Dona Efigênia já não escondia seus fios de cabelo brancos. Quando inaugurou a casa dos sessenta, simplesmente desistiu de enganar o tempo. Todos os dias, cheia de sacolas de plástico que ninguém sabia se eram compras, subia aleatoriamente em um ônibus de linha. Agarrava tais sacos contra o colo como se fossem pertences preciosíssimos. Observava a cidade pela janela, observava o entre e sai de pessoas, mas não conversava com ninguém.
E sempre, invariavelmente sempre, deixava as lágrimas escorrerem quando o motorista avisava ser ali a última parada. Por que todas as coisas devem ter um ponto final?
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
Mande um mail para o autor | Todos os artigos de Paulo Ricardo Kralik Angelini
Comentários
Sem comentários para “ARGUMENTOS MÍNIMOS: 1”
Deixe um comentário