O primeiro longa-metragem em competição, da mostra estrangeira, era argentino. Apenas isso seria suficiente para causar uma boa expectativa na platéia, tendo em vista a excelente fase cinematográfica pela qual nossos hermanos atravessam. A obra da vez chama-se POR SUS PROPRIOS OJOS, de Liliana Paolinelli.
De baixo orçamento, a película conta a história de duas estudantes de cinema que produzem seu trabalho de conclusão de curso, a saber, um documentário sobre o olhar das mulheres que possuem familiares na cadeia. Ana Carabajal, Luisa Nuñez e Mara Santucho formam a trinca de atrizes de POR SUS PROPRIOS OJOS. Em Gramado, Carabajal (que tem uma estréia promissora no cinema com este filme) e Paolinelli agradeceram a (pequeníssima) presença do público.
Talvez o maior defeito da obra argentina seja a falta de ritmo. Talvez seja o nosso olhar mais acostumado a edições moderninhas que aumente a sensação de que há pouca história em muito tempo. O roteiro poderia ser o de um curta-metragem, pois a ação é realmente mínima. Há longos movimentos de câmera, que tornam as cenas compridas e lentas. Ainda assim, há belas passagens, especialmente as vividas pela protagonista Carabajal.
O óbvio envolvimento entre estudioso-objeto pode parecer um tanto abrupto, ainda mais por conta da falta de pistas, apenas sutilmente citadas. Uma delas é a tal letra da carta escrita pelo filho da mulher com quem ela se relaciona, a qual recebe elogios da pesquisadora. Mais tarde, quando o preso novamente escreve, poderia haver uma relação entre essas letras, mas fica tudo no ar.
POR SUS PROPRIOS OJOS é uma obra menor dentro da cinematografia argentina. Em verdade, provocou muito mais bocejos do que admiração.
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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