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categoria: ADOLESCENDO

54 # ISMÁLIA – José Augusto Müller Neto

Naquele dia, num vai e vem que se apodera da alma quando sentamos à beira do mar, a vida ia e vinha também, acompanhada de espuma e cheiro de maresia. A vida se repetia. A vida tem se repetido, e indica que após ser levada pela maré ao sabor de cardume, voltará a se repetir! Repetindo o destino da areia de ir e vir, como tudo até agora.

Não é fantástico a sensação de estar à beira da praia com o vento no rosto e areia abraçando seus calcanhares?! Como Ismália, ali sentada no pico do pequeno cômoro de areia, acompanhada apenas dos seus cabelos despreocupados preenchidos de vento? Olhar a lua, como ela tinha feito até agora, desde que tinha chegado triste para consolar-se na companhia do ir e vir da vida?

Acreditava Ismália que todos nós, que nascemos, viemos com o intuito final de nos satisfazer, acreditava ela que estar vivo era o bastante, aprendendo a viver e a deleitar dessa escola maravilhosa que é a vida… Nascer e viver felizes, morrer felizes, sem nos darmos ao direito de ser triste.

Agora, com a tristeza batendo nas portas do coração (abandonado e só), imaginava ter cumprido seu curso de vir à terra feliz e partir feliz. “Um coração triste não tem por que viver“, ilustrava Ismália em sua cabeça tomada pela falta de razão.

Logo se alegrou em seu devaneio. Poderia agora se preparar para a felicidade e satisfação eufórica de completar seu ciclo (feliz) de “ir e vir”. Quando ainda criança, Ismália sentava-se ali, contemplando os pássaros em seus vôos, com o coração transbordando entusiasmo.

Voltava agora, como tudo na vida, ao cômoro onde era feliz, prontificada para voltar a ser Ismália com o coração pertencendo somente a ela mesma… Subiu a encosta que contornava a praia, ouvindo os sons do mar.

Logo tomou a água salgada que entrava involuntariamente em seus pulmões e pelos cortes em seu corpo inerte ao pé do cômoro e nas mãos do vai e vem do mar, da vida.

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# JOSÉ AUGUSTO MULLER NETO, zegutithas@hotmail.com – Aluno do primeiro ano do Ensino Médio do colégio Leonardo da Vinci. Este texto é livremente inspirado no poema Ismália, de Alphonsus de Guimaraens.

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