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categoria: DRY MARTINI

COMO UN CAMPANARIO EN LAS MANOS DE UN LOCO

Quis saber onde era o banheiro, como era o banheiro, que tanto acolhe destroços da vida dos outros, que sempre foi um bom ouvinte. Para os perdidos, para os mesquinhos, entre os afogados e os ricos, o banheiro é o mesmo, abre suas portas pra qualquer um. E qualquer um sempre entra, e chora, e vomita, e arruma a maquiagem. O cheiro não mente, evidencia aquilo que os inúteis tentam esconder. Doenças e dores entram e saem, traições e até negócios. Tem quem ganhe a vida no banheiro, e que vida. Palavras deixadas nas paredes, que depois da meia-noite se tornam outras palavras mais, que se apagam. Sempre achei engraçado as pessoas levarem uma caneta pro banheiro, até que comecei a levar também. Mas não consegui escrever nada, fiquei com a caneta na mão. Criam-se fantasias que, bem se sabe, nunca serão realizadas, são sonhos no diminutivo. Qualquer um entra no banheiro e se olha no espelho querendo ser um outro qualquer, querendo que o mundo fosse tão bom quanto qualquer um é. Eu entrei, porque fiquei cansada. Por causa dos sorrisos sinceros, dos abraços, de tudo mais que não fosse menos. Eu entrei, porque eu só precisava de desacertos e do incorreto – e foi exatamente isso o que o banheiro me deu.

Mariana Melleu - "Não tinha nada que ver com o poder invisível que ensinava a respirar para dentro e a controlar as batidas do coração, e lhe havia permitido entender por que os homens têm medo da morte."
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