Depois de um ano de ausência, o site argumento.net está de volta ao Festival mais popular e polêmico do Brasil. Popular, obviamente, porque Gramado sempre se esmera para transformar o evento numa atração que arrasta o público ao redor das estrelas convidadas – nem sempre dignas de tal atenção. Neste ano, a cidade de Gramado está ainda mais bonita, com as reformas na Avenida Borges de Medeiros, a principal da cidade, que eliminou boa parte da fiação externa. Está clean e aconchegante.
O festival é polêmico porque por vezes tropeça justamente nessa dicotomia público-cinema, trazendo filmes difíceis para essa platéia mais televisiva que cinemeira. Muitos críticos e cineastas, todos os anos, comentam sobre essa difícil tarefa de satisfazer gregos e troianos. Não raras vezes, na vontade de agradar a este público, os filmes comerciais exibidos são de qualidade duvidosa. A verdade é que, já há algum tempo, os grandes hits do cinema nacional evitam Gramado, já que, apesar de tudo, é um festival com filmes em competição, com júri e etc. Ou seja, um fiasco em premiação e o dito sucesso pode tropeçar na bilheteria. Porém, contraditoriamente, os filmes mais aguardados pela crítica, aqueles que prometem um diferencial de qualidade, também evitam Gramado justamente pela glamorização que o festival carrega. Gritos histéricos não combinam com filme sério. Quer dizer, é realmente difícil montar uma programação.
De qualquer maneira, Gramado inovou em 2007 com uma noite a mais de competição. Serão seis noites competitivas e uma de premiação. Os documentários voltam a concorrer junto com os longas. Os filmes latinos voltam ao horário noturno, e os curtas brasileiros competem em blocos, em três dias da semana, sempre às 17 horas no Palácio dos Festivais.
O domingo inicial de Gramado, diferentemente do que poderíamos imaginar, é calmo. Não há grande aglomeração, não há ainda um número expressivo de atores globais passeando pela cidade, ou seja, os holofotes ficam por conta dos filmes que serão apresentados, o documentário híbrido CASTELAR E NELSON DANTAS NO PAÍS DOS GENERAIS e o gaúcho VALSA PARA BRUNO STEIN, baseado na obra homônima de Charles Kiefer.
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
Mande um mail para o autor | Todos os artigos de Paulo Ricardo Kralik Angelini
Comentários
Sem comentários para “DOMINGO DE ABERTURA”
Deixe um comentário