Estou há 29 dias sem ouvir ou assistir ao DVD da Adriana Partimpim! Parece coisa de alguém que quer abandonar um vício ou algo assim. De fato, é um vício, mas do meu filho, de três anos recém feitos.
Quando estava grávida, decidi que continuaria ouvindo as músicas de que gosto (quase que exclusivamente música brasileira) e incluí algumas coisas de um repertório mais infantil em minha vida, por exemplo, Adriana Partimpim, Os Saltimbancos e Arca de Noé. Continuei com isso depois que ele nasceu.
Ele gosta muito de alguns CDS e, principalmente de alguns DVDS meus. No entanto, o DVD da Adriana Partimpim passou a ser o mais tocado. No começo, ele a chamava de “titia”, até que eu consegui ensiná-lo a dizer “Adriana Colcanhoto”. Ele via o DVD manhãs inteiras, repetidas vezes. Começou a juntar tralhas para imitá-la e sabe de cor cada música e cada gesto. Tanto que ao ouvir o CD ele diz: “essa é com violão”, “essa é com a guitarra”, “agora preciso da caixa de música”, “essa é de tocar sentado”.
O presente de que ele mais gostou de ganhar no Natal foi um microfone com o tripé! Um dia disse na escolinha que a “Adriana Colcanhoto” estava na casa dele, esperando ele chegar pra tocar com ele!!! E o pior, a professora, a psicóloga e a orientadora pedagógica acreditaram e queriam vir em nossa casa conhecê-la!
Eu, que sempre adorei a Adriana Calcanhoto, que fui nuns cinco shows dela, passei a não suportar mais ouvi-la. Cheguei a pensar a escrever para ela implorando por uma continuação do projeto “Partimpim”. E nada resolvia para ele parar com isso: apresentava-lhe outras opções femininas, masculinas e algumas infantis (como Toquinho para Crianças, Palavra Cantada), mas nada resolvia, ele sempre pedia mais a “Adriana” e eu ficava com pena de privá-lo de algo de que gostava tanto e botava o DVD.
Há 29 dias fomos visitar minha mãe em Porto Alegre e eu estava tão cansada disso, que menti para ele que não tinha levado o DVD. Ele aceitou isso e passou os quatro dias lá sem pedir. Ao voltarmos para casa, ele passou a se distrair com outras coisas e não pediu mais. Até hoje de manhã, quando me perguntou: “Mãe, onde t;a o meu DVD da Adriana?”. O que eu fiz? Fiz que não ouvi e depois de uns minutos falei de outra coisa com ele e por enquanto o assunto morreu.
Acho que mais cedo ou mais tarde ele vai pedir de novo, afinal ele tem todas as tralhas para fazer o show. Contudo, eu fico na torcida para que seja mais tarde, quando talvez, eu também tenha vontade de ver novamente.
Cristina Cornutti Barbosa -
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