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categoria: CONTEXTO

SANTIAGO

O avião cruza o céu do Chile, em rasante às Cordilheiras dos Andes. Gigantesca, aquele revolto de montanhas impressiona por quase tocarem as asas em voo. Algumas revelam neve, em pleno verão. O avião começa a voar cada vez mais baixo. No meio da Cordilheira, vejo pequenos povoados encravados e penso na vida ali, em meio a cadeias que a natureza construiu.

 

O país de Pablo Neruda a mim se revela aos poucos. Primeira vez no Chile. Primeira vez em Santiago, cidade que praticamente detém 1/3 da população chilena, com seus 6 milhões de habitantes. Uma cidade moderna, porém pacata. Longe demais da agitação cultural quase esquizofrênica que encontramos em Buenos Aires, que nunca para, sempre aberta aos locais e aos turistas, mas ainda assim absurdamente interessante. Longe demais da pobreza estampada, da sujeira, da confusão de nossas capitais brasileiras.

 

O bairro Providencia, meu quartel-general em Santiago, é muito grande, muito arborizado, muito bonito. Considerado um dos mais nobres da cidade, praticamente é autossuficiente, com seus bancos, bares, restaurantes, lojas. Da janela do hotel, observo um pedaço – nevado – da Cordilheira. É uma imagem singela, mas à qual eu recorro cada vez que entro no quarto.

 

Falando em alturas, um dos primeiros passeios bacanas foi desbravar o bonito Parque Metropolitano, situado no Cerro San Cristóbal. Áreas de lazer, teleféricos, funicular, parques, praças, jardins, piscinas públicas e uma vista estupenda de Santiago. No alto, a imagem de uma virgem de trinta e seis metros de altura. Primeiro de carro, depois a pé, percorremos aqueles quilômetros em meio ao verde (são 300 metros de altura e cinco quilômetros de subida) acompanhados por crianças, ciclistas, corredores e pessoas de todas as idades. Muito bem policiado, uma guardinha atenciosamente desceu de sua moto, enquanto observávamos uma pequena queda d’água, para avisar que não era potável e oferecer um pouco do líquido de sua garrafa.

 

O domingo foi reservado para desbravar os museus. Perseguir os fantasmas de Salvador Allende no tocante Museo de la Solidariedad, situado numa rua repleta de universidades pagas (não há ensino superior público). É perceptível o peso incômodo que o suicídio do ex-presidente ainda provoca, espécie de sapo maldegustado. No museu, as obras que Allende reuniu em vida de seus amigos artistas – como Miró e Roberto Matta – para que a população de baixa-renda tivesse acesso à arte. Poucas obras, mas impactante, especialmente pelo vídeo que mostra a restauração do Palácio da Moneda – atual Casa do Governo de Bachelet –, exorcizando a sala onde o presidente deu-se o tiro.

 

 A história do Chile de forma didática pode ser acompanhada no interessante Museu Histórico Nacional, na Praça das Armas, onde fica a lindíssima Catedral. Do descobrimento ao suicídio de Allende (os óculos quebrados do presidente, após o bombardeio do Palácio,  a servir de elo entre os dois museus), de forma organizada e muito bem explorada, obras de arte, fotografias antigas, capas de jornais traçam a história do Chile, que é também um pouco a História do Brasil e de todos os países latinoamericanos, que passaram pelos mesmos percalços.

 

Ao final do dia, uma visita ao Museu das Belas Artes, belíssimo prédio situado no Parque Florestal. Além do acervo, que conta com uma rica amostragem da arte chilena, instalações interessantes e uma maravillosa exposição que conta a história do cartoon chileno, gratíssima surpresa, com originais, charges, quadrinhos e vídeos muito bons.

 

De resto, um céu incrivelmente azul, uma temperatura alta, mas nunca insuportável, incapaz, por exemplo, de fazer suar, manhãs e noites com um certo friozinho… Da pompa da troca da guarda, cerimonial um tanto anacrônico que ocorre a cada 48 horas na frente do Palácio, à singeleza do belo parque das esculturas, às margens do Rio Mapocho, do requinte das residências da rua Pedro Valdivia Norte, à bagunça das bancas do Mercado Público, enfim, Santiago, a cada dia, mostra-se mais interessante. E ainda faltam sete dias para viver o Chile neste verão…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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Comentários

2 comentários para “SANTIAGO”

  1. Estou procurando o e-mail do
    mercado publico de Santiago no
    Chile.Peço que me informem por favor e agradeço!

    Posted by klaus kleinubing | August 18, 2009, 2:12
  2. ‘estou a procura de fotos sobre aconcagua

    Posted by claudia | October 5, 2011, 16:05

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