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	<description>FELIZ 2009</description>
	<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 00:19:41 +0000</pubDate>
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		<title>ZONA-LIMITE</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 00:17:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Argumento</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

		<category><![CDATA[SCRIBOMANIA]]></category>

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		<description><![CDATA[	Encaminhou-se aos fundos da casa e, sentada ao relento no pequeno jardim, acendeu um cigarro. A noite serena mantinha o silêncio. O ar quente e seco segurava a fumaça em desenhos agourentos. Permaneceu sozinha no escuro; os filhos dormiam na casa da avó.
	Doía-lhe o corpo e a cabeça girava repleta de expectativas, mesmo assim, fumava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>	Encaminhou-se aos fundos da casa e, sentada ao relento no pequeno jardim, acendeu um cigarro. A noite serena mantinha o silêncio. O ar quente e seco segurava a fumaça em desenhos agourentos. Permaneceu sozinha no escuro; os filhos dormiam na casa da avó.</p>
<p>	Doía-lhe o corpo e a cabeça girava repleta de expectativas, mesmo assim, fumava devagar. Não tinha pressa, precisava impregnar-se dos cheiros noturnos e daquela paz exterior. Perfumada e tranquila, como ele gostava.</p>
<p>	Tinha o discurso ensaiado. Cada palavra, cada gesto, a entonação da voz estavam já escolhidos.  Precisava ser firme, usar toda a energia que ainda lhe restava, para poder revelar-se. Desta vez, ele iria notá-la.</p>
<p>	Levantou-se e foi em direção a casa. Percorreu todos os cômodos iluminados, apenas, pela claridade da noite. Reconheceu o caminho, os contornos internos e todos os cantos.  Passo a passo, dirigiu-se ao quarto. Vez ou outra se apoiava nas paredes, por que um mal estar teimava instalar-se. Entrou e fechou a porta. Determinada, acendeu a luz.</p>
<p>	Encontrou-o deitado. Figura imponente, de poucas palavras e raros agrados. Tanto tempo com ele, e a indiferença, aquela que bloqueia o sofrimento, não se apossava dela. A posse, era dele.</p>
<p>	Ele a olhou e virou-se, dando-lhe as costas. Aquele era um gesto corriqueiro entre os dois.<br />
	– Se vais me incomodar, vamos nos incomodar no escuro – disse-lhe irritado, ajeitando-se na cama. – Apaga a luz!</p>
<p>	Ela esqueceu o discurso ensaiado e a pouca ilusão que restava. Precisava de outra resposta, queria outra acolhida. Esperava, ainda esperava&#8230; O que mesmo esperava? Um formigamento subiu pelas pernas e avançou pelo corpo, dando lugar à ausência da dor e a total lucidez nunca experimentada antes.  </p>
<p>	Enquanto dirigia-se ao outro lado da cama, as palavras vieram:<br />
	– Hoje, não vou falar com a tua sombra, tudo entre nós já foi dito.</p>
<p>	Manteve a luz acesa, queria que fosse às claras. Deitou-se ao seu lado e, lentamente, dirigiu-lhe o olhar. Vazio.<br />
	 Retirou a arma do bolso e atirou no próprio peito. </p>
<p>				           	***<br />
	No bolso do chambre, foi encontrado um pequeno pedaço de papel amassado. Nele estava escrito: “tudo dito, nada feito, fito e deito”, <strong>Paulo Leminski</strong>.</p>
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		<title>CÃO DE GUARDA</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 12:54:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[CONTEXTO]]></category>

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		<description><![CDATA[“Principiamos onde o outro acaba
pois um ao outro
oferecemos mais
que a verdade consentida a cada um,
a vida inteira descobrindo
nossa
no mistério paralelo revelado”
Helder Macedo
Não é que eu tenha medo do escuro, mas quando formas, cores e contornos desaparecem, eu me sinto misturado a esse tudo negro. A esse nada. Como se derretesse e me perdesse no escuro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Principiamos onde o outro acaba<br />
pois um ao outro<br />
oferecemos mais<br />
que a verdade consentida a cada um,<br />
a vida inteira descobrindo<br />
nossa<br />
no mistério paralelo revelado”<br />
<strong>Helder Macedo</strong></p>
<p>Não é que eu tenha medo do escuro, mas quando formas, cores e contornos desaparecem, eu me sinto misturado a esse tudo negro. A esse nada. Como se derretesse e me perdesse no escuro que olho e não vejo.</p>
<p>Ouço sons ao longe, outras vozes, outras vidas que não a minha. Como eu gostaria que.</p>
<p>Ouço minha própria respiração, acho que sinto as batidas do coração quase saírem pela boca, soluços assustados pela proximidade desse mergulho no buraco negro. Olhos vidrados, como um louco, nem pisco, nem penso, apenas escuto aquele cão que late e aquela velha risada que às vezes me acorda. </p>
<p>Não durmo. </p>
<p>Como eu gostaria que fosse possível congelar esse momento, me sentir suspenso nesse agora, tudo para, o mundo para, você para, o tempo para para eu poder seguir assim, sorrindo. É que estou feliz. Sabe quando tudo parece ser apenas figuração? As pessoas pegam o ônibus, as meninas entregam panfletos na sinaleira, as crianças gritam gol, mas nada, na verdade, é real; tudo faz parte dessa grande encenação na qual o holofote recai em mim.</p>
<p>Simplesmente não quero que o filme acabe.</p>
<p>Não quero que as coisas mudem, quero respirar esse mesmo ar, não quero apagar a luz. Talvez meu momento se perca. Concentro.</p>
<p>Mas o dia termina e somos forçados a essa nossa rotineira hibernação, esse desperdício consentido, essa entrega ao abandono: nossa perda diária de lucidez enquanto dormimos e vivemos sonhos impossíveis que nunca acabam, porque sempre interrompidos por esse alarme e pelo cheiro de café que invade as frestas da minha janela quando.</p>
<p>Não durmo. </p>
<p>Resisto a esse exílio noturno. Quero estar vivo, ficar alerta, olhos bem abertos, todas as cores ali. Tudo.</p>
<p>Não quero que minhas pequenas dores acordem. Faça silêncio. Respeite essa minha vontade. </p>
<p>Descanse. </p>
<p>Eu fico atento, zelando por esses nossos preciosos minutos. Segundos.<br />
Eu quero todos. Eu quero sempre. E é o sempre que me torna assim, cão de guarda disso que quase não sei explicar, nem exemplificar, mas que sinto, sentimos, e arrebata, e quase me deixa suspenso nessas linhas invisíveis, porque.</p>
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		<title>O SÁBIO</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jan 2009 19:04:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Hülsendeger</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[QUEDA LIVRE]]></category>

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		<description><![CDATA[Na noite escura do meu fim, eu espero e lembro. Nesta cela imunda tento não esquecer o que fui e o que sou. Meus ossos já foram por várias vezes quebrados e minha carne repetidamente dilacerada. Entretanto, minha alma continua limpa e intacta.
Perdi a conta dos dias – ou serão anos? – em que me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.argumento.net/wp-content/uploads/2009/01/o_sabio.jpg"><img src="http://www.argumento.net/wp-content/uploads/2009/01/o_sabio-189x300.jpg" alt="" title="o_sabio" width="189" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-1574" /></a>Na noite escura do meu fim, eu espero e lembro. Nesta cela imunda tento não esquecer o que fui e o que sou. Meus ossos já foram por várias vezes quebrados e minha carne repetidamente dilacerada. Entretanto, minha alma continua limpa e intacta.</p>
<p>Perdi a conta dos dias – ou serão anos? – em que me encontro preso dentro deste poço escuro, tendo apenas como companhia os insetos e os ratos, moradores permanentes deste lugar. Não importa. Na sua ignorância, eles acreditam que me aprisionando estão, de alguma forma, conseguindo me silenciar. Tolos! Mesmo após a minha morte, minha voz continuará a ser ouvida, pois eu não tenho mais nada a temer. Eles, na sua arrogância e prepotência, não percebem, mas o seu reinado de sombras e estupidez começou a ruir.</p>
<p>Nada tenho a abjurar. Continuo a crer no conhecimento. Ele está além de qualquer religião ou crença. Não tenho pelo que pedir desculpas. Afinal, nenhum crime cometi, a não ser o de estar sempre pronto a defender as ideias que considero justas e corretas. Por essa razão, eles têm pressa em me silenciar.</p>
<p>Mesmo dentro deste buraco imundo e escuro consigo ouvir o barulho dos martelos construindo a minha última tribuna. Contudo, eles não me deixarão falar, pois têm mais medo de mim do que eu deles. Há alguns dias fui levado à presença de mais um dos seus padres negros. Queria ouvir minha confissão e meu arrependimento. “Arrepender-me do quê?”, eu lhe perguntei. “De suas inúmeras e terríveis heresias”, respondeu-me muito sério. Não pude deixar de sorrir. Ele se assustou. Talvez não esperasse me encontrar com forças para achar graça de alguma coisa. </p>
<p>Mostrei-lhe que herético era ele e a sua Igreja, pois minha fé transcendia  qualquer dogma. Acredito num Deus de luz e não de trevas. Acredito na compreensão profunda das leis da natureza, pois só elas podem nos aproximar dEle e, quem sabe, nos tornar iguais a Ele.</p>
<p>Vendo que seus argumentos – vazios e destituídos de sentido – não conseguiam me convencer, agiu como só os ignorantes costumam agir: calou-me pela força. E, novamente, minha carne foi cortada e meu sangue voltou a correr. E para prazer de meus algozes, não consegui impedir que gemidos de dor escapassem dos meus lábios.</p>
<p>Sei o que me espera lá fora. O ruído ininterrupto dos martelos não me deixa esquecer. Não posso negar, temo a morte. No entanto, temo ainda mais esse mundo que dentro em pouco estarei deixando. Durante anos tenho me insurgido contra ele. Travo batalhas constantes contra esses anjos perniciosos. Eles querem sepultar a luz, usando para isso a força, a violência e a extrema crueldade. Se essa é a face desse “novo mundo” eu não quero fazer parte dele. Minha esperança é que Deus porá fim a essa terrível mancha chamando para o novo mundo a sua real fisionomia. Quando estiver me encaminhando para o cadafalso, será a essa esperança que pretendo me agarrar.</p>
<p>O barulho dos martelos cessou. Um estranho silêncio se impõe nesse lugar esquecido dos homens. Em breve eles virão me buscar. Serei acorrentado e amordaçado. Contudo, ainda me cabe uma última humilhação: caminhar pelas ruas de Roma como um humilde penitente. Devo passar, ao povo que testemunhará o cumprimento da sentença, a falsa impressão de arrependimento e penitência. Idiotas! Se olharem para os meus olhos, logo perceberão que de nada me arrependo. Nada!</p>
<p>Na praça uma enorme pilha de lenha amontoava-se em torno de uma estaca colocada sobre o cadafalso tão laboriosamente construído. O herege com uma mordaça na boca foi atado a ela com rapidez. Havia pressa. Ao oferecerem-lhe o crucifixo para o beijo derradeiro, ele revirou os olhos, rejeitando-o. Nada mais havia a fazer. O carrasco jogou uma tocha na base da pira e, num instante, tudo eram chamas. Estava feito.</p>
<p><em>Vejam o que acontece a este cidadão servidor do mundo que tem como o seu pai o Sol e a sua mãe a Terra. Vejam como o mundo que ele ama acima de tudo o condena, o persegue e o fará desaparecer.</em><strong>Giordano Bruno </strong>(1548-1600)</p>
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		<title>HELENAS</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 14:24:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Brody</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[MURAL]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim que terminou a reunião semanal dos professores, a telefonista me entregou um bilhetinho de uma ligação telefônica que havia recebido naquele meio tempo. No bilhete estava escrito que ligasse para a família Barreto. Que estranho, pensei? A manhã já estava terminando e eu ainda não tinha resolvido nem a metade das minhas pendências. Já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assim que terminou a reunião semanal dos professores, a telefonista me entregou um bilhetinho de uma ligação telefônica que havia recebido naquele meio tempo. No bilhete estava escrito que ligasse para a família Barreto. Que estranho, pensei? A manhã já estava terminando e eu ainda não tinha resolvido nem a metade das minhas pendências. Já estávamos em fins de novembro e tudo se acumulava: correção de provas, conselhos de classe, aulas de recuperação. Ainda assim, mesmo que me atrasasse mais um pouco, tentei, por duas vezes, sem sucesso, ligar para o número deixado. Continuei com minhas atividades escolares e, assim que as terminei, fui almoçar.</p>
<p>Todas as terças-feiras, dia da reunião, almoçava, sozinha, num restaurante a quilo, ao lado do colégio devido ao curto espaço de tempo que me sobrava entre o intervalo de almoço e as aulas da tarde. Já era conhecida do pessoal, mãe e filha, Dona Virginia e Joana. A primeira ficava responsável pela cozinha e a segunda, pelo atendimento das mesas e pelo caixa. Aquele dia, porém, um ingrediente diferente se fazia presente durante o almoço. Não, não era nenhum tempero novo que havia sido posto na comida, mas sim a curiosidade em saber qual teria sido o motivo da ligação dos Barreto. Estava imersa em meus pensamentos, remontando a época em que os havia conhecido. Fazia um ano que fora professora de Juliana Barreto, filha de Eduardo e Helena, coincidentemente minha xará. Juliana era uma menina meiga, mas com desempenho fraco, o que me levara a conhecer mais de perto os seus pais. Formavam, esses, um casal muito amoroso e gentil. Ela era do lar, ainda que não tivesse uma beleza exuberante, estava sempre impecavelmente produzida. Ele trabalhava numa multinacional, era um executivo muito bem sucedido, um quarentão extremamente atraente. Sempre que me encontrava, tratava-me com uma cordialidade quase que galanteadora. Em todos estes anos de magistério nunca havia ficado interessada em nenhum pai de aluno, sempre tivera uma postura muito profissional. Após o término daquele ano letivo, no qual depois de muito esforço e todas as recuperações possíveis, Juliana passara de ano e iria cursar o ensino médio em outra escola, já que na nossa só havia o ensino fundamental. </p>
<p>Depois das festas de fim de ano, para a minha surpresa, no início de janeiro, recebera uma ligação do Eduardo. — Professora Helena, aqui é o Eduardo, pai da Juliana, lembra-se de mim? Encontrei o seu cartão nas coisas da Ju e tomei a liberdade de lhe ligar, completou. — Claro que lembro. Como vão Juliana e Helena? perguntei.— Estão muito bem, já estão descansando na praia e eu estou sozinho na cidade. Alguém tem que trabalhar, né? disse ele. Depois de falarmos muitas amenidades e tal, mesmo meio sem jeito, já que parecia não ser daquele tipo de cara cafajeste que cantava a mulherada, perguntou: — Você não gostaria de jantar comigo? A confusão estava armada. A minha vontade era de aceitar o convite daquele homem que, ainda que transmitisse algo de ingênuo, me seduzia com um simples olhar. Mas, minha consciência falara mais alto e respondi: — Olha, me sinto lisonjeada pelo convite, mas infelizmente já tenho compromisso nesta noite. Efetivamente todas as quartas eu saía para jantar com Raquel, minha colega, amiga e confidente. Um pouco decepcionado, Eduardo se despediu, mas disse que me ligaria, se não fosse incômodo, para que jantássemos na sexta-feira. Sempre gostei de homens decididos. Disse a ele que não teria o menor problema se quisesse ligar. Incrédula, excitada e, ao mesmo tempo, confusa, comecei a me arrumar para o encontro com minha amiga Raquel.</p>
<p>Já eram oito da noite e eu estava, como de costume, aguardando a chegada de Raquel no restaurante chinês, ambiente simples e de preço honesto, compatível com nosso salário de professora. Com os cabelos ainda úmidos e jeito apressado, Raquel, finalmente, chegara e me pedira desculpas pelo atraso. Fomos nos servir, já estava verde de fome, só tinha feito um lanchinho às quatro da tarde. Infelizmente, meu lado afetivo nunca abalou meu apetite, o que poderia até ter me ajudado a perder aqueles cruéis dois quilinhos contra os quais sempre estamos brigando. O buffet estava bem completo: empanados de camarão, rolinho primavera, arroz com legumes e todas as demais comidinhas que eu adorava! </p>
<p>Entre uma garfada e outra, contei a Raquel sobre o telefonema de Eduardo e do meu conflito em aceitar o seu convite. Depois de me ouvir atentamente, Raquel me perguntou, num tom bem sério: — Além de achá-lo bonito, esse cara mexeu contigo de alguma forma especial ou seria apenas uma simples “troca de óleo”? Sempre gostei das ponderações da Raquel, ela era direta e objetiva, chegando direto ao ponto. Respondi que ele tinha algo que me trazia um encanto e, que na época em que o casal acompanhava a filha nas atividades da escola, acabava me perdendo dentro dos olhos dele, e percebia que era recíproco, desprezando inclusive, de forma não intencional, a presença da minha xará, sua esposa. Disse ainda que chegava a suar frio. — Bem, guria, acho então que tu deveria aceitar o convite. Tu está atualmente solteira e ele, ainda que esteja comprometido, não significa que não possa mudar. A vida é dinâmica, completou. — Quem sabe não possam ser a cara-metade um do outro, hein? E, de mais a mais, continuou ela, aceitar um convite para jantar não implica ir pra cama com ele, né! Vai lá, sinta as intenções dele e escuta o que teu coração vai te dizer. Depois de refletir um pouco, achei oportuno e prudente o conselho da minha amiga. </p>
<p>Terminamos de jantar, pagamos nossas contas e seguimos nossos rumos, cada qual para sua casinha. Bem mais aliviada e tranqüila, decidi que, se ele ligasse novamente, iria, sim, aceitar o convite e, deixaria nas mãos da sorte o nosso destino.</p>
<p>Não eram nem dez horas da manhã de sexta-feira e o Eduardo já estava me ligando, conforme havia dito. — Bom dia, Helena, hoje não aceito um não como resposta! disse em tom enfático. —Já fiz reserva no restaurante tailandês, lhe pego às 20h, ok?  Puxa, o restaurante tailandês é o mais sofisticado da cidade, pensei. Seguindo os conselhos da minha amiga, respondi: — Então está combinado, me pegue lá em casa às 20h. Ufa, tudo muito objetivo e aparentemente fácil. Passei o endereço certinho e continuei o meu dia, com uma enorme expectativa, é verdade, realizando meus afazeres até chegar o momento do encontro.</p>
<p>Aprontei-me demoradamente, caprichei no batom e no perfume. Li, certa vez, numa revista feminina, que são as duas armas mais destruidoras em matéria de sedução. Ah, claro que também coloquei um vestido com o qual me considerava bem sexy.</p>
<p>Eduardo chegara pontualmente às oito da noite. Aproximei-me, vagarosamente do carro dele. Sorrindo com os olhos, ele estendeu a mão, abriu a porta do carro e&#8230;  — Professora Helena!  — Professora Helena, desculpe lhe incomodar, mas como lhe vi muito distraída resolvi lhe perguntar se, por acaso, a senhora. não tem mais o primeiro período da tarde na escola, porque já está quase tocando o sinal, interpelou-me, Joana, recolhendo os pratos das demais mesas, já vazias. Mais que depressa, paguei a conta do restaurante e me dirigi à sala de aula. Tinha que cuidar da prova de recuperação dos meus pupilos que não haviam conseguido aprovação por média. </p>
<p>Enquanto cuidava da prova, não me saída da cabeça o bilhete recebido e todo flashback que havia tido na hora do almoço. Assim que acabou aquele período, abri minha bolsa e peguei o minúsculo bilhetinho manuscrito e comecei a me perguntar qual deles teria me ligado e o porquê da ligação. Será que teria sido a Sra Helena quem havia ligado? Será que teria descoberto nosso encontro? Será que imaginaria que estivéssemos tendo um caso? Será que iria me dizer que haviam se separado? Será que iria somente me contar algo sobre a Juliana? Poderia ter sido o próprio Eduardo. Quem sabe me faria um novo convite ou uma declaração de amor? Talvez ainda pudesse ter sido a Juliana pedindo algum auxílio na Matemática, já que esta era minha disciplina no colégio, muito bem conduzida, sem falsa modéstia.</p>
<p>Terminadas minhas atividades na escola, voltei pra casa e a primeira coisa que fiz foi ligar para o número que constava no bilhete. Desta vez alguém havia atendido.  — Boa noite! É da casa dos Barreto? — Sim, respondeu uma voz feminina do outro lado. — Sou a professora Helena e estou ligando porque recebi um recado que gostariam de falar comigo. — Claro, claro, fui eu quem lhe ligou, Helena, a mãe da Juliana. Nem mencionei que havia tentado ligar de manhã já que não fazia nenhuma diferença. — Como vão todos? perguntei. Um silêncio se fez ao telefone. — É&#8230;,  imaginei que não soubesse o que aconteceu e era por isso mesmo que estava lhe ligando. Preocupada com o que pudesse ter acontecido, fiquei aguardando que continuasse a falar. — Infelizmente, disse ela, agora chorando, o Eduardo faleceu no sábado passado num acidente de carro. Totalmente petrificada com o que acabara de ouvir, só consegui dizer: — Meus pêsames e emudeci. Diante de meu silêncio a outra Helena completou. — Pois é, estava fazendo uma arrumação aqui em casa e encontrei um cartãozinho seu junto às coisas do Eduardo e, como sempre lhe tivemos muita consideração, resolvi lhe ligar para comunicar sobre a missa de sétimo dia que vai ser celebrada na próxima sexta, na paróquia aqui do bairro, disse, soluçando. Continuava em silêncio. Só consegui dizer, antes de desligar, que agradecia por terem lembrado de mim, que sentia muito e que esperava que tudo ficasse bem. Pedi que mandasse um beijo na Juliana e desliguei. Parecia naquele momento que eu era a viúva e não ela. Viúva de alguém com quem tive um único encontro.</p>
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		<title>O MAESTRO</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Dec 2008 16:48:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilka Coimbra</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[SCRIBOMANIA]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda vez que
Toda vez que
 ficou sem emprego, 
 sentiu fome e frio. Não teve para onde ir.
 
         Toda vez que
 se prostituiu,
 foi explorado e adoeceu. Não teve vontade.   
 
        Toda vez que
 acordou drogado,
 não encontrou a mãe. Desistiu. 
 
        Toda vez que
 e toda vez, perdeu a dignidade. Enlouqueceu! 
 
        Sentado na sarjeta, um homem maltrapilho, observava os festejos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm -9pt 0pt -279pt; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;">Toda vez que</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Toda vez que</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span>ficou sem emprego, </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span>sentiu fome e frio. Não teve para onde ir.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;">         </span>Toda vez que</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span>se prostituiu,</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span>foi explorado e adoeceu. Não teve vontade. <span style="mso-spacerun: yes;">  </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;">        </span>Toda vez que</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span>acordou drogado,</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span>não encontrou a mãe. Desistiu. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;">        </span>Toda vez que</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span>e toda vez, perdeu a dignidade. Enlouqueceu! </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;">        </span>Sentado na sarjeta, um homem maltrapilho, observava os festejos, como se fosse o dono do tempo. Meia-noite, Ano Novo. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;">       </span>Aos poucos, foi tomado pela alegria que invadia a rua. Passou a mão pelo chão, de posse de um pequeno graveto, levantou-se e regeu um coral imaginário. Como todo bom maestro, cantarolava baixinho:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Salacatula,</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Meticabula,</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Bíbidi bóbidi bu.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Junte isto tudo</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">E teremos então,</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Bíbidi bóbidi bu.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">A salacatula é</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Nem eu entendo esse angu</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Mas a mágica se faz dizendo</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Bíbidi bóbidi bu!!!</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span><span style="mso-spacerun: yes;">         </span><span style="mso-tab-count: 1;">   </span>Fada Madrinha</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">***</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Que 2009 nos favoreça em realizações pessoais e sociais lúcidas.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">ENCONTROS e BOA VONTADE.</span></span></p>
<p><font style="font-size: 14pt;" face="Arial"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm -9pt 0pt -279pt; text-indent: 35.4pt;"> </p>
<p></font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm -9pt 0pt -279pt; text-indent: 35.4pt;"> </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>As minhas reminiscências são uma poça d&#8217;água</title>
		<link>http://www.argumento.net/do-leitor/mural/as-minhas-reminiscencias-sao-uma-poca-dagua/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/do-leitor/mural/as-minhas-reminiscencias-sao-uma-poca-dagua/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2008 18:58:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ítalo Noan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[MURAL]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=1548</guid>
		<description><![CDATA[

As minhas reminiscências são uma poça d&#8217;água
num dia de muito sol,
e o sol acaba-as, logo, para depois do equador,
Quebra os vidros da janela e evade
as lembranças,  muitas,
sensivelmente afasta a mão das gentes
e há pesar nisso?
à orla do que nunca sonho
a certeza que guardo é só um pensamento entristecido
miscível a mim tal os rios aos mares
caem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<p><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;">As minhas reminiscências são uma poça d&#8217;água<br />
num dia de muito sol,<br />
e o sol acaba-as, logo, para depois do equador,<br />
Quebra os vidros da janela e evade<br />
as lembranças,<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>muitas,<br />
sensivelmente afasta a mão das gentes<br />
e há pesar nisso?<br />
à orla do que nunca sonho<br />
a certeza que guardo é só um pensamento entristecido<br />
miscível a mim tal os rios aos mares<br />
caem os meus desejos<br />
por degraus mal construídos e de madeira nobre,<br />
A brisa varreu os rascunhos de outrora<br />
o odor da primavera, talvez?<br />
os ocasos deitaram ao pé de todos os prados<br />
bateram três janelas contra a parede opaca<br />
despiu a maquiagem de todas as faces<br />
cativas, ainda úmidas,<br />
o que faz com que reconheçamos as coisas<br />
tornou-me um dado de ímpares faces<br />
e eu a jogá-lo,agora,<br />
é brincar de algum Deus<br />
que brinca de ser Deus<br />
Terão Deus os Deuses?<br />
Ah! Por que quer que eu ignore que tudo tenha os seus motivos,<br />
Tua ausência é uma doideira minha<br />
sempre que te vejo caminhando por entre os trilhos<br />
buscando o equilíbrio<br />
curvada ao meu ombro,<br />
feito dois livros numa estante esquecida.<br />
Dói a praça na solidão de um barco,<br />
no trapiche só o rumor dos velhos pregos<br />
que rangem feito já terem tido um amor<br />
e o quebra-mar sumiu em brumas<br />
Mas acima disto vejo tua imagem calma entre nuvens<br />
Tua efígie mais admirável;<br />
Terei o sonho mais sublime<br />
vestirei a fantasia do sucesso<br />
passarei os dias com alguém<br />
que não distrai as minhas idéias,<br />
Tornar-me-ei uma planta nascida na terra<br />
encarcerada num vaso amiúde,<br />
não o mesmo, jamais o mesmo,<br />
E correrei com uma ira de guerra<br />
de um país recém dominado<br />
passarão por mim a bravura e a insanidade dos guerreiros<br />
dos campos em cima do nada,<br />
Lerei mais frases do que já compus,<br />
E no entanto, nem sei se existes ainda<br />
invenção de minha alma sensível<br />
posta à outra margem do rio&#8230;</p>
<p> </p>
<p></span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>SIMPLES</title>
		<link>http://www.argumento.net/colunas/contexto/simples/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/colunas/contexto/simples/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2008 18:36:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[CONTEXTO]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=1544</guid>
		<description><![CDATA[É quando menos se espera.
Quando menos se espera, a velha paisagem de sempre torna-se repentinamente nova. Novas cores, novos detalhes, novos ângulos. 
 
É quando menos se espera. Quando o mergulho no mesmo mar de sempre refresca como nunca. E os olhos se abrem embaixo d’água, como quem procura a mitológica cidade perdida. 
 
Já não temos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">É quando menos se espera.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Arial Narrow;">Quando menos se espera, a velha paisagem de sempre torna-se repentinamente nova. Novas cores, novos detalhes, novos ângulos. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">É quando menos se espera. Quando o mergulho no mesmo mar de sempre refresca como nunca. E os olhos se abrem embaixo d’água, como quem procura a mitológica cidade perdida. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Arial Narrow;">Já não temos medo. Fugimos para dentro da nossa própria realidade inventada, e de repente percebemos que ela é das coisas mais simples do mundo. E aquilo que pensávamos ser inventado, de fato existe. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Arial Narrow;">Simples. É simplesmente assim. Quando tudo é tão simples, o conflito evitado, a conversa que emociona. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Arial Narrow;">Simples. Lágrimas que não se escondem. Abraços que esmagam e acolhem, estalando costelas, metáforas de mais um ajuste. Agora sim.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">É quando menos se espera, porque é simples. Muito simples. Desgraçadamente simples, enquanto tantos sofrem tanto procurando milagres que supram suas carências mais infantis. Brincando de gente grande.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">É quando menos se espera. A gente olha. A gente sente. A gente sabe.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Arial Narrow;">Simples, como um copo de coca-cola. Como a cumplicidade de um sorriso. Como um ano novo que surge, para acompanhar a singeleza de tudo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">É quando menos se espera. Um mergulho, assim, simples. E um retorno, sem ar. Pronto. Nunca mais seremos os mesmos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">É quando menos se espera.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Arial Narrow;">Simples assim.<span style="mso-spacerun: yes;">  </span></span></span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>não há tempo de espera</title>
		<link>http://www.argumento.net/colunas/abismada/nao-ha-tempo-de-espera/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/colunas/abismada/nao-ha-tempo-de-espera/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Dec 2008 20:52:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rita Cavalcante</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[ABISMADA]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=1542</guid>
		<description><![CDATA[
não há tempo de espera
é preciso parir o sol
 
o dia abraça com mãos de homens
não existem nuvens
 
um sopro arrebenta o silêncio
suspende o ar 
engole o grito
 
a vida prenhe
a casa muda
 
o céu é laranja 
e arde
 


]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="Section1">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">não há tempo de espera</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">é preciso parir o sol</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">o dia abraça com mãos de homens</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">não existem nuvens</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">um sopro arrebenta o silêncio</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">suspende o ar </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">engole o grito</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">a vida prenhe</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">a casa muda</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">o céu é laranja </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">e arde</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: black; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;"> </span></span></p>
</div>
<p><span style="font-size: 12pt; color: black; font-family: Arial; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;"><br style="page-break-before: always; mso-break-type: section-break;" /></span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>WALL-E</title>
		<link>http://www.argumento.net/colunas/pipoca/wall-e/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/colunas/pipoca/wall-e/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 26 Dec 2008 13:05:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Cavaçana</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[PIPOCA E PIRUÁ]]></category>

		<category><![CDATA[Wall-e]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=1531</guid>
		<description><![CDATA[Ai, que lindo! Ai, que fofo! Não dá vontade de levar pra casa, e abraçar, e mimar, e beijar, igual filhote de cachorro? Ele faz inclusive a carinha pidona. Ai, cutchi, cutchi. Quem viu o filme sabe do que estou falando; da carinha de pidão que o robozinho Wall-e faz.
 
Sem ironias, o filme é muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 15.6pt; text-align: justify;"><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;"><a href="http://www.argumento.net/wp-content/uploads/2008/12/wall-e1.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-1539" title="wall-e1" src="http://www.argumento.net/wp-content/uploads/2008/12/wall-e1-203x300.jpg" alt="" width="203" height="300" /></a>Ai, que lindo! Ai, que fofo! Não dá vontade de levar pra casa, e abraçar, e mimar, e beijar, igual filhote de cachorro? Ele faz inclusive a carinha pidona. Ai, cutchi, cutchi. Quem viu o filme sabe do que estou falando; da carinha de pidão que o robozinho Wall-e faz.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 15.6pt; text-align: justify;"><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 15.6pt; text-align: justify;"><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">Sem ironias, o filme é muito romântico. O que mais impressiona é que 80% não tem diálogo. Os robozinhos Wall-e e Eva só se comunicam reproduzindo cada um o nome do outro. Imagina, que namoro perfeito:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 15.6pt; text-align: justify;"><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">-Amor?<br />
-Liiiiinda!?<br />
-Amoooooooor?<br />
-Linda?<br />
-Amor!<br />
- Liiiiinda!</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 15.6pt; text-align: justify;"><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">Sensacional! Tem até um nome bonito para isso. Um amigo disse que o filme é chapliniano. Pode ser namoro chapliniano também!</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 15.6pt; text-align: justify;"><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 15.6pt; text-align: justify;"><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">Wall-e ama Eva incondicionalmente e em tudo que faz. Ele a ama na sua fase autista, ele se segura na rabiola de um foguete interplanetário, ele quer mostrar para ela aquilo que mais gosta neste mundo, uma centena de parafusos e quinquilharias muito bem organizadas. Wall-e é sortudo, porque a Eva não é boba, e o ama de volta. Para deixar entender que aqueles que não nos amam de volta só podem ser, ora bolas, bobos e, acrescento, assortudos.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 15.6pt; text-align: justify;"><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"><span style="font-size: small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">Enquanto</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">via</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> o </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">filme</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">meu</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">namorado</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> apertava </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">minha</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">mão</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">cada</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">vez</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">mais</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">forte</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">. </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">Me</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> chamou de Eva </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">por</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">um</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">mês</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">. </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">Realmente</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> mexeu </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">com</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> os </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">corações</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> e, </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">em</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">homenagem</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">, </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">quando</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">, </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">em</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">um</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">futuro</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">distante</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">, </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">minha</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">cachorra</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">bater</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> as </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">botas</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> (a </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">parte</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> do </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">futuro</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">distante</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> foi </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">para</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">me</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">redimir</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> de </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">minha</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">culpa</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">católica</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">, de </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">falar</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> na </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">morte</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> de </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">um</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">ser</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">que</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">ainda</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> está </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">entre</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">nós</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">. Sr. Jesus, </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">não</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> estou desejando a </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">morte</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> dela, </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">só</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> estou comentando </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">coisas</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> certeiras), o </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">próximo</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> cutchi cutchi de </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">carinha</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> pidona irá se </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">chamar</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> Uoli, </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">em</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">caso</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">feminino</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">, será Iva (</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">adaptações</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> à </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">fonética</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;"> </span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">brasileira</span><span style="color: #29303b; font-family: Arial;">).</span></span></p>
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		<title>SE EU FOSSE VOCÊ 2</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 18:52:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[CINEMA NACIONAL]]></category>

		<category><![CDATA[Ary Fontoura]]></category>

		<category><![CDATA[Cássio Gabus Mendes]]></category>

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		<category><![CDATA[Se eu fosse você 2]]></category>

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		<description><![CDATA[ 

 
 
 
 
 
 
 
O quê? Outro filme em que Gloria Pires e Tony Ramos trocam de corpo? Talvez você pense isso quando ver o trailer do filme SE EU FOSSE VOCÊ 2, de Daniel Filho. Contudo, esqueça os preconceitos e vá, sem medo, assistir a uma comédia que tem tudo para ser um dos hits do verão.
 
Ok, ok, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"><a href="http://www.argumento.net/wp-content/uploads/2008/12/assbanner2.gif"><img class="alignnone size-full wp-image-1526" title="assbanner2" src="http://www.argumento.net/wp-content/uploads/2008/12/assbanner2.gif" alt="" width="468" height="80" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">O quê? Outro filme em que <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Gloria </strong><strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Pires</strong> e <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Tony </strong><strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Ramos</strong> trocam de corpo? Talvez você pense isso quando ver o trailer do filme SE EU FOSSE VOCÊ 2, de <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Daniel </strong><strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Filho</strong>. Contudo, esqueça os preconceitos e vá, sem medo, assistir a uma comédia que tem tudo para ser um dos <em style="mso-bidi-font-style: normal;">hits</em> do verão.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">Ok, ok, a história não é nem um pouco original. Você já viu isso muitas vezes, em Hollywood e mesmo no Brasil. Ok, ok, é mais televisivo do que cinematográfico. Porém, ter a oportunidade de se deliciar com Tony Ramos e Glória Pires durante mais de hora e meia, já vale o ingresso. Os dois atores queridinhos – merecidamente – de público e de crítica repetem, nesta continuação, a maravilhosa química já vista no primeiro. Repetem e intensificam, porque ambos nunca estiveram tão engraçados.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">A composição dos personagens continua muito sutil. Tony e Glória fogem do estereótipo e imitam características marcantes dos atores reais. O resultado é hilário. A história é o que menos interessa, ainda que ela não tenha furos e seja bem costuradinha: depois de alguns desentendimentos, o casal decide dar um tempo. E neste meio tempo, a filha (a gracinha <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Isabelle Drummond</strong>, a ex-Emília do <em style="mso-bidi-font-style: normal;">Sítio</em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"> do </em><em style="mso-bidi-font-style: normal;">Pica-Pau</em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"> </em><em style="mso-bidi-font-style: normal;">Amarelo</em>), grávida, quer contar o fato para a mãe (que é o pai) e esconder do pai (que é a mãe).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">Há pequenos grandes momentos que merecem ser incluídos na categoria de destaque entre as cenas cômicas do cinema brasileiro. Se no primeiro filme havia a já clássica cena de Tony Ramos banhando-se com delicadeza na piscina, desta vez ele repete a façanha, mas jogando futebol e fazendo aula de ginástica, situação que garante uma das melhores piadas do filme. Outro momento extraordinário de Tony é quando ele decide fazer um <em style="mso-bidi-font-style: normal;">up </em><em style="mso-bidi-font-style: normal;">grade</em> no guarda-roupa e encontra uma quase-casinho (<strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Viviane Passmanter</strong>), que entende por que o separado não quis nada com ela: deve ser gay. Glória também está ótima na cena em que sofre caminhando de salto alto e quando descobre que também está grávida. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">Os coadjuvantes também são de luxo: a perua vivida por <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Maria Luísa Mendonça</strong> é impagável, e <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Chico Anysio </strong>parece divertir-se como nunca. Há também <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Marcos</strong><strong style="mso-bidi-font-weight: normal;"> Paulo</strong>, <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Cássio Gabus Mendes</strong>, <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Ary Fontoura, Maria Gladys</strong> e até <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Adriane Galisteu</strong>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Arial Narrow;">O final, em clima de musical, lembra as matinês de antigamente, deixando no ar a sensação de que SE EU FOSSE VOCÊ 2 é o filme perfeito para esses dias reflexivos, em que vivemos entre o stress e o encantamento. Nada como sair do cinema leve e pronto para outra. </span></p>
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