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categoria: ADOLESCENDO

FORMATO MÍNIMO

O vento soprava na nossa direção enquanto caminhávamos pela rua, eu sempre seguindo os teus passos, sem saber exatamente o que procurar. Minha mente estava presa a pensamentos espontâneos que surgiam enquanto eu te observava. Cheguei a sentir uma vontade quase incontrolável de compartilhá-los contigo, mas hesitei. Não adiantaria. Uma coisa era pensar, sentir. Nada além palavras e sensações que não se ligavam umas com as outras, de uma forma que ficava meio impossível transformá-las em qualquer coisa mais concreta.

Sem falar nada, sentamos no mesmo lugar da semana anterior; lado a lado, mas quase como se uma presença ignorasse a outra. Ainda estávamos em silêncio quando voltamos para o lugar de onde saímos, as pontas dos dedos num toque quase inconsciente. Qualquer um que tivesse nos acompanhado naquele trajeto teria achado, pelo menos, estranho, tanto silêncio e tanta expressão de afeto ao mesmo tempo. Era quase que incompreensível, mesmo. Mas aquilo não cabia a mais ninguém além de nós, e quisera eu que tu tivesse percebido isso antes.

Era amor no formato mínimo aquele nosso. Ia aumentando na medida em que o contato ficava mais próximo. Até então, se os lábios se tocariam ou não, era problema meu e teu. Mas eles se tocaram. E o problema deixou de ser nosso. Pessoas que deveriam ficar longe foram se envolvendo cada vez mais, já que tu não conseguia deixar de compartilhar as coisas que aconteciam entre nós. Era esse o teu maior problema: ficar em silêncio nunca era possível. E tudo acabava caindo em mãos erradas.

Eu já devia ter aprendido. Era o mesmo erro sendo cometido novamente, depois de tantas vezes perdoado – e, em todas elas, jurei ser o último perdão. Mas, ao contrário disso, eu já sabia que ficar com raiva não adiantaria mais; ela iria passar e, depois disso, tu saberia exatamente como me atrair de volta pra ti. Não adiantava evitar. Era o extinto, a vontade de estar contigo que sempre falava mais alto. Tão alto que tomava conta de mim por dias inteiros, sem intervalos.

Tão alto que hoje eu nem consigo mais imaginar como tudo seria se eu não contasse com a tua presença ao meu lado. Seja do jeito que for, cometendo todo e qualquer erro. Tudo é tão pequeno comparado a um só sorriso teu… Que ele afasta cada possível pequena dúvida. E a gente já sabe que não dá certo. E que a gente gosta do que é errado. Então, que continue sendo errado. Eu nunca quis um filme romântico, mesmo. Longe disso. Eu gosto de qualquer coisa às avessas, complexa o suficiente pra que algumas pessoas não entendam.

E aí a gente volta pro início, caminhando pelas ruas em silêncio, buscando o mesmo lugar de sempre. O silêncio é o teu único jeito de mostrar que reconhecia o erro. E os dedos, e os lábios… Isso tudo, mais uma vez, deixa de importar. Tocam-se naturais, quase inconscientes. Até errar de novo. Como num ciclo.

Gabriela Borges - Gabriela Borges, 14 anos, estudante do Primeiro Ano do Ensino Médio. Interessada por qualquer coisa que envolva algum tipo de arte. Busca na escrita uma forma de botar pra fora tudo o que sente através das palavras.
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Comentários

5 comentários para “FORMATO MÍNIMO”

  1. Minha filha,
    A possibilidades de escrever com essa sensibilidade é uma “ação sublime”.Teu interesse pela arte é uma grande riqueza que tu demonstra desde muito pequeninha. Segue em frente, minha querida!!

    Um grande beijo da mãe que te ama muito e tem muito orgulho de ti.
    Mãe.

    Posted by Giovana Borges | April 6, 2009, 19:13
  2. Gabriela

    Teu texto é lindo!!!!

    As emoções que descreveste com tanta sensibilidade e delicadeza senti como se fossem minhas.

    PARABÉNS!!!!
    Margarete
    (professora e parceira no amor a escrita)

    ;

    Posted by MARGARETE HÜLSENDEGER | April 8, 2009, 15:43
  3. Parabéns pelo texto.Tuas palavras te revelam. Escrever nos tira do “limbo”. Segue em frente!
    Abraço, Gilka

    Posted by Gilka | April 9, 2009, 2:47
  4. ai ai ai, minha gabi crescendo tao longe dos meus olhos :/ uahsauhs eu te amo, mãe! continua escrevendo assim e me mostrando sempre! hahaha

    Posted by Julia | April 10, 2009, 11:40
  5. Gabi.
    Tipo, eu ainda to tentando descobrir um jeito de te explicar o quanto eu gosto das coisas que tu escreve. Só sei que tu vai longe, girl. Sério. Tu consegue expressar em palavras coisas complexas, e de uma forma tão sensível, delicada e… er, fofinha (haha, não consegui encontrar outra palavra). Acho que a pessoa já nasce com isso dentro dela, sei lá. Algumas coisas são difíceis de explicar.

    Posted by Mariane | April 17, 2009, 18:00

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