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categoria: ROSAS AZUIS

A BRISA DAS MADRUGADAS

A insanidade se refrescando dentro da geladeira abre suas asas ao redor da embalagem de sorvete de chocolate branco e o transtorno alimentar engatinha até a porta do banheiro trancado. O sabor de ilusão de cada descoberta gentil sobre as sensações guardadas dentro da memória descompromissada. Não há nenhum compromisso excedente com a realidade das palavras indomáveis, porém doces como um pavê de nozes. Não há além de tudo e inclusive – não mais – nenhum compromisso também com o ritmo das inconstantes flutuações de dupla personalidade. Deixar-se estar – livre dos tormentos e constrangimentos da verbalização das insanidades diárias que se refrescam dentro da geladeira. Não compartilhar o doce de leite nem as reais inclinações de sonhos recheados com macarrons e champagne envolvidos pelo aroma de J’adore. Ah sabores – sabor de incompreensões passadas da validade ou sabor de beijos impregnados de volubilidades refrescantes e suaves. A superação de todos os tormentos e transtornos vem acompanhada de fatias generosas de amor platônico. Todos os amores platônicos contidos no silêncio da penumbra do quarto onde a noite se esconde da curiosidade das amantes da lua. Todas as estrelas que reinam soberanas dentro da memória descompromissada – tão sem compromissos quanto os sentidos de cada estrofe de um poema musicado. Leia como queira – mas não quebre mais uma vez o silêncio das prateleiras onde descansam as babuskas da coleção de lembranças sem conexão com a realidade das insanidades morando dentro da geladeira. O transtorno alimentar foi-se embora de vez e ficaram sabores intensificados pela suave liberdade das vontades gulosas, porém contidas dentro do silêncio quase sem expressão do rosto acarinhado pela brisa das madrugadas.

Liz Christine - Começou escrevendo poesia e crônicas aos quinze anos. Tem um livro publicado pela editora Papel&Virtual, um conto publicado em uma coletânea da UnB e quatro poemas na coletânea Antologia de Poetas Internautas vol.2, pela editora Blocos. Escreveu colunas na Argumento e na Anedota Búlgara. Criou depois sua própria revista virtual, Delicato Senses. Estudava interpretação na CAL e Direção Teatral na UFRJ, mas devido à sua natureza impaciente não completou os cursos. Sempre interessada em novas formas de expressão, passou a criar músicas que são áudio-esculturas narrativas, permeadas de texturas acústicas e atmosféricas. Possui trabalhos musicais editados na Alemanha pela Monika Enterprise, no Japão pele Flau Records e na web pelos netlabels brasileiros Fronha Records e Menthe de Chat. Apresentou-se em festivais no Plano B Lapa (Outro Rio), Sérgio Porto (CEP 20000) e Circo Voador (Festival de Música Livre).
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