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categoria: DRY MARTINI

A KATYELLEN DA ALVORADA

Tô carente, neném. Tô querendo amor latino, chicano, tropical. Tô brega, tô ruim, tô ótima. Churrasco de domingo sem carne, arroz queimado, maionese quente. Soweto e alto-falante, Kolene no cabelo, copinho descartável. Saia lycra de segunda, Moleca da Hebe, ilha de Caras. Tô melancólica, tô na pista, tô assanhada. Tô pra negócio, neném. Bom Bril na parabólica, meia atrás da geladeira, Domingo Legal. Cerveja Itaipava, amendoim em potinho, bolo de fubá. Escort velho, suspensão baixa, adesivo Sex Machine. Palito no canto da boca, discussão de futebol, oração pra primo drogado. Tô molhada, neném. Tô dançando bambolê. Banho no Lami, sacolé de uva, pochete de lona. Coca 2L e sanduíche de atum em cima do capô, sapatênis bege, cabelinho com gomex. Unha suja de terra, Havaianas-sola-azul, abrigo de tactel Dr. Beach. Tô brega, tô ruim, tô ótima. Tô querendo amor latino, chicano, tropical. Tô carente, neném.

Mariana Melleu - "Não tinha nada que ver com o poder invisível que ensinava a respirar para dentro e a controlar as batidas do coração, e lhe havia permitido entender por que os homens têm medo da morte."
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