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categoria: MURAL

BRIGA BOA

Estreou, no último dia vinte quatro, mais uma desesperada tentativa de por fim à hegemonia da rede globo no mercado das telenovelas; a Rede Record vem investindo pesado para conquistar, por hora, o segundo lugar no ibope, mas com um olho lá no primeiro. Várias tentativas de desbancar as novelas globais já foram feitas. Pantanal, em 1989, chegou a incomodar a Vênus platinada, empresa que, logo após o fim, contratou em peso o elenco e o diretor da novela pantaneira.

Alguns anos depois, foi a vez do SBT investir com mais força no mercado, lançando a encantadora Éramos seis, que fez sucesso, chegou a cutucar. Novamente ao final da novela, a globo tratou de chamar boa parte do elenco para seu casting.

O tempo passou, o SBT investiu em tramas mexicanas açucaradas, de péssima qualidade que em nada incomodam a globo. Agora, a Record faz mais uma tentativa e, por enquanto, a mais contundente de todas. A emissora dispõe do principal para fazer frente a toda poderosa: dinheiro. Record investiu bilhões na criação de seu núcleo de teledramaturgia, construiu uma espécie de Projac , o Recnov, que abrigara as cidades cenográficas na capital fluminense, vem assediando sem pudores o casting global, seus diretores, autores, pessoal da técnica e, principalmente, as estrelas da casa. Até que enfim alguém para incomodar de vez.

Para os profissionais da área, isso é fantástico, já que abre o mercado de trabalho, muitas vezes tão cruel. A globo dá preferência para caras bonitas e estrelas de primeira grandeza, relegando assim grandes atores a papéis sem destaque, e são esses que começam a migrar sem medo para a outra emissora.

Uma das grandes aquisições da Record foi contratar Lauro César Muniz, autor de sucessos globais (Roda de fogo, O salvador da pátria, Chiquinha Gonzaga) para inaugurar seu segundo horário de novelas. E é com o aval do nome de Lauro César que mais atores vão mudar de endereço. Para completar, foi contratado Edson Spinello, diretor do sucesso teen Malhação, para implantar o terceiro horário de novelas e uma soap opera teen.

De concreto, a Record inaugurou seu núcleo com garantia de sucesso: adaptou pela segunda vez o romance de Bernardo Guimarães, A Escrava Isaura, simplesmente a novela mais vendida de todos os tempos. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi sucesso; nada estrondoso, mas conseguiu com que a casa garantisse o segundo lugar na audiência do horário e firmasse seu núcleo.

Adaptação competente de Tiago Santiago, boa direção do ex-global Flávio Colatrello (Perigosas Peruas) e um elenco de caras conhecidas, mas esquecidas. A protagonista Bianca Rinaldi não comprometeu, mas não chega nem perto de Lucélia Santos. Patrícia França, que vivia na geladeira na globo, roubou a novela com a escrava Rosa. Porém, tivemos que aturar atuações sofríveis como a de Théo Becker, ex-paquito e irmão de Fábio Assunção em Celebridade, como protagonista.

Depois veio Essas Mulheres, adaptação de 3 textos de José de Alencar, que sem ser sucesso ou fracasso, consolidou mais um pouco o núcleo e tinha seu público cativo, principalmente os mais velhos. A qualidade técnica cada vez mais apurada, cenários e figurinos luxuosos e mais atores globais como Ana Beatriz Nogueira (que roubou a cena), Gabriel Braga Nunes, que fez o mocinho muito bem, e Christine Fernandes, uma ex-global que foi alçada a protagonista e não decepcionou, garantiram bons momentos.

Mas a prova de fogo da Record é agora, com sua primeira novela contemporânea, com todas as características de uma autêntica trama global: atores bonitos, praias, imagens da cidade maravilhosa e etc. Prova de amor, em uma semana de exibição, já é segundo lugar, sempre com dois dígitos no ibope. A qualidade aperfeiçoada cada vez mais, a começar pela abertura; trilha sonora de primeiríssima, cenas de ação, texto envolvente e direção muito competente de Alexandre Avancini (que veio de onde? Globo) estão cativando os telespectadores.

A novela tem um conjunto de fatores que está dando certo, e é assim, com um sucesso pequeno em cada trama, que a emissora vai comendo cada vez mais fatias desse bolo. Patrícia França mais uma vez está arrebentando como a policial Diana, e reforça a dúvida de por que alguns atores não rendem o que podem na globo. Patrícia é o primeiro nome do elenco e, assim como Bianca Rinaldi (ainda com talento duvidoso), já são estrelas da casa. Marcelo Serrado, ator global há anos, é o mocinho Daniel, e Lavínia Vlasak, eternamente destinada a coadjuvante, é a mocinha. O casal tem química e convence nos papéis. Outro presente da Record é trazer ao ar atrizes esquecidas e extremamente talentosas como Ítalla Nandi e Esther Góes.
Leonardo Vieira, que faz o vilão, está um pouco caricato, mas ainda dá para corrigir. Vanessa Gerbelli, a outra vilã, está bem em cena. Mas ainda somos obrigados, assim como na globo, a agüentar atuações sofríveis como a de Cláudio Heinrich e, novamente, Théo Becker.

Prova de amor tem trama, direção, bons atores e legitima o núcleo da Record. Vamos torcer para que essa tentativa dê certo, vamos torcer para o povo esquecer o pré-conceito com novelas de outras emissoras e vamos torcer para rever grandes atores, há anos esquecidos pela rede globo, como: Lucélia Santos, Myriam Pérsia, Geórgia Gomide, Renée de Vielmond e muitos outros. Sucesso e vida longa ao núcleo de teledramaturgia da Record.

 

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