Vou fazer uma categoria de filme: Películas com Chuvisco. Acho super-exótico me dar conta que o mundo não nasceu digital. Quando o filme é antigo (estou chamando 1976 de antigo, prestem atenção), desce pela espinha aquele medo da monotonia, de ter que achar legal uma ingenuidade pela qual somente a Scarlett O’Hara tem paciência. “Olha o gatinho. Que lindo gatinho. Oooolha, o bigode do gatinho”. Bate também o medo de ver os cabelos da década de 80. Pode ser a categoria Permanentefobia. Dizem que a moda volta… socorrooo! Não quero! A chapinha é muito mais nórdica. Chiquérrimo cabelo liso.
TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE (1976) tem chuvisco, mas supervale a pena! É sobre os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein que desvendaram o caso Watergate. O único problema é seguir todos os nomes no filme. Não pode desconcentrar, porque um nome leva a outro. Vidrante! O filme e os culhões do editor-chefe do Washington Post. Em rede nacional “Obviamente, o editor-chefe do Washington Post não apóia o presidente Nixon”. Aí!
O mais legal é que o filme é real. Bob e Carl telefonam muito, escrevem muito, fumam muito e entrevistam muito. Não tem tiroteio. Ninguém entra pulando pela janela. Quem faz medicina vai sentir uma pontadinha de vontade de ser repórter por um dia. E quem é repórter vai ter vontade de ter paixão pela profissão. Ser um Tin-Tin e ter um cachorro chamado Milu.
Wooodward tinha como fonte o Garganta Profunda (Mark Felt), segundo maior posto no FBI. E eu, como faço para o presidente do banco central ser minha fonte amiga? Na vida de verdade, Bob conheceu Deep Throat em uma festa, onde conversaram sobre política. Então, basicamente, esteja no lugar certo na hora certa, tenha uma perspicácia megalomaníaca e chame a atenção de uma pessoa disputada por chupins sassaricantes. Esteja bem vestido, mostre sua personalidade através dos acessórios. (ZZZZzzzzz…. Marie Claire). Em um planeta com 7 bilhões de pessoas; baba do boi.
O filme mostra que a mídia realmente é o quarto poder. Não foi a primeira vez que ajudou a depor um presidente, e collor, oops, claro, não será a última.
Juliana Cavaçana - Juliana Cavaçana, 27, formada em administração pela FEA/USP. Descobriu que o mundo corporativo é muito chato e enveredou para o jornalismo (Anhembi Morumbi). Adora cinema. Sem conhecimentos técnicos sobre película e ângulos de filmagem, mas uma boa tagarela, escreve sobre a sétima arte mesmo assim. "É só dar asa que nóis avoa!"
Blog pessoal: PIPOCA E PIRUÁ
O porquê da Pipoca. O porquê do Piruá. Velhos companheiros de cinema, a pipoca leva toda a fama, mas não nos esqueçamos do Piruá: o grãozinho preto, torrado, que não teve a honra de estourar, cada vez menos freqüentes nas grandes cadeias de cinema, que otimizaram a arte de fazer pipoca. Tributo à pipoca e ao piruá!
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Como estudante de jornalismo,vc nunca poderia deixar de assistir á este filme, pois é a maior aula de jornalismo investigativo da história. E também de cinema.Vc observou na abertura , o som da máquina de datilografia mesclado ao ruído dos tiros? Isto o teclado não faria, convenhamos…
A excelente qualidade jornalística expõe as visceras do poder, de maneira instigante e intrigante também.Quanto aos nomes! Nem fale!
Gostei muito do seu comentário. Parabéns
Rituca