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categoria: MURAL

TEM QUE SER FORTE

A gente não está acostumado a ouvir tiro. Pelo menos eu, não. Lembro que uma vez estava fazendo uma matéria no centro de Porto Alegre e de repente começou um tiroteio. Só fui me antenar o que era quando as pessoas já estavam jogadas no chão para se proteger das balas perdidas.

 

Domingo foi diferente.

 

Estava no meio do parque da Redenção, em Porto Alegre, com milhares de pessoas ao redor, quando começaram as balas. O desespero foi muito maior. Não vou esquecer as mães fugindo para não sei onde com os filhos arrastados pelas mãos. Não vou esquecer as velhinhas com olhos arregalados procurando abrigo em lugar nenhum. Não vou esquecer as milhares de pessoas ao mesmo tempo tentando fugir de um lugar onde foram descansar. Dizem que foi uma briga de gangues. Eu jurava que era arrastão. Também tive dificuldade para fugir. Não havia um só caminho. Quando todos tentam sair ao mesmo tempo por lugares diferentes, a tranqueira é geral. Um cara morreu no tiroteio. E não era bandido. Podia ser qualquer um de nós.Esta semana deixaram um artefato dentro do túnel da Conceição, uma das principais saídas da capital. Antes que a “bomba” estourasse, a polícia fechou as ruas. Caos generalizado. Ontem assaltaram a lotação onde estava a colega Carol Borne que ia para o trabalho. Um bandido cagão, segundo ela, que pegou o dinheiro do motorista e só meteu medo nos passageiros.

Hoje, assaltaram a guarita do estacionamento da TV. Dois bandidos renderam o vigilante que estava lendo um jornal. O que levaram? Duas armas que ele tinha. Estavam de cara limpa. Não eram nem oito horas da manhã.

Cristiano Dalcin - 35 anos, é jornalista e mora em Porto Alegre.
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