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categoria: DRY MARTINI

É O PROGRESSO, TIA CLEMENTINA

Não chegou a entrar na moda jogar sapato em presidente, embora tenha virado moda falar sobre isso. Dessa vez, em nosso estado, presenciamos um ato inadmissível ocorrido com uma professora estadual. Saiu na Zero Hora do dia 23/03/2009, que a educadora Gláucia Terezinha Souza da Silva foi levada ao Hospital Pronto-Socorro de Porto Alegre, após ter sido acometida por uma aluna da Escola Estadual Bahia. Retirado de O Globo, “a agressão ocorreu quando Gláucia foi até a sala de aula da estudante da 8ª série para buscar a aluna e levá-la à direção. A adolescente alega ter sido ofendida e admite ter empurrado a professora, que bateu a cabeça na parede e desmaiou.”
A cena foi testemunhada pela professora que dava aula à menina, quando Gláucia entrou na sala, que confirmou a versão da estudante. Mais uma vez, o público não fica sabendo do que de fato aconteceu na escola, mas nem por isso deixamos de ligar os pontos – não há explicação para uma aluna levar uma professora à internação hospitalar. Isso apenas traz mais uma vez à tona a situação de caos em que nossa sociedade, e não só a sul-rio-grandense, se encontra. Situação na qual, oficialmente, não é deixado claro, pela imprensa, quem é vítima e quem é vilão, situação na qual se desvirtuam as relações de autoridade e de respeito.
Não há nada a sentir pelo jornalista iraquiano que jogou seu sapato no ex-presidente dos Estados Unidos e não há nada a sentir por essa menina, pois são indivíduos que, quando lhes falta a capacidade de guiar a civilidade, apelam para o vulgar e para a inépcia sem, depois, em ambos os casos, sentirem-se arrependidos. Sobre o que falta para essas pessoas deixarem a selvageria já muito se discutiu, levantaram-se hipóteses e possíveis soluções. No entanto, todo o empenho em tentar transformar tal realidade parece ser exaurido quando, ao fim do dia, o jornalista é recebido com festa em sua cidade, e considerado um herói por seu ato, e essa mesma menina chega em casa e ganha um abraço cordial de seu padrasto – o mesmo que declarou a Zero Hora que “as professoras têm de dar o exemplo. Não podem xingar aluno.” Quando isso acaba?

Mariana Melleu - "Não tinha nada que ver com o poder invisível que ensinava a respirar para dentro e a controlar as batidas do coração, e lhe havia permitido entender por que os homens têm medo da morte."
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