Ai, que lindo! Ai, que fofo! Não dá vontade de levar pra casa, e abraçar, e mimar, e beijar, igual filhote de cachorro? Ele faz inclusive a carinha pidona. Ai, cutchi, cutchi. Quem viu o filme sabe do que estou falando; da carinha de pidão que o robozinho Wall-e faz.
Sem ironias, o filme é muito romântico. O que mais impressiona é que 80% não tem diálogo. Os robozinhos Wall-e e Eva só se comunicam reproduzindo cada um o nome do outro. Imagina, que namoro perfeito:
-Amor?
-Liiiiinda!?
-Amoooooooor?
-Linda?
-Amor!
- Liiiiinda!
Sensacional! Tem até um nome bonito para isso. Um amigo disse que o filme é chapliniano. Pode ser namoro chapliniano também!
Wall-e ama Eva incondicionalmente e em tudo que faz. Ele a ama na sua fase autista, ele se segura na rabiola de um foguete interplanetário, ele quer mostrar para ela aquilo que mais gosta neste mundo, uma centena de parafusos e quinquilharias muito bem organizadas. Wall-e é sortudo, porque a Eva não é boba, e o ama de volta. Para deixar entender que aqueles que não nos amam de volta só podem ser, ora bolas, bobos e, acrescento, assortudos.
Enquanto via o filme meu namorado apertava minha mão cada vez mais forte. Me chamou de Eva por um mês. Realmente mexeu com os corações e, em homenagem, quando, em um futuro distante, minha cachorra bater as botas (a parte do futuro distante foi para me redimir de minha culpa católica, de falar na morte de um ser que ainda está entre nós. Sr. Jesus, não estou desejando a morte dela, só estou comentando coisas certeiras), o próximo cutchi cutchi de carinha pidona irá se chamar Uoli, em caso feminino, será Iva (adaptações à fonética brasileira).
Juliana Cavaçana - Juliana Cavaçana, 27, formada em administração pela FEA/USP. Descobriu que o mundo corporativo é muito chato e enveredou para o jornalismo (Anhembi Morumbi). Adora cinema. Sem conhecimentos técnicos sobre película e ângulos de filmagem, mas uma boa tagarela, escreve sobre a sétima arte mesmo assim. "É só dar asa que nóis avoa!"
Blog pessoal: PIPOCA E PIRUÁ
O porquê da Pipoca. O porquê do Piruá. Velhos companheiros de cinema, a pipoca leva toda a fama, mas não nos esqueçamos do Piruá: o grãozinho preto, torrado, que não teve a honra de estourar, cada vez menos freqüentes nas grandes cadeias de cinema, que otimizaram a arte de fazer pipoca. Tributo à pipoca e ao piruá!
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que interessante Juliana que vc gostou tanto assim do filme e o que marcou mais em vc foi o romance dos robozinhos.
Eu e meu marido quando vimos ficamos deprimidos por mais de uma semana. Ficamos arrasados com a visão tão deprimente da nossa raça humana, a nossa banalidade, a nossa incapacidade a qualquer coisa além do egocentrismo, que até um robozinho lixeiro tem mais humanidade que nós.