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categoria: MY LITTLE GREEN ROOM

AGOSTO

Tenho andado calada, eu sei.
Fim de verão, vida pessoal corrida

cheia de acontecimentos
cheia de preparativos
que não posso, não devo
não é bom falar

antes que aconteçam.
Cruzo os
dedos em antecipação
. Rezo, peço, imploro.
Será
que os deuses dessa vez olham pra mim com a confiança de que estou pronta pro meu desejo?

 

Das artes:
Tenho
escrito pouco. Minha peça anda pendurada e trabalho na corrida antes de ir pro meu playlab. Minha indisciplina está roubando o melhor de mim. Merda isso. Quero terminar essa comédia de erros que estou fazendo antes de Outubro. Está na hora. De tirar essa história de mim, pari-la, para poder gestar outras e mais outras que também querem a sua chance de ir pro papel.

Estou preparando um espetáculo com o TerraMysterium, meu grupo de performances. Uma homenagem à estação escura, Halloween, Samhain, Dia de los Muertos. Vamos falar da morte e do medo. Vamos fazer auditions dia 29 com quase todos os horários cheios de atores, músicos, cantores, acrobatas, mágicos, bailarinos… Vai ser ótimo, estar do outro lado e ver as pessoas se esforçando, em cinco minutos pra mostrar seu talento. Cinco minutos tão injustos.

Estou num filme, PARALLEL UNIVERSE. Vou fazer uma stripper que não tira a roupa. Ela tem problemas sérios com a bebida e está no consultório de um psiquiatra. Estou animada pra esse papel. Acho que eu tenho uma desculpa legítima para fazer uma saída a campo em nome da pesquisa necessária para a personagem! Começo a filmar em Setembro

.

Além disso, também preparo um ritual que eu mais duas amigas vamos coordenar para um evento do festival da colheita em fim de setembro – uma combinação de colheita com o equilíbrio da luz no equinócio. Estamos criando, tecendo, escrevendo. E eu vou também costurar. Inventei de criar corações de feltro, anatomicamente corretos para distribuir para cada participante. Eu sou uma doida de me meter a fazer isso, mas os corações estão ficando lindos! Como eu poderia deixar de fazer corações humanos feito almofadinha? Com suas válvulas aparentes? Tão melhores que os chatos corações dos milhões de “I love yous”, os com flechas riscados nas árvores e típicos dos “dias dos namorados” across the globe.

 

Coisas pagãs que eu amo, e uma bela oportunidade de currículo bruxístico por ser um ritual grande numa organização respeitada. Pra mim um ritual é como uma instalação. Eu sempre amei instalações artísticas, pois somos envolvidos pela obra com todos os nossos sentidos, transportados dali, pelo artista, a uma outra realidade. Ditto para um bom ritual.
Minha antiga priestess dizia que um bom ritual é igual a bom sexo. Concordo.Sempre acontece isso. Eu sinto como se minha vida estivesse quase parada. começo a colocar no papel o que ando fazendo e a lista me surpreende em seu tamanho
.
Ai, ai… nossas eternas
inquietudes humanas e a fragilidade do vício mutante do geminiano.

 

 

Petrucia Finkler - De volta ao Brasil, vive em São Paulo, depois de uma longa estada em Chicago. Antes de redescobrir sua paixão pelas artes cênicas nos Estados Unidos, era repórter e apresentadora de televisão em Porto Alegre, RS. Formada em jornalismo pela UFRGS, esta é a segunda vez que ela participa no Argumento, e está muito feliz com este retorno.
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