Rodrigo, meu marido, a vida inteira ria-se de minha mania inevitável de puxar um Atlas ou um dicionário todas as vezes em que recebíamos visitas e algum lugar geograficamente desconhecido para mim era mencionado, ou havia alguma dúvida quanto à ortografia de uma palavra.
Pois bem. Adeus atlas, adeus, dicionário, adeus enciclopédia e hello iPhone. Agora quem puxa um amansa-burro pra tirar toda e qualquer dúvida de todo e qualquer assunto é ele. Tão interessante isso do ser humano, de tirar onda da mania alheia até entender o prazer que fomenta tal comportamento repetitivo, decidindo adotar a mania, sem mesmo dar-se conta disso.
Portanto, durante um jantar em que pintou a dúvida cruel de se o Brasil tinha ou não raccoons, achamos o exato bichinho goggleando no iPhone, e é um guaxinim, puro e simples.
Teatros e luas
Acabo de terminar minha primeira peça sob encomenda. Encomenda sob pressão, porque tem de ser entregue até dia 9 para concorrer a uma vaga no festival dos dez anos do Teatro Luna aqui em Chicago.
Chama-se Reveillon, com um total de 10 minutos de produção, no elenco, duas mulheres em torno dos 30 anos se preparando para, é claro, um Reveillon. A peça é em inglês com algumas palavras em português, e encerra com uma linda imagem das duas largando flores e oferendas para Iemanjá e a lua cheia na beira da praia.
Bem Brasil, bem latina e espero que seja aceita. Agora é entregar e cruzar os dedos, ou rezar para Iemanjá.
Petrucia Finkler - De volta ao Brasil, vive em São Paulo, depois de uma longa estada em Chicago. Antes de redescobrir sua paixão pelas artes cênicas nos Estados Unidos, era repórter e apresentadora de televisão em Porto Alegre, RS. Formada em jornalismo pela UFRGS, esta é a segunda vez que ela participa no Argumento, e está muito feliz com este retorno.
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