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categoria: SCRIBOMANIA

CLICK

A pessoa que me indicou o filme tem meu respeito e, só por isso, resolvi passar na locadora e retirar o DVD.  O filme não é novo – 2006 – e a ideia sugerida no título desenvolve a obra e lhe resume o sentido.

 

Uma agitada e totalmente descontrolada comédia que apresenta contrastes trágicos na segunda parte do filme, embora com final feliz. Comédia… O mérito não está no delírio da trama, nem no que acontece de mirabolante no enredo, mas sim no espaço sutil para a reflexão que o filme suscita quando termina. Esse é o grande mote da comédia bem feita.

 

Na tentativa de crescer profissionalmente, o atrapalhado Adam Sandler não controla nem sua vida particular, nem os projetos de trabalho que precisam ser apresentados para garantir a esperada e merecida promoção. O encontro com um estranho vendedor – Christopher Walken – que lhe oferece um produto, ainda fora do mercado, dá as respostas e as oportunidades de saída das quais ele precisa na vida. Trata-se de um Controle Remoto Universal que lhe possibilita interagir e controlar o seu universo pessoal e profissional.

 

A engenhoca permite rever e refazer as escolhas estabelecidas ao longo da vida, evitando episódios desnecessários, contornando mal entendidos, desfazendo decisões errôneas, evitando distrações cotidianas que comprometem a harmonia e o bem-estar da família. Ao pular as cenas, adiantando o tempo, evita o próprio desgaste no trabalho e nas relações, mas vive perdas irreparáveis: a morte dos pais, a formatura do filho, a adolescência da filha, o próprio divórcio e o casamento da mulher com o dentista da família. O Controle Remoto Universal assumiu a sua vida e ele agora está velho e com diversas lacunas da sua própria existência.

 

Para quem se pergunta pelo final feliz, Click! Vale a pena ver o filme. Mas, muito mais vão valer as reflexões, se nos permitiremos olhar sem sustos e culpas para a pressa que temos; para a competição que nos sujeitamos àquela que nos faz menores; para o tempo que nos assola e absorve; pela escassez de indignação; pelas decisões erradas e que não têm mais volta; pelo carinho que negamos e pelo que ainda não dissemos para quem amamos. Vai valer se clicarmos no nosso Life Menu.

Gilka Coimbra - Palavras. É disso que somos feitos – de palavras. Palavras nos identificam e nos diferenciam, conduzem-nos e dispersam, levam-nos à paz e ao sofrimento, nem sempre tão explícita. Palavras são verdadeiras e enganosas, traiçoeiras e amorosas. Dialogam e discutem, ferem e sensibilizam. A palavra quer contato, porque quer ser arte. Gilka Pierry Coimbra é profissional da educação, tem alguns textos publicados em revistas eletrônicas e sites literários e alguns artigos acadêmicos em periódicos universitários. Autora da COLUNA SCRIBOMANIA, atualizada quinzenalmente às segundas-feiras.
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