Es el aprendizaje
que se convierte en lo aprendido
(R. Juarroz)
Não, a palavra não é pedra a lapidar-se. A palavra é barro, argila, mãos a construir uma composição representativa, significativa, e a olhamos, reviramos, escultura carinhosamente trabalhada, grotescamente finalizada. Não gostamos. Outra vez barro, outra vez algo disforme em busca da significação.
O amontoado de nada outra vez se junta, visualiza-se, reforma-se, restaura-se, outra vez ganha vida, aproxima-se de algo que bem parece… Não, não é. Outra vez nada. Outra vez barro.
A palavra é busca constante, quase infinita. Há sempre um novo traçado que refaz aquele tantas vezes ensaiado.
A palavra é barro. Estado natural. E eu me olho tal qual esta palavra ainda ausente. Esta palavra que quando viva ganhará um significado todo especial. Esta palavra ainda não descoberta. Também eu sou esse barro, essa argila, esse ser em constante formação, essa busca eterna dos meus contornos, daquilo que me define.
Interferências.
E é quando sento no meio da multidão, no centro do parque, pés na terra molhada, teto ensolaradamente azul, que me percebo feto, assim, sem palavras.
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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Nossa, tão, tão bonito… tão lindo, tão…