Já nem sei qual é, talvez, o meu tamanho. Um pé depois do outro, quando não perco o ritmo pra derrotas incessantes. Carências de filosofia, uma realidade de tédio. Hoje, ontem, depois fervem na cabeça. E isso ecoa. Tento viver num círculo doentio, uma ciência pervertida criada prum bando de loucos. Sejam ricos, populares, fantoches, minorias. Grupos cujas manias superam toda a falta de bom senso. De qualquer senso. São raivas contidas, locuções em alto tom nos passos calculados e nas confissões ao fim da festa. De onde vêm tantos ruídos? Dispersamos todas as velhas motivações, que hoje não nada além de vergonha. A gente tenta, e tenta, e tenta. A gente bem que tenta nos despreocupar com o adiante, mas pelo quê, então, planejaríamos o futuro? Sorrio amarelo pras verdades ditas entre dentes, antes mentiras bem faladas. Só que, pensando melhor, também as mentiras andam, assim, tão líquidas. O que se afirma ante essa sobriedade hedonista? Eu quero unha na carne, bala fria no coração, dor sincera. Eu quero a dor sincera da não rendição. E essa dor… ah, essa é uma dor tão boa…
Mariana Melleu - "Não tinha nada que ver com o poder invisível que ensinava a respirar para dentro e a controlar as batidas do coração, e lhe havia permitido entender por que os homens têm medo da morte."
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