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	<title>Argumento.net</title>
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	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
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		<title>PRECISAMOS FALAR SOBRE KEVIN</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 12:46:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Matheus Pannebecker</dc:creator>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>

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		<description><![CDATA[Logo após o nascimento de Kevin, Eva (Tilda Swinton) já conseguia perceber dificuldades com o filho recém-chegado. Ele, que chorava compulsivamente quando passava o dia com a mãe, era calmo e silencioso na presença do pai. E assim foi durante toda a vida: com a mãe, Kevin era um menino que parecia ter o demônio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Logo após o nascimento de Kevin, Eva (<strong>Tilda Swinton</strong>) já conseguia perceber dificuldades com o filho recém-chegado. Ele, que chorava compulsivamente quando passava o dia com a mãe, era calmo e silencioso na presença do pai. E assim foi durante toda a vida: com a mãe, Kevin era um menino que parecia ter o demônio no corpo. Com o pai, era justamente o oposto. Eva, portanto, não sabia como lidar direito com essa situação. Afinal, não era apenas o fato do filho não demonstrar qualquer sentimento positivo por ela que a incomodava, mas também o fato de Eva não conseguir provar tal desafeto para o marido, com quem Kevin era tão agradável. Unindo o filho problemático com a mãe que não sabia direito como agir diante de tal situação, criou-se um ambiente doentio. Um ambiente que, posteriormente, teria consequências trágicas para toda a família. É a partir dessas tragédias que PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN constrói sua narrativa. Com um enredo que vai e volta no tempo, esse poderoso filme de <strong>Lynne Ramsay</strong> é cheio de complexidades, além de ser muito incômodo e, por que não, realista – especialmente numa sociedade que muito discute o modo como crianças e adolescentes devem ser criados.</p>
<p>Para início de conversa, é bom avisar que PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN é um filme para fortes. Com uma atmosfera extremamente negativa, o enredo, a cada minuto, torna-se cada vez mais angustiante. É uma jornada de dor não apenas em função de como a tragédia não revelada (só se torna clara por completo no final) destruiu a vida da protagonista, mas também por cada cena que evidencia a completa falta de diálogo entre mãe e filho. Fácil seria culpar a personagem de Tilda Swinton pelas atitudes do filho, mas PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN cria cada situação difícil que faz o espectador compreender a total confusão e inércia da mãe. E esse, possivelmente, é o maior mérito do longa-metragem: colocar todos na pele de Eva. Nós sentimos tudo por que ela passa, suas dores e desesperos. Por isso que o trabalho da diretora Lynne Ramsay é tão difícil, uma vez que não somos apenas espectadores desse relacionamento que se desintegra a cada dia. Parece que nós também fazemos parte dele.</p>
<p>Tal angústia, presente em momentos maravilhosamente bem explorados por flashbacks e em momentos da atual situação da protagonista, é sentida a todo momento, o que torna PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN tão intenso e, arrisco a dizer, desesperador.</p>
<p>Baseado no livro de mesmo nome da autora <strong>Lionel Shriver</strong>, o roteiro não faz questão de facilitar nada. É um texto que não se preocupa em encenar longos diálogos que evidenciem complexidades. A profundidade de PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN está no silêncio, na sensação que certas situações passam. No entanto, esse roteiro construído com tamanha precisão não seria o mesmo sem a extraordinária performance de Tilda Swinton. A britânica de 51 anos de idade sempre foi sinônimo de qualidade (e o seu Oscar por CONDUTA DE RISCO foi extremamente merecido), só que, aqui, ela alcança o que é, possivelmente, o trabalho mais complexo de toda a sua carreira. Difícil imaginar o sofrimento da atriz ao mergulhar nesse papel que, basicamente, não tem um momento sequer de alegria. Tilda, porém, tira tudo de letra: econômica em palavras, mas com uma notável habilidade ao transmitir qualquer sentimento com uma simples expressão, ela é outro fator que ajuda PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN a ser tão marcante. Junto com o roteiro, Tilda intensifica as sensações desse longa-metragem difícil, mas que, se apreciado pelo público certo, está destinado a permanecer durante muito com quem o assiste. E isso é o que existe de mais precioso no cinema: a possibilidade do espectador poder se importar com os personagens, entrar na história deles e, acima de tudo, sentir tudo o que eles sentem. PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN faz isso com uma facilidade que assusta.</p>
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		<title>O CALOR DE OLHARES GULOSOS</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 12:35:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liz Christine</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[ROSAS AZUIS]]></category>

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		<description><![CDATA[Ah a doçura que invade o aroma de café com bolo de laranja nas tardes de domingo. Desembaraçando os fios após lavar os cabelos em um banho repleto de sutilezas envolventes. É proibido fumar degustando um licor enquanto a criminalidade passeia impunemente pelas ruas – mas em refúgios isolados faz-se como quiser e não há [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah a doçura que invade o aroma de café com bolo de laranja nas tardes de domingo. Desembaraçando os fios após lavar os cabelos em um banho repleto de sutilezas envolventes. É proibido fumar degustando um licor enquanto a criminalidade passeia impunemente pelas ruas – mas em refúgios isolados faz-se como quiser e não há preocupações de espécie alguma. Livre do barulho das ruas e isolada dos problemas sociais a doçura envolve os contatos parcialmente envoltos em silenciosas apurações sensoriais. Dentro de casa, sem a menor vontade de sair, espero uma oportunidade de te comunicar uma improvável troca de ideais – os já ultrapassados anos de impossibilidades abrem espaço para as silenciosas apurações sensoriais. E a gata branca se enrosca na trilha de catnip enquanto latidos distantes cortam o silêncio dos instantes compartilhados com o calor de olhares gulosos. </p>
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		<title>cruzaríamos o Pacífico</title>
		<link>http://www.argumento.net/colunas/humanidade/cruzariamos-o-pacifico/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 12:47:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorenzo Ganzo Galarça</dc:creator>
				<category><![CDATA[INCRÍVEL HUMANIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[cruzaríamos o Pacífico não fossem as rotas alteradas e as dorsais pontiagudas das palavras. em arquipélagos deixaríamos nossa bagagem não fossem as ataduras da pele e suas esquinas imóveis ou a pontuação ártica de nossos chakras. reduziríamos à estepe-superfície todas as florestas equatoriais dos cílios não fossem os grãos de deserto guardados dentro dos bolsos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>cruzaríamos o Pacífico<br />
não fossem as rotas alteradas<br />
e as dorsais pontiagudas das palavras.<br />
em arquipélagos deixaríamos nossa bagagem<br />
não fossem as ataduras da pele<br />
e suas esquinas imóveis</p>
<p>ou a pontuação ártica<br />
de nossos chakras.</p>
<p>reduziríamos à estepe-superfície<br />
todas as florestas equatoriais dos cílios<br />
não fossem os grãos de deserto guardados<br />
dentro dos bolsos.</p>
<p>enquanto isso<br />
façamos o trabalho que não nos leva<br />
a ponto algum do globo.<br />
rolha flutuante<br />
do ano novo passado.</p>
<p>costurar os retalhos das nuvens<br />
em um grande lençol que cubra o tempo<br />
enquanto o seu lobo não vem.</p>
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		<title>DANÇA EM EBULIÇÃO</title>
		<link>http://www.argumento.net/especiais/tacones/danca-em-ebulicao/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 14:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Silvia Canarim</dc:creator>
				<category><![CDATA[TACONES LEJANOS]]></category>

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		<description><![CDATA[O espetáculo “Solo em água fervente”, vencedor de quatro prêmios Açorianos- melhor espetáculo, bailarina, iluminação e cenografia -, permite a constatação de que a dança gaúcha vive uma nova fase criativa. A exemplo de “JockerPsique” de Alessandro Rivellino, também vencedor do Açorianos de melhor bailarino, a nova geração de criadores está buscando uma relação diferente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O espetáculo “Solo em água fervente”, vencedor de quatro prêmios Açorianos- melhor espetáculo, bailarina, iluminação e cenografia -, permite a constatação de que a dança gaúcha vive uma nova fase criativa. A exemplo de “JockerPsique” de Alessandro Rivellino, também vencedor do Açorianos de melhor bailarino, a nova geração de criadores está buscando uma relação diferente com o público e consigo mesmo.</p>
<p>Notamos uma nova “escuta” do corpo, como menciona a coreógrafa <strong>Luciana Hoppe</strong> na carta-programa que acompanhou a estreia da obra em novembro passado. Essa particularidade, também nos leva à percepção de uma distinta sensibilidade explorada pelos artistas e “exigida” do público, no sentido de que este também precisa relacionar-se com a obra/dança de uma forma diferente.</p>
<p>A coreógrafa e a bailarina-criadora <strong>Maria Albers</strong> – em uma excelente perfomance – buscaram em suas experiências com as técnicas e princípios do Body-Mind Centering, da Educação Somática e do conceito de “vazio positivado” de <strong>Robert Dunn</strong>, o veículo para investigar o fluxo das emoções no corpo. Emoções essas “que banham órgãos, banham músculos… banham e às vezes alagam, às vezes ressecam, afogam, cozinham, refrescam e preenchem…” .</p>
<p>É muito interessante quando percebemos no corpo da intérprete, a proposta desse espetáculo. “Vemos”, “sentimos” e somos levados por esse fluxo de líquidos, emoções, espaços preenchidos e esvaziados em Maria. A “escuta” de seu corpo nos permite acompanhar esse processo, visualizar a energia líquida que percorre caminhos, busca-os e os percebe para, finalmente, transbordar.</p>
<p>O mesmo conceito e sensibilidade foi utilizado no cenário (assinado por Hoppe e Juliano Rossi), no figurino (L. Hoppe) e na iluminação (Fabrício Simões) traduzido em uma estética sensível e minimalista. A obra é o primeiro resultado do projeto “Procuram-se Coreógrafos” da Caracol de Danças e Cenas e está na programação do Porto Verão Alegre até o dia 02/02, às 21h, na sala 400 da Usina do Gasômetro.</p>
<p>FICHA TÉCNICA</p>
<p>Coreografia: Luciana Hoppe. Bailarina-criadora: Maria Albers. Iluminação: Fabrício Simões. Cenografia: Luciana Hoppe e Juliano Rossi. Trilha sonora pesquisada: Luciana Hoppe e Cristiano Oliveira. Figurino: Luciana Hoppe. Fotografia: Kin Viana. Arte gráfica: Janaína Dalla Vecchia. Produção: Caracol de Danças e Cenas.</p>
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		<title>UM FÍSICO NO DIVÃ &#8211; PARTE TRÊS</title>
		<link>http://www.argumento.net/colunas/queda/um-fisico-no-diva-parte-tres/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 11:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Hülsendeger</dc:creator>
				<category><![CDATA[QUEDA LIVRE]]></category>

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		<description><![CDATA[- Qual foi mesmo o nome que ele deu para esse sonho? - O Relógio do Mundo. - Interessante. E o desenho também é dele? - Sim. Aliás, há algum tempo ele está desenhando seus sonhos. - Interessante. Erna Rosembaum e Carl Jung estavam confortavelmente sentados em duas poltronas no aconchegante escritório deste último. Na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Qual foi mesmo o nome que ele deu para esse sonho?</p>
<p>- O Relógio do Mundo.</p>
<p>- Interessante. E o desenho também é dele?</p>
<p>- Sim. Aliás, há algum tempo ele está desenhando seus sonhos.</p>
<p>- Interessante.</p>
<p>Erna Rosembaum e Carl Jung estavam confortavelmente sentados em duas poltronas no aconchegante escritório deste último. Na lareira, um fogo aquecia o ambiente, enquanto na rua a neve não parava de cair. Espalhados sobre uma mesa, estavam alguns desenhos e anotações, todos feitos pela mesma pessoa, o físico Wolfgang Pauli.</p>
<p>- Olhe que interessante – apontou Jung para a folha em sua mão. – Há um círculo vertical e outro horizontal com um centro comum e ambos estão sendo carregados por um pássaro negro. Contudo, tanto o círculo vertical como o horizontal estão divididos. O primeiro em 32 partes e o horizontal em quatro cores. E veja – voltou a apontar – o “relógio” tem três pulsações diferentes. Interessante. Muito interessante.</p>
<p>Erna sabia que seu ex-professor estava tentando interpretar as imagens produzidas pela mente de Pauli. Ele andava fascinado com os sonhos do físico. Além disso, Jung tinha certeza de estar perto de comprovar e explicar uma de suas teorias mais importantes: a influência dos símbolos durante o processo de síntese do inconsciente. Pauli já trouxera para análise mais de 300 sonhos e todos, sem exceção, foram parar nas mãos do médico.</p>
<p>- <em>Herr Doktor</em>, esse sonho abalou profundamente meu paciente. No entanto, ao contrário do que aconteceu das outras vezes, foi um abalo positivo. Ele disse ter sentido uma “suprema harmonia”, como se algo, que ele ainda não é capaz de descrever ou explicar, tenha sido solucionado.</p>
<p>- Compreendo – disse Jung. – Nesse desenho é possível perceber o terrível conflito do seu paciente. Na forma de símbolos, uma espécie de mandala tridimensional, ele expõe o fato de estar completamente dividido entre os apetites da matéria e o seu amor a Deus. Em relação a isso, ele já lhe disse por que abandonou a Igreja Católica?</p>
<p>- De maneira explícita, ainda não. No entanto, acredito que tudo está, de alguma forma, relacionado com a morte da mãe. Ao mesmo tempo em que se sente traído, não consegue superar o sentimento de culpa por não ter notado o que ela pretendia fazer. Porém, a causa de seus problemas com as outras mulheres reside mais no sentimento de traição do que no de culpa. Afinal, se a própria mãe foi capaz de abandoná-lo, matando-se, o que ele pode esperar das outras mulheres?</p>
<p>Jung nada disse. Na verdade, ele parecia não a estar ouvindo. Seu olhar vagava dos desenhos para as anotações.</p>
<p>- Você tem certeza de que ele nada sabe sobre psicologia? – perguntou o médico.</p>
<p>- Sim. Quando ele chegou até mim – por seu intermédio, o senhor deve se lembrar –, além de não saber nada sobre psicologia, e muitos menos sobre psicologia analítica, sua mente estava fechada para qualquer referência a realidades que não pudessem ser comprovadas cientificamente. Contudo, desde que ele começou a anotar seus sonhos e a se envolver com a terapia isso vem mudando gradativamente.</p>
<p>- Sim, sim. Isso já pode ser percebido nesses desenhos, em especial, naquele que ele chamou de O Relógio do Mundo – disse o médico, enquanto voltava a analisar a figura.</p>
<p>Erna conhecia Jung há bastante tempo, no entanto, nunca havia se acostumado com o hábito de seu ex-professor de falar como se estivesse sozinho. Era preciso chamá-lo à realidade para que ele compartilhasse suas ideias.</p>
<p>- <em>Herr Doktor</em>, por favor, o senhor sabe que o meu conhecimento sobre arquétipos é insuficiente para realizar qualquer tipo de análise. Preciso, portanto, que o senhor me oriente na melhor forma de conduzir o tratamento – pediu Erna.</p>
<p>- Sim, sim. Compreendo a sua preocupação. Mas, querida, perceba, esse homem já está procurando recursos dentro do seu inconsciente para lidar com essas memórias recalcadas que tanto o atormentam. A morte da mãe, ou melhor, a forma como a mãe morreu, fez com que ele passasse a questionar sua condição de homem. Ele agora precisa encontrar a conexão entre a sua psique e a realidade que o cerca. Nisso reside o significado mais profundo do Relógio do Mundo: ele é a representação simbólica da união de sua alma com Deus.</p>
<p>- Mas, <em>Herr Doktor</em>, como ajudá-lo a compreender esse emaranhado de sentimentos que tanto sofrimento tem lhe causado? – perguntou Erna.</p>
<p>Jung sorriu e, com tranquilidade, respondeu:</p>
<p>- Minha cara Erna, você esqueceu qual a profissão do seu paciente?</p>
<p>- Físico, eu sei. Contudo, é justamente isso que está atrapalhando. Sua mente nega o intuitivo, acreditando apenas no que a razão pode provar.</p>
<p>- No entanto, você disse que ele já começa a crer na existência de outras realidades e, consequentemente, de outras verdades. Utilize, então, a Ciência que ele tanto respeita e ama a favor do tratamento. Vejo por suas últimas anotações que ele está muito envolvido em tentar provar a presença de uma partícula que ninguém até agora conseguiu descobrir. Faça-o estabelecer uma relação entre o que ele busca como cientista e a sua vida pessoal.</p>
<p>Erna sabia que, como sempre, Jung estava certo. Contudo, ela ainda tinha muitas dúvidas na forma de encaminhar a terapia. Talvez, se Pauli não fosse um homem com uma inteligência extraordinária, o seu trabalho como terapeuta fosse mais facilitado. Ela estava justamente pensando em outras questões para discutir com seu ex-professor quando ele a interrompeu:</p>
<p>- Cara Erna, chega de falarmos de trabalho. É hora do nosso chá. E você sabe como <em>Frau</em> Emma é rigorosa quando se trata das refeições em família. Vamos levante-se, tenho certeza de que depois de uma boa xícara de chá tudo ficará mais claro para você.</p>
<p>Sabedora de que não adiantava discutir, Erna levantou-se para acompanhar o médico. Essa era a forma de ele lhe dizer que tinha absoluta confiança no seu trabalho. Além disso, ele sutilmente lhe advertia que <em>Herr</em> Pauli estaria a sua espera na manhã seguinte, mas o chá de <em>Frau</em> Emma não.</p>
<p>Continua&#8230;</p>
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		<title>dois gatos</title>
		<link>http://www.argumento.net/colunas/poetopia/dois-gatos/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 11:12:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ulisses Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[POETOPIA]]></category>

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		<description><![CDATA[No vão daquela hora Em que a noite desaba Sobre o dia enegrecido Resta um outro segundo Para o tempo do mundo Guardar vocês dois Noutra madrugada No meio do nada Pelas ruas vazias Encharcadas de sereno Sobre alguns gramados Em todos os telhados Um deles é branco Outro é preto Todos pardos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No vão daquela hora<br />
Em que a noite desaba<br />
Sobre o dia enegrecido<br />
Resta um outro segundo<br />
Para o tempo do mundo<br />
Guardar vocês dois<br />
Noutra madrugada<br />
No meio do nada<br />
Pelas ruas vazias<br />
Encharcadas de sereno<br />
Sobre alguns gramados<br />
Em todos os telhados<br />
Um deles é branco<br />
Outro é preto<br />
Todos pardos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>ESTREIA: 1# EM LISBOA</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 03:24:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitória Gonzalez Rodriguez</dc:creator>
				<category><![CDATA[HIGH SCHOOL]]></category>
		<category><![CDATA[LISBOA]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Cheguei a Lisboa, mas não cheguei a uma conclusão.&#8221;, já diria o grande poeta português. A chegada foi tranquila, apesar do esforço pra levar todas as malas até o apê (dois andares -várias escadas-, quatro malas grandes, dois braços&#8230;). Capotei na cama logo que cheguei. Sim, óbvio, com certeza, certamente ou sem dúvida&#8230;? (Ah, depois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Cheguei a Lisboa, mas não cheguei a uma conclusão.&#8221;, já diria o grande poeta português.<br />
A chegada foi tranquila, apesar do esforço pra levar todas as malas até o apê (dois andares -várias escadas-, quatro malas grandes, dois braços&#8230;). Capotei na cama logo que cheguei. Sim, óbvio, com certeza, certamente ou sem dúvida&#8230;? (Ah, depois de ter curtido um pouquinho a casa nova, claro.). </p>
<p>O dia seguinte começou a mil: fui ao Liceu onde vou estudar, mas a Secretaria já estava fechada. Aí, pra não perder a viagem (que nem foi tão longa assim), almocei um bacalhau (ai, que saudade eu tinha de um bom bacalhau!) ali do ladinho. Depois de bem alimentada (afinal, saco vazio não para em pé&#8230;), fui, de metrô, até a Praça dos Restauradores. Caminhei sozinha pela Baixa, enquanto minha mãe tinha um compromisso. O roteiro foi curtinho, mas mega agradável: Praça dos Restauradores, Rossio, Teatro D. Maria, Praça João IV, Praça da Figueira, rua Augusta, rua do Ouro, rua do Sapateiro, rua do Carmo&#8230; Ao som de um português bem português e aproveitando o ritmo desacelerado que reinava por ali -pelo fim de ano-, fui curtindo o clima lisboeta. Esse lugar segue encantador: é uma cidade grande com cara de interior. Acaba sendo, mesmo com o movimento de uma capital, super aconchegante. </p>
<p>No meio da tal caminhada, vi, de longe, um cara com uma câmera de filmagem e uma moça com um microfone. &#8220;Hm&#8230; Que não me peguem outra vez!&#8221; &#8211; pensei eu, um tantinho traumatizada pela (quase) coletiva do dia anterior em Madrid. Desviei. &#8211; Mas não é que os dois vieram até mim? (GRRR!). Queriam que eu falasse sobre a passagem de ano&#8230; Eu disse que era brasileira e perguntei se isso tinha algum problema &#8211; pelo que eu entendi, buscavam pessoas portuguesas pra tal entrevista&#8230; Eles responderam que seria bom ter alguém de fora. Entonces, meio tímida, falei que comeria passas e que entraria no novo ano com o pé direito (tradições portuguesas), que comeria 12 uvas (tradição espanhola) e que, se estivesse no Brasil, pularia 7 ondas. A engraçadinha me perguntou por que eu não pulava as ondas em Lisboa&#8230; &#8211; Teve uma risada como resposta, claro.</p>
<p>Saindo da pequena entrevista, fui em direção à Santini. AH, A SANTINI! &#8211; Eu sonhava com aquele sorvete há semanas&#8230; &#8220;Framboesa, chocolate e avelã, por favor.&#8221;. SU-PIM-PA! Mas, como se comer três sabores de sorvete não bastasse, saí dali e fui ao Starbucks pra tomar um delicioso chocolate quente. No caminho, uma cena me chamou a atenção&#8230; Era um morador de rua, velhinho, com alguns cartazes ao seu redor: &#8220;Para -mais- cerveja.&#8221; &#8220;Para vinho.&#8221; &#8220;Para whisky.&#8221; &#8220;Para ressaca.&#8221; &#8220;Pelo menos sou sincero&#8230;&#8221;. Verdadeiro, ele, não?! </p>
<p>À noite jantamos -eu, minha mãe e meus tios, que vieram passar o ano novo conosco- num lugarzinho muito giro no Chiado. Depois do jantar (e de um belo choque térmico, já que saímos do quentinho de uma estufa pra uma noite bem gelada&#8230;), caminhamos pelo Bairro Alto atrás de um fado vadio. Paramos no &#8220;Caldo Verde&#8221;, um lugar bem típico por aqui. A música era boa &#8211; e a sobremesa melhor ainda. Detalhe: roubei (todos) os porta-copos da mesa (eram de papelão, ok?!) pra escrever trechos de alguns fados&#8230; Espero que não sintam falta deles, mas foi por uma boa causa. </p>
<p>Bueno&#8230; No último dia do ano levei meus tios até Belém pra conhecerem a Torre, o Mosteiro dos Jerónimos e os famosos pastéis&#8230; Adoraram! (E tem como não gostar, por algum acaso? Não, não tem.). Enquanto eles visitaram os museus, fiquei sentada/deitada na beira do Tejo, curtindo o solzinho &#8211; apesar do frio e do vento. Só faltou um chimarrão, tchê! </p>
<p>&#8230;E assim começou minha estada por aqui. &#8211; Um pouco como turista, já que tenho mostrado a cidade pros meus tios, que não a conhecem; um pouco como nativa, morando num bairro residencial e conhecendo a rotina dos que moram aqui. &#8211; Mas seguindo os passos da Gabi Borges: me permitindo conhecer a MINHA Lisboa. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>A BRISA DAS MADRUGADAS</title>
		<link>http://www.argumento.net/colunas/rosas/a-brisa-das-madrugadas/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 17:17:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liz Christine</dc:creator>
				<category><![CDATA[ROSAS AZUIS]]></category>

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		<description><![CDATA[A insanidade se refrescando dentro da geladeira abre suas asas ao redor da embalagem de sorvete de chocolate branco e o transtorno alimentar engatinha até a porta do banheiro trancado. O sabor de ilusão de cada descoberta gentil sobre as sensações guardadas dentro da memória descompromissada. Não há nenhum compromisso excedente com a realidade das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A insanidade se refrescando dentro da geladeira abre suas asas ao redor da embalagem de sorvete de chocolate branco e o transtorno alimentar engatinha até a porta do banheiro trancado. O sabor de ilusão de cada descoberta gentil sobre as sensações guardadas dentro da memória descompromissada. Não há nenhum compromisso excedente com a realidade das palavras indomáveis, porém doces como um pavê de nozes. Não há além de tudo e inclusive – não mais – nenhum compromisso também com o ritmo das inconstantes flutuações de dupla personalidade. Deixar-se estar – livre dos tormentos e constrangimentos da verbalização das insanidades diárias que se refrescam dentro da geladeira. Não compartilhar o doce de leite nem as reais inclinações de sonhos recheados com macarrons e champagne envolvidos pelo aroma de J’adore. Ah sabores – sabor de incompreensões passadas da validade ou sabor de beijos impregnados de volubilidades refrescantes e suaves. A superação de todos os tormentos e transtornos vem acompanhada de fatias generosas de amor platônico. Todos os amores platônicos contidos no silêncio da penumbra do quarto onde a noite se esconde da curiosidade das amantes da lua. Todas as estrelas que reinam soberanas dentro da memória descompromissada – tão sem compromissos quanto os sentidos de cada estrofe de um poema musicado. Leia como queira – mas não quebre mais uma vez o silêncio das prateleiras onde descansam as babuskas da coleção de lembranças sem conexão com a realidade das insanidades morando dentro da geladeira. O transtorno alimentar foi-se embora de vez e ficaram sabores intensificados pela suave liberdade das vontades gulosas, porém contidas dentro do silêncio quase sem expressão do rosto acarinhado pela brisa das madrugadas.</p>
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		<title>do fundo</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 15:12:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ulisses Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[POETOPIA]]></category>

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		<description><![CDATA[do fundo de mim a voz que se arrasta trôpega enche de letras o silêncio a tela fria de um computador nela me jogo sem medo da queda ainda que o coração como liquidificador bata tudo separado a voz o silêncio lá no fundo fica tudo liquidificado sobre o computador jogado sobre a tela sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>do fundo<br />
de mim<br />
a voz<br />
que se arrasta<br />
trôpega<br />
enche de letras<br />
o silêncio<br />
a tela fria<br />
de um computador<br />
nela me jogo<br />
sem medo<br />
da queda<br />
ainda que<br />
o coração<br />
como liquidificador<br />
bata<br />
tudo separado<br />
a voz<br />
o silêncio<br />
lá no fundo<br />
fica tudo<br />
liquidificado<br />
sobre o computador<br />
jogado<br />
sobre a tela<br />
sobre mim<br />
sobre ela<br />
fica tudo<br />
esparramado. </p>
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		<title>UM FÍSICO NO DIVÃ &#8211; PARTE DOIS</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jan 2012 23:30:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Hülsendeger</dc:creator>
				<category><![CDATA[QUEDA LIVRE]]></category>

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		<description><![CDATA[- O que você sente quando é grosseiro com seus colegas? – perguntou a médica. - Em primeiro lugar, não vejo como possa ser grosseria dizer a verdade. Meus colegas são cientistas – físicos –, assim como eu, portanto, devem estar preparados para ouvir a verdade. Em segundo lugar, se os trabalhos que eles me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- O que você sente quando é grosseiro com seus colegas? – perguntou a médica.<br />
- Em primeiro lugar, não vejo como possa ser grosseria dizer a verdade. Meus colegas são cientistas – físicos –, assim como eu, portanto, devem estar preparados para ouvir a verdade. Em segundo lugar, se os trabalhos que eles me apresentam são um lixo, em nome da Ciência, não posso simplesmente calar para não ferir os seus sentimentos. Afinal, não somos mais crianças.<br />
- Quando você diz que não é grosseria falar a verdade, a qual verdade está se referindo? – quis saber a médica.<br />
- E existe mais de uma? Para um físico há apenas a verdade científica, o fato, o que pode ser provado. Até mesmo quando estamos desenvolvendo uma teoria – algo que ainda não foi testado – sabemos que em algum momento a verdade por de trás do fenômeno irá se revelar, mesmo que seja para ser refutada. É apenas uma questão de tempo e paciência.</p>
<p>Enquanto Pauli dissertava, Erna limitava-se a ouvir e a fazer rápidas anotações.<br />
Pauli era um homem extremamente inteligente e, portanto, dono de uma personalidade complexa. No entanto, a sua visão unilateral dificultava muito certas abordagens mais heterodoxas. Por esse motivo, Erna resolveu que já era hora de provocá-lo. Queria testar até onde iriam as suas convicções sobre o que ele chamava de verdade.</p>
<p>- E quanto à morte de sua mãe? – inquiriu a médica.<br />
Imediatamente a atmosfera do consultório se alterou. A postura professoral mantida até agora por Pauli foi abandonada e a sua tensão tornou-se evidente.<br />
- O que isso tem a ver com a nossa discussão? – perguntou na defensiva.<br />
- Não sei. Você é que deve me dizer – Erna respondeu com tranquilidade. – Você consideraria a atitude de sua mãe um “lixo”? Ou, para você, ela é um “lixo”?<br />
O olhar lançado por Pauli teria feito gelar o sangue de qualquer um. Contudo, Erna estava preparada. Dessa vez ela não deixaria que ele escapasse ou se escondesse.<br />
- Minha mãe era uma escritora, uma intelectual – disse Pauli, visivelmente perturbado. – Ela não era um “lixo”!<br />
- Muito bem, sua mãe não era um “lixo”. Então, sua decisão de se matar pode ser considerada um “lixo”? – insistiu a médica.<br />
Silêncio. Erna esperou. Ela sabia que estava pisando em terreno perigoso, mas para que a terapia pudesse ter alguma chance de sucesso era preciso que Pauli enfrentasse um dos seus piores pesadelos: a morte da mãe.<br />
Depois de alguns minutos ele finalmente começou a falar. Agora sem aquela posse arrogante, marca do seu comportamento nas últimas semanas.</p>
<p>- Minha mãe – disse devagar – não suportou conviver com as traições de meu pai. Por debaixo da máscara de mulher cosmopolita e intelectualizada, havia uma pessoa frágil, carente de afeto e atenção. Infelizmente, todos nós nos deixamos iludir por sua aparência alegre e despreocupada, bem ao estilo dos atores de teatro que frequentavam a nossa casa.<br />
- Você quer dizer – interrompeu Erna – que a sua mãe representava um papel?<br />
- Sim. E eu fui suficientemente tolo e cego para não perceber.<br />
- Você acredita que se tivesse percebido essa outra realidade poderia ter evitado que ela se envenenasse?<br />
- Não sei – respondeu Pauli. – Mas se eu soubesse, se ao menos suspeitasse, talvez pudesse tê-la impedido.<br />
- Perdoe-me, mas você não acha que está exagerando nessa atitude de “Dono da Verdade”? Talvez o seu problema seja considerar-se um deus, capaz de ver o que ninguém vê ou profetizar eventos futuros – provocou a médica.</p>
<p>O choque nos olhos de Pauli era evidente. Ele não estava esperando ser tratado daquele modo. Aproveitando-se do abalo produzido ela prosseguiu:<br />
- Você vive comentando que a maioria das ideias de seus colegas é um lixo. Como você definiria o que acaba de me contar? Lixo?! – Sem dar chance a Pauli de responder, Erna olhou de maneira ostensiva para o relógio. – Bem, como o nosso tempo está terminando vou lhe dar uma tarefa. Você deve analisar, com todo o cuidado, o encontro de hoje. Examine suas palavras como se fosse uma de suas teorias. Aplique o método de análise que preferir, e tente, apenas tente enxergar as outras verdades por detrás de tudo o que conversamos.</p>
<p>Bastante abalado, Pauli levantou-se da poltrona e em silêncio dirigiu-se para a porta. Quando já estava saindo, Erna o chamou:<br />
- Herr Pauli, mais uma coisa: não se esqueça de continuar anotando os seus sonhos. Em nosso próximo encontro falaremos sobre eles. </p>
<p>E com um aceno da cabeça a médica deu a consulta por encerrada.</p>
<p>(Continua&#8230;)</p>
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