÍDOLO NA PROFISSÃO: Ettore Scola, é claro.
O QUE OUVE QUANDO ESTÁ ESTRESSADA: adoro música instrumental brasileira. Meus compositores favoritos são Paulo Freire, Décio Rocha e Ivan Vilela.
UM PROGRAMA QUE CURTE NA TV: Vitrine, apresentado pelo Marcelo Tas, na Rede Cultura.
UM VÍCIO: preguiça. Nossa, sou muito preguiçosa.
UMA COR: verde-musgo. Por quê? Ora, eu gosto.
ADORA: banana.
ODEIA: lidar com pessoas arrogantes, é muito desgastante.
SIGNO: libra
UMA FRASE: puxa, essa é difícil… deixa eu ver, tem uma que eu adoro, mas não tenho certeza de quem é, acho que é do Luis Fernando Veríssimo, que diz: O mundo é dividido em dois grupos de pessoas: os que vivem dividindo tudo e os que desconhecem o conceito de divisão.
UM SONHO: pessoal ou global? Pro mundo eu gostaria que houvesse mais projetos voltados para o bem estar da humanidade, mas pra mim mesma eu gostaria de encontrar mais tempo para realizar todos os meus projetos profissionais, conciliando-os com uma realização pessoal.
UM ADJETIVO QUE PODERIA TE DEFINIR: puxa, eu não gosto de falar de mim mesma, não consigo. Pode ser um substantivo? Então lá vai, eu me definiria como aquelas pequenas margaridas, aquelas florzinhas pequenininhas, um buquê cheio delas. É uma imagem bonita, acho que aquilo sou eu, mesmo.
Por Robledo Milani
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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