Se você perguntar pra qualquer pai ou mãe se vale a pena ter filhos, obviamente que num uníssono todos dirão: claro que vale.
Sim, vale a pena e não trocaria esta experiência por nada.
Agora… no choque inicial, ah, nisso ninguém fala! É o segredo mais bem guardado! Quando você anuncia a gravidez pros amigos, principalmente os que já tem filhos, as congratulações seguidas de sorrisos escondem a verdade: aqueles sorrisos significam: bem-vindos ao “nosso” mundo. A risadinha deles é mais sarcástica que feliz… eu diria, quase diabólica…
Gravidez não é um passeio na praia. São nove meses de tortura: azia, pontapés nas costelas, aquele típico andar de pata choca, pés inchados, alterações de humor, peitos doloridos; a lista de desconfortos é imensa.
Nos meses finais da gravidez, eu me lembro de todo mundo dizendo pra aproveitar pra dormir que depois não teria mais sono. Como assim, mané? Eu já não dormia há tempos! Não apenas porque não havia posição nesse mundo que fosse confortável pra dormir com aquele barrigão, como as freqüentes idas ao banheiro não me deixavam dormir. E ainda iria ficar pior? Sim… fica pior, acreditem…
No ultimo mês, então, é uma verdadeira guerra psicológica: o bebê não tem mais espaço pra se mexer e simplesmente não perdoa estômago, fígado, intestinos e bexiga da mãe. Qualquer dorzinha, você já fica desconfiada: Será que é o bebê chegando? Não, muitas vezes são apenas gases, mas mesmo assim, você corre pro médico, muitas vezes mais de uma vez por dia (sim, sim, eu fiz dessas!).
Aí chega o grande dia: o bebê nasce. Eu nunca vou me esquecer da primeira vez que segurei minha filha nos braços. Meu primeiro pensamento foi: “O que foi que eu fiz???”. Sim, um misto de alívio, pânico e pavor tomam conta, mas ninguém diz isso assim abertamente.
Esqueça todos aqueles filmes maravilhosos de Hollywood que mostram as mães felizes e radiantes depois do parto. A gente não vira mãe 2 segundos depois que tem filho. Ser mãe é um aprendizado. Aquele papo de instinto maternal também é outro conto: a gente aprende com o tempo, ninguém nasce com ele. Nos dias em que você fica no hospital, tudo é beleza: enfermeiras, médicos ajudam e dão conselhos… Você “acha” que tá fazendo tudo certo…
Mas os primeiros dias em casa com aquele bebezinho são os mais estranhos, quase um desespero. Agora são apenas vocês dois ali, mano a mano. Você não sabe por que ele chora (é cólica? fome? Gases?), não sabe se você está fazendo tudo certo, não dorme, não come, fica exausta, liga pro pediatra 12 vezes por dia, perde a noção do tempo, se esquece de tomar banho, veste a mesma camisa vomitada dias a fio. Nos livros sobre bebês, tudo parece ser uma ciência exata, fácil, fácil… Meu conselho? Não gaste dinheiro comprando esses livros!
É uma estrada longa. Ninguém te diz isso. Mas aos poucos você aprende a conhecer melhor aquele serzinho (e ele a você!).
O amor cresce, sim, cresce muito! Cresce tanto que você não acredita como é possível amar tanto uma pessoa!
Agora que a minha filha já está com 3 anos, falante, engraçada, arteira e, quem diria, toda “independente”, eu já me sinto pronta pra outra, afinal, passado o choque inicial, acredite, o resto a gente tira de letra!
Ah, você está lendo este texto e esta grávida? “Parabéns”!!! ;)
Julia Tiburi Grashoff - Júlia Tiburi Grashoff é formada em Publicidade e Propaganda pela PUC-RS. Uma das primeiras colaboradoras do Argumento, antigamente escrevia sobre suas andanças pelos lugares onde morou, nos 4 continentes, incluindo Japão e Alemanha. Desde 2003, mora nos EUA. Em 2005, sua vida mudou com o nascimento da sua filha, Kirsten. Hoje, faz parte de um grupo de 23 mil mães, espalhadas em 29 estados americanos que, juntas, prestam assistência a outras mães, organizam eventos de caridade e, de vez em quando, fazem passeatas em frente à Casa Branca! Mesmo com seu dia-a-dia lotado, agora ela está de volta, com a COLUNA WHO'S YOUR MAMA?, atualizada quinzenalmente aos domingos. E vai falar da sua vida na terra do Tio Sam, dos prazeres de ser mãe e de coisas bem mulherzinhas...
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Parabéns Julia!!!
Adorei a descrição. É a mais pura verdade. O meu filho já tem 15 anos, mas eu ainda lembro bem de todas as noites mal dormidas e de toda angústia por não saber se estava fazendo a coisa certa.
E sabe o que é pior?
Eles crescem e a preocupação não diminui. Ao contrário. Minha mãe já havia me avisado, mas a sabichona não acreditou.
Parabéns de novo!!!
Um abraço
Margarete
Pois, não é que é verdade? E quando crescem escorregam para a vida e nós queremos ir atrás. É muito bom ser mãe,mas bom mesmo é ser avó! Eu já sou, pra ti vai demorar um pouquinho ainda… rsssss
Adorei o texto, curte tua filhota o mais que puderes o tempo voa.
Parabéns! um abraço, Gilka
Júlia, sua descrição destes momentos terríveis e ao mesmo tempo preciosos é muito boa. Eu sempre falo para minhas amigas que ser mãe não é mole. Mesmo.
Vou mandar seu texto para uma amiga desavisada.
Um abraços,
Cristianne.
Julia,
Ninguém nunca descreveu tão bem o que acontece, quando somos mães … PARABÉNS.
Olá.
Estava fazendo uma pesquisa pela www e achei seu texto.
Eu minha mulher não temos filhos por “imposição” da vida e também por opção. Optamos por não termos filhos diante das adversidades e incertezas que o futuro reserva a pais e crianças.
Seu artigo é leve, bem-humorado e lúcido, e ensina o leitor a ser responsável se for um bom entendedor.
Parabéns pelo texto.