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categoria: SCRIBOMANIA

DEVER DE CASA

No primeiro dia de aula, foi solicitado, como tema de casa, descrever um objeto do cotidiano sem dizer-lhe o nome. Levou dois dias para decidir-se. Não pretendia ater-se somente à estrutura do objeto, numa descrição exata e simplista. Por e-mail, encaminhou o trabalho feito ao namorado. Queria saber a sua opinião.
 
A minha espera e sempre à disposição, tornou-se meu fiel companheiro. Permanece silencioso como um  escudeiro que só se manifesta movido por meus desejos, nem sempre tão claros e definidos. Incomensuráveis são os recantos que me encaminha e conduz. Com ele transcendo, viajo e visito lugares concretos ou imaginários, pouco importa. O que vale e significa são as múltiplas possibilidades por onde transito. Está comigo quando estou só. Leva-me ao espaço e às profundezas do mar. Orienta-me por museus e bibliotecas. Passeio com ele nas entrelinhas dos clássicos, nas telas dos contemporâneos, nos sons mais eruditos e nas ruelas distantes de pequenos povoados. Carrega-me ao encontro de novos e antigos amigos sempre que necessito.         Dissipa minhas dúvidas, aquieta minha curiosidade, estimula-me a ir além. Nesse incentivo exige rapidez, senso aguçado e discernimento na relação das escolhas estabelecidas. Envolvendo-me como ninguém, estimula diversas áreas do meu pensamento e exercita minha inteligência. Joga comigo. E mesmo que eu perca, saio ganhando, pelo desafio mental que me proporciona. Tornou-se meu confidente. Guarda sob senha, em absoluto sigilo, minhas aspirações e desejos. Com ele me exponho. Na análise que faço dos segredos revelados, me vejo. Quem é ele?
                                                             
Por e-mail, recebeu a resposta do ciumento namorado.
– Quem é ele? Quem é ele? – precisamos conversar…

Gilka Coimbra - Palavras. É disso que somos feitos – de palavras. Palavras nos identificam e nos diferenciam, conduzem-nos e dispersam, levam-nos à paz e ao sofrimento, nem sempre tão explícita. Palavras são verdadeiras e enganosas, traiçoeiras e amorosas. Dialogam e discutem, ferem e sensibilizam. A palavra quer contato, porque quer ser arte. Gilka Pierry Coimbra é profissional da educação, tem alguns textos publicados em revistas eletrônicas e sites literários e alguns artigos acadêmicos em periódicos universitários. Autora da COLUNA SCRIBOMANIA, atualizada quinzenalmente às segundas-feiras.
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Comentários

3 comentários para “DEVER DE CASA”

  1. Se eu fosse esse namorado também iria querer saber “Quem é ele?”. Será que esse individuo existe? Ou será que é apenas o reflexo de um desejo?

    Eu tenho segredo para contar: eu já o encontrei… Nas páginas de um livro!

    Parabéns pelo lindo texto nesse dia mais lindo que o do teu aniversário

    Beijos
    Margarete

    Posted by MARGARETE HÜLSENDEGER | July 1, 2009, 5:39
  2. Gilka querida!!!
    que beleza de texto ,que sintese genial pra essa maravilha que chegou a tempo de mudar ,a nossa perspectiva de VOAR. E fazendo par com nossa merecida aposentadoria…e tem gente que abomina os dois…
    Beijao
    lala

    Posted by lala spiller | August 3, 2009, 22:05
  3. quem é ele? o namorado realmente tinha que ficar com ciúmes, mas o fato é que, é ele que nos permite manter a troca, a esperança, o bem querer… continue escrevendo com todo este sentimento e inteligência.
    bjs
    Eliana Lugon

    Posted by eliana s.lugon | October 26, 2009, 10:16

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