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	<title>Argumento.net</title>
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	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
	<lastBuildDate>Thu, 20 Jun 2013 02:51:36 +0000</lastBuildDate>
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		<title>era um inseto</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jun 2013 02:51:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rita Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[ABISMADA]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[era um inseto minúsculo o que rompeu sua pele o que bebeu do seu sangue impetuoso em desejo era um inseto olho não via e devorava sua palavra e transformava sua rotina ardendo as asas escuras era um inseto sequer se sabia era um inseto mas existia nas frestas do dia-a-dia obscuro nas nossas cortinas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>era um inseto<br />
minúsculo<br />
o que rompeu sua pele<br />
o que bebeu do seu sangue<br />
impetuoso em desejo</p>
<p>era um inseto<br />
olho não via<br />
e devorava sua palavra<br />
e transformava sua rotina<br />
ardendo as asas escuras</p>
<p>era um inseto<br />
sequer se sabia</p>
<p>era um inseto<br />
mas existia<br />
nas frestas do dia-a-dia<br />
obscuro nas nossas cortinas</p>
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		<title>O PRÍNCIPE &#8211; PARTE 1</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jun 2013 02:47:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Hülsendeger</dc:creator>
				<category><![CDATA[QUEDA LIVRE]]></category>

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		<description><![CDATA[Por volta de 1785 A professora estava cansada. As crianças não paravam quietas e ela não sabia mais o que fazer. A sensação de abafamento só tornava tudo pior. Em breve a chuva começaria a cair, mas, enquanto isso, ela tinha trinta crianças, entre sete e dez anos, sob sua responsabilidade e precisava pensar em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por volta de 1785</strong></p>
<p>A professora estava cansada. As crianças não paravam quietas e ela não sabia mais o que fazer. A sensação de abafamento só tornava tudo pior. Em breve a chuva começaria a cair, mas, enquanto isso, ela tinha trinta crianças, entre sete e dez anos, sob sua responsabilidade e precisava pensar em algo para distraí-las.</p>
<p>- Silêncio! – disse a professora, fazendo-se ouvir acima das conversas murmuradas dos alunos. – Silêncio! – ela repetiu, batendo com a régua de madeira na mesa.</p>
<p>A turma imediatamente ficou quieta. Todos temiam aquela régua. Se a professora resolvesse usá-la, nada e nem ninguém iria socorrê-los.</p>
<p>- Vocês devem calcular o resultado da soma de um a cem – enquanto escrevia a tarefa no quadro negro, um sorriso de satisfação surgiu em seu rosto. Agora sim ela poderia descansar um pouco.</p>
<p>Entretanto, não haviam se passado nem cinco minutos quando um menino gritou:</p>
<p>- Terminei!</p>
<p>A professora, com a cabeça inclinada sobre seus cadernos, nem se incomodou em olhar:</p>
<p>- Impossível! Sente-se e faça a tarefa, caso contrário vai para o castigo – disse ao aluno atrevido.</p>
<p>Mal ela havia terminado de falar quando a mesma voz repetiu:</p>
<p>- Terminei!</p>
<p>Furiosa ela ergueu a cabeça e procurou o atrevido. No fundo da classe, um de seus alunos mais novos a estava encarando, com o caderno colocado sobre a mesa e as mãos no colo.</p>
<p>- Senhor Gauss, tenho certeza que a sua tarefa deve estar incompleta. Faça um favor a si mesmo e termine-a.</p>
<p>O menino não baixou os olhos, permaneceu fitando a professora e teimosamente repetiu:</p>
<p>- Terminei!</p>
<p>A professora ficou vermelha.</p>
<p>- Muito bem, rapazinho. Venha até aqui e escreva no quadro a resposta – disse, já com a régua em uma das mãos.</p>
<p>O menino levantou-se do banco e calmamente caminhou até a frente da sala. Sua roupa, apesar de limpa, era muito simples, pobre até. No entanto, ele não parecia intimidado. Ao contrário. Sem olhar para a professora ou para qualquer um de seus colegas, o menino segurou a barra de giz e escreveu um número no quadro: 5050. Depois, em silêncio, permaneceu diante da turma, aguardando o veredicto da professora.</p>
<p>A velha mulher olhou para o quadro e em seguida para suas anotações amareladas. Ela já tinha proposto aquele exercício milhares de vezes e ninguém tinha levado menos do que uma manhã inteira para resolvê-lo. No entanto, agora&#8230;</p>
<p>- Onde você conseguiu essa resposta? – ela perguntou furiosa.</p>
<p>- Pensando – foi a resposta do menino.</p>
<p>- Como assim, pensando? Ninguém faz um cálculo desses em tão pouco tempo. Você deve ter olhado minhas anotações.</p>
<p>O menino não disse nada. O pai o havia ensinado a respeitar os mais velhos, principalmente se a pessoa mais velha fosse a sua professora. Se ele descobrisse que tinha sido mal educado com ela, sua bunda, com certeza, iria sofrer as consequências. Portanto, respirando fundo, tentou responder da forma mais educada possível:</p>
<p>- Mestra, eu apenas pensei em um caminho que me permitisse chegar à resposta o mais rápido possível.</p>
<p>- Que caminho?</p>
<p>Pegando o giz de novo ele escreveu:</p>
<p>- S<sub>n</sub> = n.(a<sub>1</sub> + a<sub>n</sub>) / 2</p>
<p>- O que é isso? – perguntou a professora.</p>
<p>- O caminho mais curto.</p>
<p>******************</p>
<p>Johann Carl Friedrich Gauss nasceu no dia 30 de abril de 1777 em uma pequena cidade da Alemanha, chamada Braunschweig. Sua família era muito pobre: o pai era jardineiro e pedreiro e a mãe uma dona de casa analfabeta.</p>
<p>Hoje, Gauss seria considerado um “menino prodígio”, pois desde muito cedo demonstrou uma inteligência sem igual, sendo capaz de, aos oito anos (momento no qual ocorre a história), encontrar, apenas por meio do raciocínio, a fórmula que demonstra a soma de uma progressão aritmética (abreviadamente P.A.). Um método rápido de efetuar uma soma que envolve vários números.</p>
<p>Herr Butne, diretor da escola primária frequentada por Gauss, reconheceu sua genialidade, passando a incentivá-lo nos estudos. Um colega, Johann Martin Bartels, outro jovem brilhante, alguns anos mais tarde o apresentaria a Carl Wilhelm Ferdinand, Duque de Brunswick. Esse nobre, impressionado com o talento matemático de Gauss, se tornaria seu protetor garantindo-lhe a conclusão dos estudos no Collegium Carolinum.</p>
<p>Antes dos vinte anos, Gauss já havia superado, em muito, as expectativas de seu protetor. Aos doze anos começou a desconfiar dos fundamentos da geometria euclidiana, aos dezesseis já tinha seu primeiro vislumbre de uma geometria diferente da de Euclides e aos dezoito inventou o “método dos mínimos quadrados”, indispensável em pesquisas geodésicas.</p>
<p>Contudo, sua genialidade não se restringiu aos anos de juventude. Ao contrário. Suas conquistas ultrapassaram, inclusive, os limites das ciências exatas. Gauss foi muito além.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Continua&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>CRÔNICAS SOBRE ALGUMAS DAS ESQUISITICES DA FÍSICA &#8211; 4</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Jun 2013 02:53:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Hülsendeger</dc:creator>
				<category><![CDATA[QUEDA LIVRE]]></category>

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		<description><![CDATA[Por favor, deixa o Outro Mundo em paz! O mistério está aqui. Mario Quintana &#160; Você gosta de filmes de fantasmas? E em fantasmas, você acredita? Confuso com as minhas perguntas? Não se preocupe, eu explico. Em primeiro lugar, quero esclarecer que não gosto do gênero terror, principalmente se ele vem acompanhado de meninas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por favor, deixa o Outro Mundo em paz! </em></p>
<p><em>O mistério está aqui.</em></p>
<p>Mario Quintana</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você gosta de filmes de fantasmas? E em fantasmas, você acredita? Confuso com as minhas perguntas? Não se preocupe, eu explico.</p>
<p>Em primeiro lugar, quero esclarecer que não gosto do gênero terror, principalmente se ele vem acompanhado de meninas de cabelo preto escorrido, casas mal-assombradas ou lugares onde as pessoas são metodicamente cortadas em pedaços. Definitivamente, esse não é o meu gênero de filme preferido.</p>
<p>No entanto, aprecio filmes que abordem a temática espiritual de maneira minimamente elegante, não importando se é um drama ou uma comédia. Chorei assistindo a “Ghost” (1990) e a “Amor Além da Vida” (1998). Quase enfartei com “O sexto sentido” (1999) e a frase “Eu vejo gente morta” se tornou um clássico dos filmes de fantasmas. E se vamos atrás de humor, sempre temos os engraçadíssimos “Os Caça-Fantasmas” (1984) e “Os Fantasmas se Divertem” (1988). São meio antigos, eu sei, mas fazer o quê? O século XXI não tem me animado muito quando o assunto é fantasmas.</p>
<p>Contudo, uma coisa é certa: novo ou antigo, quando se trata de fantasmas a audiência é sempre garantida. E na Física parece que não é muito diferente.</p>
<p>Um grupo de cientistas da Universidade Nacional de Singapura está trabalhando com a possibilidade de criar fantasmas reais. Imagens, semelhantes a hologramas, que poderiam ser projetadas no espaço livre. Uma espécie de ilusão de óptica tamanho gigante. Para que isso possa acontecer eles estão manipulando ondas eletromagnéticas, na faixa da microondas, e um material novo chamado “metamaterial”.</p>
<p>Se você não sabe o que é uma onda eletromagnética, lembre-se da luz. Ela é, com certeza, o exemplo mais importante e conhecido desse tipo de onda. Já os metamateriais – do grego “além de” – seriam materiais com propriedades não naturais. Atenção! Quando escrevo “não naturais”, não estou querendo dizer “sobrenaturais”. Nada disso! Significa apenas que se trata de materiais que possuem características estranhas – não encontradas na natureza –, mas continuam respeitando as leis da Física.</p>
<p>A existência dos metamateriais foi prevista pelo físico soviético Victor Veselago, em 1967. Porém, só em 2006, a Universidade Duke, na Carolina do Norte/EUA., e o Imperial College, de Londres, conseguiram fabricar artificialmente os primeiros metamateriais. A lista de suas possíveis aplicações é imensa. Superlentes que poderiam estudar em detalhes trechos do DNA de uma célula viva, cristais que trabalhariam com luz, em vez de eletricidade, construção de poderosos computadores e, é claro, a projeção de fantasmas reais.</p>
<p>Como esses fantasmas são criados?</p>
<p>Os cientistas, basicamente, manipulam ondas eletromagnéticas que viajam ao longo do metamaterial, em um aparelho circular formado por fitas concêntricas repletas de pequenas antenas. As imagens formadas podem ser distorcidas, tremer, se dobrar e até desaparecer. Além disso, são capazes de surgir em qualquer espaço, longe da localização do objeto real, sendo possível, inclusive, criar mais de um fantasma de apenas um objeto.</p>
<p>Complicado? Meio maluco? Com certeza! No entanto, o pessoal de Singapura acredita que seus estudos são “o cálice sagrado dos pesquisadores no campo das ilusões de óptica”. Parece um exagero, mas os cientistas são assim mesmo: quando acreditam estar perto de alguma descoberta importante, são um pouco exagerados.</p>
<p>A razão para todo esse otimismo está nas aplicações do projetor de fantasmas. Será possível criar fantasmas na tela dos radares ou eliminar traços de objetos verdadeiros, tornando-os invisíveis – o que me faz lembrar de Harry Potter: será que o manto da invisibilidade não era feito de algum tipo de metamaterial? Além disso, os cientistas acreditam que “seus fantasmas” poderão ser empregados em experimentos psicológicos. Ao criar “visões” que as pessoas pensam ser verdadeiras será possível analisar suas reações a elas, o que abriria as portas para a manipulação cognitiva, estimulando o surgimento de ideais “extraordinárias e contraintuitivas”. Outro exagero? Quem sabe.</p>
<p>De qualquer maneira, a história nos tem provado que muitas invenções, antes consideradas impossíveis ou até mesmo sobrenaturais, acabaram se transformando em instrumentos de uso comum. Vide a <em>internet</em>.</p>
<p>Tem coisa mais estranha do que informações circulando em “uma nuvem” que ninguém vê e muito menos sabe localizar? Tenho certeza que se alguém vindo do passado se deparasse com o computador e todas as suas ferramentas, acreditaria estar diante de algum tipo diabólico de bruxaria. Portanto, não vamos menosprezar a pesquisa sobre a projeção de fantasmas, ela não é absurda ou inútil. Aliás, em ciência nada é realmente absurdo até que se prove o contrário, pois como dizia Carl Sagan, existem muitas hipóteses em ciências que estão erradas, mas elas são a abertura para achar as que estão certas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A liberdade dos sentidos impressionáveis</title>
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		<pubDate>Fri, 24 May 2013 02:39:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liz Christine</dc:creator>
				<category><![CDATA[ROSAS AZUIS]]></category>

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		<description><![CDATA[A permissividade dissonante das cabrinhas destoa do quadro de equilíbrios emocionais parcelados mensalmente. O leite desnatado pingado no café bem forte contorna os presságios delineados no tempo instável. As mudanças climáticas transtornam a sede dos golfinhos sociáveis. A sociabilidade fugitiva das gatas insones acorda os afetos espalhados sobre o chão. E a música envolve todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A permissividade dissonante das cabrinhas destoa do quadro de equilíbrios emocionais parcelados mensalmente. O leite desnatado pingado no café bem forte contorna os presságios delineados no tempo instável. As mudanças climáticas transtornam a sede dos golfinhos sociáveis. A sociabilidade fugitiva das gatas insones acorda os afetos espalhados sobre o chão. E a música envolve todos os instantes de pura impressão incompreendida. As primeiras impressões desenvolvem aromas parcialmente familiares e doces. Enquanto o rio corre quieto, a colônia de sapos racionais reinventa distrações pausadamente obscuras. E o equilíbrio emocional das sensações impressionáveis expõe os principais postos de troca de singularidades parceladas mensalmente. A falta de bom senso das sensibilidades embaralhadas disfarça a maresia se apoderando das cenas corriqueiras que se repetem a cada despertar. A coelhinha rói a racionalidade dos sapos durante as refeições enquanto a permissividade dissonante das cabrinhas tempera o harumaki que será degustado às quatro horas da manhã. E a caixinha de música gira no ritmo das sensações impressionáveis a serem desembaralhadas durante o despertar dos sonhos embrulhados para presente. Presenteando sentidos super-concentrados com aromas envolventes e perfumes da Dior. O sotaque francês do embrulho de presente acorda toda a variedade de informações desencontradas. E a essência dos versos acalorados que amenizam a temperatura do inverno rigoroso saboreia a doce compreensão dos afetos recíprocos. A luz azulada que ilumina o banheiro destila a suavidade dos abraços aconchegantes enquanto as gatas apuram a audição durante o concerto das torneiras. Conserte as imprudências do rio que corre quieto e descanse das obrigações diárias durante um banho de imersão em músicas atemporais – e saboreie a permissividade dissonante dos sonhos inocentes embrulhados para presente e envolvidos em perfumes e aromas que flutuam durante a doce entrega das borboletas à liberdade dos sentidos impressionáveis.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>SOZINHO-ME</title>
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		<pubDate>Wed, 15 May 2013 13:24:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilka Coimbra</dc:creator>
				<category><![CDATA[SCRIBOMANIA]]></category>

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		<description><![CDATA[Para ti mesmo sê um sonho De trigo vermelho e fumaça E assim nunca hás de envelhecer. Jean Rousselot &#160; Por trás da cortina espio a rua na hora do desbotar do sol. Em cima da cama as folhas amarelecidas escorregam da pasta; nelas, a escrita de traços firmes guarda as lembranças trançadas de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Para ti mesmo sê um sonho</em></p>
<p><em>De trigo vermelho e fumaça</em></p>
<p><em>E assim nunca hás de envelhecer.</em></p>
<p><strong>Jean Rousselot</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por trás da cortina espio a rua na hora do desbotar do sol. Em cima da cama as folhas amarelecidas escorregam da pasta; nelas, a escrita de traços firmes guarda as lembranças trançadas de um tempo que tive à disposição.</p>
<p>Há poucos dias li que havia uma vantagem em saber esperar sem esperança, porque é esperar sem dor. Por isso deixo-me estar ali, confinada em minhas memórias. Os filhos aparecem e se revezam, mas não lhes dou mais tanta importância.  Já lhes dei o melhor de mim.</p>
<p>Guardei as cartas todas que recebi, num fundo falso de uma das gavetas do pequeno oratório. Ali mesmo, bem abaixo do nariz da família e de todos os santos de minha devoção. Só eles sabem onde elas estão. Nem perdi a fé, só o rumo do coração. Sei que devo desfazer-me delas enquanto é tempo, mas sem vontade ou coragem, ainda não&#8230;</p>
<p>Na companhia das imagens sagradas, no canto do quarto, puxo a cadeira para bem mais perto e, como quem busca ombros para escoar as falas, leio baixinho os secretos relatos dos encontros fortuitos que tivemos naquele longínquo verão. Eu era só uma menina.</p>
<p>Vez ou outra eu vigio a porta do quarto e, como quem pede desculpas, abaixo a cabeça. Gosto desse lugar mais do que qualquer outro da casa. Os olhos vitrificados de cima do oratório têm um modo especial de me escutar. Na relação com meus santos, eu encontro uma porta invisível e para ela sou convidada.  Atravesso e <em>sozinho-me.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>poeminha desajeitado</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 12:51:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONTEXTO]]></category>

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		<description><![CDATA[Não, não tenho talento para a poesia Sou da narrativa, da ação e da contempl(ação) mas resolvi escrever esse poeminha porque grito por dentro diariamente assim explico-me minha vida andava meio que-bra-da part ida incomplet_ des reg reg reg regulada coisas pequenas tinham peso de menos coisas grandes pesavam de mais havia outras coisas sem %$¨#R#@W@¨sen-ti-do e outras que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não, não tenho talento para a poesia</p>
<p>Sou da narrativa, da ação e da contempl(ação)</p>
<p>mas resolvi escrever esse poeminha</p>
<p>porque grito por dentro diariamente</p>
<p>assim</p>
<p>explico-me</p>
<p>minha vida andava meio</p>
<p>que-bra-da</p>
<p>part ida</p>
<p>incomplet_</p>
<p>des reg reg reg regulada</p>
<p>coisas pequenas tinham peso de menos</p>
<p>coisas grandes pesavam de mais</p>
<p>havia outras coisas sem %$¨#R#@W@¨sen-ti-do</p>
<p>e outras que martelavam numa repetição repetição repetição entediante</p>
<p>invariavelmente mergulhava no</p>
<p>silêncio</p>
<p>e me perdia dentro de um (                   )vazio</p>
<p>contemplava o mundo lá                            fora e era como se dele eu não fizesse                                parte</p>
<p>ou fizesse, sem me dar por conta&#8230;</p>
<p>e foi neste exato momento que acordei do teu lado</p>
<p>e todos os contornos do teu rosto foram desenhados por mim</p>
<p>e todas as linhas do teu corpo foram memorizadas por mim</p>
<p>em palavras</p>
<p>em gestos</p>
<p>em olhares</p>
<p>e agora mesmo sem jeito com palavras poéticas</p>
<p>escrevo</p>
<p>assim, desa<em>jeitadamente</em></p>
<p>pra dizer que toda uma vida vale a pena</p>
<p>quando a gente escuta</p>
<p>eu te amo</p>
<p>de quem a gente ama</p>
<p>entre lágrimas</p>
<div>
<div id=":sm"><img src="https://mail.google.com/mail/u/0/images/cleardot.gif" alt="" /></div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>JAMÓN DEL MEDIO</title>
		<link>http://www.argumento.net/pop-arte/mundo/jamon-del-medio/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 02:26:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tanira Lebedeff</dc:creator>
				<category><![CDATA[EU ANDO PELO MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[TAKE THE LONG WAY HOME]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho uma recordação bem particular daquele verão. É lembrança de um tombo em alguma esquina da Avenida Santa Fé, que eu levei enquanto caminhava, desatenta a todo o resto, admirando a arquitetura dos prédios que decoram os céus da capital argentina. Era um fim de tarde, o começo do nosso passeio por Buenos Aires. Nosso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho uma recordação bem particular daquele verão. É lembrança de um tombo em alguma esquina da Avenida Santa Fé, que eu levei enquanto caminhava, desatenta a todo o resto, admirando a arquitetura dos prédios que decoram os céus da capital argentina.</p>
<p>Era um fim de tarde, o começo do nosso passeio por Buenos Aires. Nosso primeiro destino foi a livraria El Ateneo, que funciona no antigo Teatro Grand Splendid. Lá onde antes havia assentos hoje há estantes de livros. O palco virou um café. Eu havia passado dias sonhando acordada em conhecer a El Ateneo! Gosto de cidades com rugas, de lugares que têm alguma história para contar. Nesse quesito Buenos Aires é um prato muito, muito farto – daí explica-se por que eu andava tropeçando pelas calles argentinas.</p>
<p>****</p>
<p>Como em toda a cidade, em Buenos Aires há que se cumprir um roteiro obrigatório: Casa Rosada, Puerto Madero, La Boca, Recoleta, a Feria de San Telmo (onde me sinto como um pinto no lixo)…  É obrigatório comer churros no Café Tortoni!</p>
<p>No entanto, acho que para conhecer uma cidade é preciso experimentá-la como ela é no seu dia-a-dia.</p>
<p>Buenos Aires é linda e, como qualquer lugar deste mundão, fica ainda mais bela com a companhia certa. O que para mim significa ter alguma dose de “espírito aventureiro”.</p>
<p>Gringo descobriu que devíamos comprar um “Guía T” (“guia-te”, sacou?), um livrinho que tráz mapas das linhas de ônibus e de metrô. O guia de bolso colocou cidade na palma das nossas mãos, e assim nos sentimos quase porteños.</p>
<p>****</p>
<p>Nos hospedamos num apartamento (alugado pela Internet) em Palermo, bairro onde morou Che Guevara e que ainda hoje é endereço de Charly García. (Sei disso não só por que havia lido em algum lugar, mas por que o Carlos, nosso anfitrião, fez questão de nos mostrar onde mora o cantor. “Carlos”, aliás, virou apelido de todo argentino bacana que encontrávamos – como o motorista de ônibus que não nos deixou pagar passagem no dia de Natal.)</p>
<p>A região de Palermo é uma das mais transadas de Buenos Aires. Caminhando algumas quadras do ap chegávamos ao coração do Palermo Soho. Lá, nos fins de semana, praças como a Serrano são tomadas por feiras de artesanato; danceterias viram espaços coletivos para designers e estilistas. Uma moda que, dizem, surgiu com a recessão econômica de 2001, e que pegou.</p>
<p>A vizinhança era realmente um “problema”. As ruas (creio que seja assim por todo o país) são cheias de confeitarias com aquelas facturas e sandwiches de miga indecentemente exibidos nas vitrines. A-do-ro sandwich de miga, aquele de pão bem fininho, recheado com palmito, morrones, jamón, huevos duros… E na Argentina tem sandwich de miga triplo!</p>
<p>********</p>
<p>A localização, perto de estações de metrô e pontos de ônibus, nos ajudou a planejar os passeios. Conhecemos áreas não tão charmosas da cidade nas nossas viagens em colectivos. Andamos na mais antiga linha de metrô da América do Sul, a linha A do subte.</p>
<p>Comemos parrillada, milanesas, medialunas – e MUCHOS sandwiches de miga!</p>
<p>Ensinamos aos mozos (garçom, em espanhol) como é que a gente gosta de tomar cerveja: gelada, e não apenas “fría”. Foi engraçado ver a estranheza e até a inconveniência que causávamos ao pedir um balde de gelo para colocar a garrafa. Cerveza de litro, fría? Em pleno verão? Não dá, né?</p>
<p>A mais gelada que tomamos foi no El Querandí, onde assistimos a um show de tango. Mal sentamos à mesa e já fomos combinando com o mozo: guarda uma garrafa só pra gente, por favor, lá no fundo do freezer… ¿Vale? El Querandí fica no centro histórico da cidade, perto da Plaza de Mayo. O show é uma produção enxuta e tocante, que conta a história do tango desde o surgimento, no século XIX.</p>
<p>Mas para experimentar o verdadeiro tango fomos a uma milonga! É onde os argentinos e aprendizes estrangeiros se encontram simplesmente para bailar. O lema do La Viruta, que fica na região de Palermo, é “entrás caminando… salis bailando”. Sim, eles fazem tudo parecer tão fácil…</p>
<p>Atravessamos a cidade para visitar o Museo Argentino de Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia, que tem um riquíssimo acervo de fósseis. E aí foi a vez do Gringo virar um pinto no lixo no meio dos dinossauros.</p>
<p>E atravessamos (eu correndo) as largas avenidas…</p>
<p>Conversando com taxistas ouvimos um comentário que já entrou para a nossa história – “o Grêmio é mais famoso que o Inter”…  E descobrimos o que significa a expressão “jamón del medio”, que é como os hermanos chamam “a cereja do bolo”, o melhor de tudo.</p>
<p>********</p>
<p>Descobrimos El Boliche de Roberto ao procurar por um lugar que ficasse fora do roteiro turístico tradicional. E acho que não há nada mais genuinamente argentino que o balcão de madeira onde, conta a lenda, se debruçava Carlos Gardel.</p>
<p>O boliche é pequeníssimo. Chegamos cedo e nos acomodamos no bar – bebendo de uma garrafa de cerveja fría que o barman/mozo/cozinheiro/caixa voltava a guardar na geladeira após cada servida, evitando que a coisa virasse um té. O cardápio simples está num quadro de giz: empanadas e tábuas de frios. Para tomar, cerveja ou fernet.</p>
<p>Em minutos, a casa lotou: estudantes, boêmios, músicos, alguns turistas como nós. O show começaria em breve – e que show!</p>
<p>Num palco junto à janela, Maricruz canta acompanhada por dois violões. O tango tem essa coisa dramática, visceral, que a voz grave de Maricruz interpreta com perfeição.</p>
<p>Depois da apresentação os músicos passam o chapéu: vale mais a pena do que qualquer pequena fortuna cobrada nas concorridas casas de espetáculo.</p>
<p>A decoração já valeria a visita.</p>
<p>Sabe essa moda de decorar botecos com peças antigas? Pois é mais ou menos assim, só que lá o vintage, o antigo, é original. Assim como é verdadeira a poeira que cobre as garrafas acumuladas nas prateleiras que vão até o teto – aposto que ali tem poeira que entrou no boliche junto com Gardel.</p>
<p>Nessa viagem, “Lo de Roberto” foi o meu “jamón del medio”.</p>
<p>********</p>
<p>Foi um esfoladinho bobo, achei que não ficaria cicatriz. Nem me preocupei em fazer um curativo decente – ah, eu tinha muito mais o que fazer naqueles dias! Olho para a pequena marca no meu joelho direito com carinho: ela virou minha passagem secreta para Buenos Aires.</p>
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		<title>CRÔNICA SOBRE ALGUMAS DAS ESQUISITICES DA FÍSICA &#8211; 3</title>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 01:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Hülsendeger</dc:creator>
				<category><![CDATA[QUEDA LIVRE]]></category>

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		<description><![CDATA[O equilíbrio entre ficção e realidade mudou na última década. Seus papéis estão invertidos. Somos dominados pela ficção. O papel do escritor é inventar a realidade. J. G. Ballard Em 1997 estreava “O Quinto Elemento”, um filme escrito e dirigido pelo francês Luc Besson. Em seu elenco, Bruce Willis, Gary Oldman, Milla Jovovich, entre outros. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O equilíbrio entre ficção e realidade mudou na última década. Seus papéis estão invertidos. Somos dominados pela ficção. O papel do escritor é inventar a realidade.</em></p>
<p>J. G. Ballard</p>
<p>Em 1997 estreava “O Quinto Elemento”, um filme escrito e dirigido pelo francês <strong>Luc Besson</strong>. Em seu elenco, <strong>Bruce Willis, Gary Oldman, Milla Jovovich</strong>, entre outros. Na produção, os quadrinistas <strong>Jean Giraud</strong> e <strong>Jean-Claude Mézières</strong> e no figurino, o estilista <strong>Jean-Paul Gaultier</strong>.</p>
<p>A trama ocorre em 2263 quando uma ameaça alienígena só poderá ser evitada pela conjugação de quatro pedras sagradas, representando os quatro elementos – água, ar, fogo e terra – além do quinto elemento, corporificado pela extraterrestre Leeloo (Milla Jovovich). O personagem de Bruce Willis (Korben Dallas) era o herói da história, cabendo a ele encontrar as pedras, proteger Leeloo e pôr fim à ameaça extraterrestre.</p>
<p>A história era bem bobinha – uma mistura de gêneros (fantasia científica, ação, comédia e <em>Techno-thriler)</em> – e, em alguns momentos, bastante inverossímil – aliás, como a maioria dos filmes de ficção científica. No entanto, para uma sessão da tarde, comendo pipoca, pode se tornar uma escolha interessante, principalmente pelo visual e o humor.</p>
<p>Nesse momento, depois de ler os três parágrafos anteriores, você deve estar se perguntando: “O que isso tem a ver com a Física?”. A história em si pouca coisa, mas alguns detalhes do enredo até têm alguma relação. Por exemplo, os quatro elementos.</p>
<p>Esse conceito tem sua origem no Ocidente, na Grécia antiga, entre os filósofos pré-socráticos. Segundo Aristóteles, os quatro elementos comporiam tudo o que existe na superfície da Terra, determinando, inclusive, o comportamento e a natureza dos corpos. Assim, o ferro e os metais seriam constituídos principalmente pelo elemento Terra sendo atraídos por ela, enquanto os seres humanos teriam nas suas constituições os quatro, porém, em quantidades diferentes.</p>
<p>Atualmente, o modelo padrão da Física não se baseia na existência dos quatro elementos, mas em quatro forças fundamentais – gravidade, eletromagnetismo, força forte e força fraca. A primeira explica por que os corpos caem e a Terra gira em torno do Sol. A segunda descreve os fenômenos elétricos e magnéticos. E as duas últimas atuam em escala atômica, explicando o comportamento das partículas subatômicas e a coesão da matéria. Assim, é possível perceber que, apesar das diferenças conceituais, existe uma relação importante entre os quatro elementos dos gregos e as quatro forças fundamentais da Física: as duas concepções têm o objetivo de explicar os fenômenos naturais.</p>
<p>“Tudo bem” – você deve estar querendo dizer. – “E o quinto elemento mencionado no filme, ele existe realmente ou é uma invenção?”</p>
<p>Para os gregos? Com certeza ele existia e era denominado de quintessência ou elemento “perfeito”. A substância da qual era constituído chamava-se éter. No entanto, esse quinto elemento não era encontrado na Terra, mas apenas no plano cósmico ou celeste, ou seja, na Lua, no Sol e nas estrelas. Foram as observações de Galileu, da superfície da Lua e das manchas solares, – tornando evidente a “imperfeição” cósmica – que lançaram as primeiras dúvidas sobre o conceito de “elemento perfeito” permitindo que ele fosse mais tarde derrubado.</p>
<p>E hoje, como essa ideia é tratada? Eu diria que com cautela e otimismo.</p>
<p>Cautela porque, mesmo que a Física não fale mais em “quinto elemento”, não está descartada a existência de uma quinta força ou interação<a href="file:///C:/Users/Paulo%20Ricardo/Downloads/CR%C3%94NICA%20SOBRE%20ALGUMAS%20DAS%20ESQUISITICES%20DA%20F%C3%8DSICA%203.docx#_ftn1">[1]</a>. O problema é que até o momento o assunto se encontra na fase da formulação teórica. Para que essa ideia seja levada a sério é preciso realizar experimentos rigorosos que confirmem a presença de uma partícula responsável por esse tipo de força.</p>
<p>Contudo, o otimismo entre os cientistas é muito grande. Afinal, se essa partícula realmente existir, ela poderá explicar por que os corpos, mesmo distantes por milhões de quilômetros, podem se “comunicar”. Esse fenômeno, chamado atualmente de “emaranhamento quântico”, vem assombrando os físicos desde o tempo de Newton, pois nunca foi encontrada a sua causa. E mesmo que hoje os cientistas considerem esse comportamento “normal” – quando se trata de partículas subatômicas – seria melhor, ou mais simples, poder medi-lo e analisá-lo sem precisar recorrer a teorias mirabolantes.</p>
<p>O espetacular de tudo isso é que, em 2010, os cientistas que trabalhavam no acelerador de partículas Tevatron, nos EUA, quase conseguiram detectar essa partícula. A má notícia é que se observou apenas um pico de energia, portanto, um evento rápido e de difícil reprodução. A boa notícia, no entanto, é que os experimentos até agora realizados permitiram eliminar as forças já conhecidas. Assim, quando essa quinta partícula resolver reaparecer, os cientistas têm esperanças de conseguir identificá-la.</p>
<p>É óbvio que Luc Besson, quando escreveu e dirigiu “O Quinto Elemento”, não pensou em nada disso. Entretanto, assim como já ocorreu outras vezes, a ficção e a ciência mostraram estar mais próximas do que imaginávamos. Afinal, é preciso reconhecer que por diversas vezes a ficção se antecipou à ciência, atuando como uma espécie de oráculo do futuro. De qualquer maneira, o importante quando se trata do estudo dos fenômenos naturais é – como disse o escritor inglês <strong>Arthur Clarke </strong>(1917-2008) – descobrir os limites do possível, mesmo que para isso seja preciso aventurar-se um pouco mais à frente deles, indo até o impossível.</p>
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<p><a href="file:///C:/Users/Paulo%20Ricardo/Downloads/CR%C3%94NICA%20SOBRE%20ALGUMAS%20DAS%20ESQUISITICES%20DA%20F%C3%8DSICA%203.docx#_ftnref1">[1]</a> Na verdade, a Física moderna não usa mais as expressões “força e interação”. Hoje o conceito utilizado é o de “campo” que seria uma espécie de perturbação criada em torno de qualquer corpo e podendo ser sentido por outros corpos.</p>
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		<title>As babuskas omissas</title>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 01:41:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liz Christine</dc:creator>
				<category><![CDATA[ROSAS AZUIS]]></category>

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		<description><![CDATA[É difícil saber a verdadeira direção das perplexidades omissas. A introspecção se apodera dos instantes únicos de apuração de significados temperados com porções de faláfel e tahine puro – as madrugadas saboreadas com pequenas doses de gula parcelada. Os extremos desenfreados são manipulados pelo polvo adormecido que vive à espreita de novos deslizamentos passíveis de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É difícil saber a verdadeira direção das perplexidades omissas. A introspecção se apodera dos instantes únicos de apuração de significados temperados com porções de faláfel e tahine puro – as madrugadas saboreadas com pequenas doses de gula parcelada. Os extremos desenfreados são manipulados pelo polvo adormecido que vive à espreita de novos deslizamentos passíveis de serem abstraídos pela sutil consciência das borboletas flamejantes. A suave liberdade se apodera da consciência ramificada das doces borboletas flamejantes – e o licor de café acalma a volubilidade sensorial dos instantes únicos em que o amor absoluto invade a imaginação das babuskas omissas. Oferecer as asas ao tempo precioso – e recolher a apuração de significados das caixas de morangos frescos. O ritmo insalubre das prisões temporárias não indispõe mais a imaginação das babuskas omissas – as prisões temporárias estão dentro dos limites impostos pelo medo. Ah, o medo inconsequente de libertar as borboletas flamejantes – o medo inquisidor de não compreender mais a apuração de significados. A maior preocupação é onde pousar após o vôo – jamais a precária compreensão que nunca atinge o absoluto. O estado de absoluto relaxamento vem acompanhado de generosas porções de amor compartilhado fora das convenções tradicionais – o amor tão absoluto e inquebrável quanto a imaginação das babuskas omissas ou a liberdade das borboletas flamejantes.</p>
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		<title>UMA FAMÍLIA DE ENCRENCA CROCANTE</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Apr 2013 15:37:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Silvia Marcuzzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[DO LEITOR]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que me conheço por gente, adoro encrenca. Explico: assim é chamada na minha cidade aquela casquinha – bem fininha – que dá água na boca, feita de ovo, farinha e açúcar. Em Cachoeira do Sul, onde nasci, no coração do Rio Grande do Sul, há uma tradição passada de pai para filho, para sobrinho, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que me conheço por gente, adoro encrenca. Explico: assim é chamada na minha cidade aquela casquinha – bem fininha – que dá água na boca, feita de ovo, farinha e açúcar. Em Cachoeira do Sul, onde nasci, no coração do Rio Grande do Sul, há uma tradição passada de pai para filho, para sobrinho, e, ao que tudo indica, que vai continuar assim por muito tempo.</p>
<p>Por volta das duas da tarde, de longe, já se escuta o triângulo do vendedor dessa casquinha, como é chamada em outros locais, na parte baixa da Rua Riachuelo. Lá vem Luciano Gomes Lucas, 34 anos, que comercializa encrenca desde seus 13, 14 anos. Ele aprendeu a fazer, vender e também gerenciar o negócio com o tio Júlio, pois seu pai, o senhor que vendia para mim quando eu brincava de casinha, morreu quando Luciano tinha 10 anos, ou seja, uns 20 anos atrás.</p>
<p>Dona Marina Carvalho Pedroso, 61 anos, também se derrete por uma encrenca. Toda vez que escuta o som metálico anunciando a proximidade de degustá-la, sai correndo de carteira em punho. “Hoje compro sempre que dá vontade, pois quando era criança era difícil comprar”, lembra a aposentada e acompanhante de idosos.</p>
<p>O “encrenqueiro” chega a tirar “meio salário mínimo, uns 300 reais” por final de semana. E aí não interessa se está nos 10°C ou menos do inverno ou nos 38°C do verão. Luciano conta que se chove o lucro até aumenta. Tem clientes fixos, principalmente durante sábados e domingos. O preço é dois reais para três unidades e três para seis unidades.</p>
<p>O que me chamou atenção foi que esse negócio parece ter sido um dos poucos que se manteve firme a qualquer intempérie ou mudança em Cachoeira. O sucesso da atividade está guardado na família. “O segredo é o fazer”, diz Luciano, que calcula que “umas sete” pessoas, entre tios, primos e contratados, oferecem o produto nas zonas alta e baixa do município de um pouco mais de 80 mil habitantes. Ele confessa que dependendo do período, também presta outros serviços, mas no fim de semana vende encrenca. “Prefiro assim, do que ser empregado”, afirma convicto.</p>
<p>A cada dia redescubro o valor da simplicidade, da rotina sem engarrafamentos, do contato mais humano e dos bate-papos entre amigos e conhecidos sem pressa ou qualquer pretensão. Como é atual a mensagem da história do rato do campo e o da cidade, difundida por Monteiro Lobato. Só que em vez do campo, sugiro o ambiente de um rato de cidade pequena ou média (dependendo do ângulo que se analisa), a 200 quilômetros de Porto Alegre. Essa é uma das coisas boas da vida do interior. Encontrar com um “encrenqueiro” vendedor que utiliza a mesma forma que seu falecido pai usava para vender o que muitas crianças nunca ouviram falar: o sabor de uma boa encrenca. E, assim, reencontrar-se com o universo de uma infância sem neuroses ou desconfiança, mas sim, feito de muita diversão.</p>
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