Achei uma cura tão insuportável pros meus dias insanos. Andaram dizendo que eu sou uma pessoa melhor quando tô contigo e eu passei a acreditar, e a tentar ser melhor, mesmo sabendo que isso não tem nada a ver com meu eu sincero. Não mudei, mas mudei. Me peguei nos momentos de distração não mais cantando sozinha ou falando sozinha, mas, sozinha, lembrando daqueles dias. E isso me deixa nervosa, isso me deixa suando, com raiva. As coisas mais banais, ler, dormir, comprar, falar são agora desculpas pra pensar em nós. É uma inquietação, que às vezes acaba até em arrepios sem propósito, desejos que eu nem sei quais são. Daí, eu vejo o meu redor se relacionar tão bem, eles fazem tudo parecer tão fácil. E não é, não é fácil pra mim, pra gente. Vejo, e vejo, e vejo de novo as fotos, leio os recados, te sinto escrevendo aquelas breguices nas minhas costas. E eu sinto saudades. Depois eu sinto vontade. Eu reluto em dar nome pra coisas que foram criadas para não ter denominação, porque é nisso que eu acredito. E, ironia, até isso tu fez eu querer relevar. Eu falo mal, e falo errado, e bato, e brigo, e acho tudo tão hipócrita, tudo tão sufocante. Não admito que perco a racionalidade pro teu jeito de dizer que me quer na tua vida. Apago a luz. Continuo com aquela mesma antecipação de atos, freneticidade das palavras. Mas agora é a minha vez de decorar meus passos no escuro, cuidando pra que tu não acorde.
Mariana Melleu - "Não tinha nada que ver com o poder invisível que ensinava a respirar para dentro e a controlar as batidas do coração, e lhe havia permitido entender por que os homens têm medo da morte."
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Parabéns! Belíssimo texto.
Abraço, Gilka Coimbra
Acho q todos tememos a morte por não a conhecermos, não?…
Bons textos os seus.
bj.