categoria: PIPOCA E PIRUÁ
NA MIRA DO CHEFE
NA MIRA DO CHEFE é o nome aportuguesado de In Bruges (mais uma louca peripécia que os tradutores de títulos conseguem fazer. Como In Bruges não vira Em Bruges, mas Na Mira do Chefe, é algo que somente uma louca lógica interna é capaz de responder.
Oficialmente o filme é catalogado como Comédia, Drama. Que em cinema quer dizer (Comédia + Drama) ÷ 2 = Humor negro. Aqueles que não riem, choram, e os que não choram vão rachar o bico de dar risada. O que é sempre bom sinal de inteligência.
O filme conta a história de dois assassinos de aluguel, Ray (Colin Farrell) e Ken (Brendan Gleeson), que são mandados para Bruges na Bélgica, pelo seu chefe, após Ray ter assassinado, por engano uma criança. Ray incorpora o prisioneiro do século XVII que foi mandado para a Sibéria. Bruges para ele é o fim do mundo. O fato de a Bélgica estar na Europa parece algo incompreensível. “Fucking Bruges” sai de sua boca fala sim, fala não.
Embora Ken tenha que matar Ray, não o faz, afinal, ali dentro bate um coração (os personagens são um pouco mais profundos do que crosta de creme brûle). O chefe dá as caras pessoalmente para resolver o problema. A cena final é a definição de ironia; o próprio Aurélio não o faria melhor.
A cidade de Bruges não poderia ser melhor retratada. Raramente, uma cidade é tão fidedignamente filmada. O pintor Hieronymus Bosch, flamengo, é homenageado no filme. Estão fazendo um filme sobre sua obra, rodado nas ruas da cidade. O ator principal é um anão. Engraçadíssimo, porque é racista! Para ele o mundo vai enfrentar o dia cabalístico, quando TODOS se enfrentarão numa guerra de pretos contra brancos.
“-Mas e os asiáticos?
Anão: Pretos!
- Mas e os indígenas?
Anão: Pretos!”
Mais engraçado ainda porque Bosch pintava monstrengos. Agora, quem não achar engraçado o que não é politicamente incorreto, um anão como ator de um filme sobre monstrengos, que ainda por cima é racista, NA MIRA DO CHEFE não será engraçado.
Juliana Cavaçana - Juliana Cavaçana, 27, formada em administração pela FEA/USP. Descobriu que o mundo corporativo é muito chato e enveredou para o jornalismo (Anhembi Morumbi). Adora cinema. Sem conhecimentos técnicos sobre película e ângulos de filmagem, mas uma boa tagarela, escreve sobre a sétima arte mesmo assim. "É só dar asa que nóis avoa!"
Blog pessoal: PIPOCA E PIRUÁ
O porquê da Pipoca. O porquê do Piruá. Velhos companheiros de cinema, a pipoca leva toda a fama, mas não nos esqueçamos do Piruá: o grãozinho preto, torrado, que não teve a honra de estourar, cada vez menos freqüentes nas grandes cadeias de cinema, que otimizaram a arte de fazer pipoca. Tributo à pipoca e ao piruá!
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