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categoria: MY LITTLE GREEN ROOM

MULHERES E DRAMATURGIA

O início desse mês foi dominado por discussões nas várias mídias sobre feminismo e o teatro. Tudo porque a estudante de pós-graduação Emily Glassberg Sands publicou um estudo sugerindo que mulheres dramaturgas são sistematicamente discriminadas – especialmente, por outras mulheres. A notícia causou polêmica e os mais diversos blogs e colegas do meio não cansaram de falar do tema. Achei que também tinha chegado a minha vez.

Acho bom que isso esteja sendo discutido, porque me afeta. Ainda mais agora que recém estou começando a me lançar no grande barato que é escrever uma peça. Mais do que isso, recentemente tenho trabalhado com textos fantásticos e intrigantes escritos justamente por mulheres. O Halcyon Theatre de Chicago todos os anos monta textos exclusivamente escritos por mulheres dentro de um festival de verão que chamaram Alcyone. Tony Adams, diretor da companhia, é o criador dessa ideia.

No blog dele, Tony sugere algumas formas de aumentar o número de peças (hoje apenas 20% do total) produzidas que sejam de autoria feminina : “Lermos mais peças ótimas de mulheres; produzirmos mais peças ótimas de mulheres, assistirmos mais peças ótimas de mulheres; ou pelo menos comentar com outras pessoas sobre uma nova autora que você acabou de descobrir e que adorou.”

Claro, ele pode fazer as quatro coisas, mas com certeza cabe a nós ao menos espalhar no boca a boca os elogios que tivermos sobre os trabalhos de autoria feminina. E não é por ser de autoria feminina que uma peça automaticamente se resume a tratar de temas domésticos ou de sexualidade. A peça na qual participo no festival Alcyone, de autoria da canadense Jennifer Fawcett, chama-se “A guerra do fazedor de brinquedos”, cujo tema é a guerra da Bósnia de 1995 e a ética jornalística.

Dentro do playlab que estou fazendo com o Teatro Luna, somos apenas mulheres, todas talentosas e cada uma trazendo para a mesa sua própria voz, autêntica, verdadeira. O Teatro Luna também está agora fazendo uma série de leituras dramáticas. Uma vez por mês, às segundas, tem Lunadas, sempre apresentando um texto de autoria feminina. Eu fui convidada a participar e adorei trabalhar com essa companhia. Sempre tinha sido um desejo meu, e agora sinto que isso está acontecendo através do playlab e dessa Lunadas.

O texto era “Catalina de Erauso”, texto de Elaine Romero. Elaine é uma dramaturga estabelecida, mas esse texto é novo. Ela veio a Chicago especialmente para acompanhar, e ainda mexeu, reescreveu entre um ensaio e outro. O texto é ótimo e a leitura foi divertidíssima. Taí, tô fazendo a minha parte: Elaine Romero. Uma dramaturga que acabei de descobrir e que vale super, super a pena.

Petrucia Finkler - De volta ao Brasil, vive em São Paulo, depois de uma longa estada em Chicago. Antes de redescobrir sua paixão pelas artes cênicas nos Estados Unidos, era repórter e apresentadora de televisão em Porto Alegre, RS. Formada em jornalismo pela UFRGS, esta é a segunda vez que ela participa no Argumento, e está muito feliz com este retorno.
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Comentários

Um comentário para “MULHERES E DRAMATURGIA”

  1. olá! entao achei muito interessante esse tipo de trabalho pois como estudante de letras, amante do teatro e a favor dos direitos femininos penso que ja esta mais do que na hora da mulher mostrar seu potencial nesse ramo.

    Posted by camilla nobre santana | March 27, 2010, 15:32

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