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categoria: CENA ABERTA

UM DIA, NO VERÃO

Jon Fossse é tido como um dos maiores nomes da literatura dramática norueguesa, considerado por muitos o maior nome depois de Ibsen. Seu trabalho possui características minimalistas e diálogos pesados, muitas vezes frios, com ênfase total na palavra e nas interpretações.

A história da peça Um dia, no verão tem início quando um jovem casal que mora em uma casa muito afastada, e de frente para o mar, começa a ter dificuldade na relação. A mulher está sempre cobrando a presença do marido, que, por sua vez, tem certa obsessão pelo mar, passando a maior parte de seu tempo nele. Em um dia qualquer, quando esse marido arredio resolve navegar para não estar em casa quando da chegada de uma amiga da esposa, ele não retorna mais. A partir daí, a todo momento, existe uma tensão no ar, um clima pesado, sob o qual os personagens dizem as coisas pelo olhar e as pausas são importantíssimas. O marido, na verdade, nunca mais volta, e essa mulher passa o resto de seus anos na janela o esperando e, eventualmente, recebendo a visita de um casal de amigos. Assim, tendo o mar como eterno companheiro, a espera dessa mulher conduz o resto da peça.

Trata-se de um bom texto, mas que gira em torno do próprio eixo e, repetidas vezes, diz a mesma coisa, sem que a história saia disso. No entanto, o que torna tudo um pouco mais interessante é ver essa mulher (assim é chamada a protagonista) em duas etapas da sua vida: quando jovem e atualmente. O recurso da personagem mais velha assistir a sua história e seu passado como se fosse um personagem à parte é muito bom, embora, como já enfatizado, a repetição à exaustão torne tudo um tanto enfadonho.

A montagem é visualmente perfeita, por trás da qual só poderia estar a ótima Monique Gardenberg, que vem de dois grandes sucessos teatrais (Os sete afluentes do rio Ota e Baque). Com seu olhar de diretora de cinema, Monique faz mais um belo trabalho, com boas marcas e foco no olhar dos atores e nas já referidas importantíssimas pausas do texto de Fosse. É, sem dúvida, um dos conjuntos técnicos mais belos vistos ultimamente. Já o cenário de Hélio Eichbauer é frio, clean, mas deslumbrante: a sala de uma casa, com dois sofás e uma mesa, e outros poucos móveis e uma janela espelhada que nos permite ver as expressões da personagem, pelo que se mostra muito importante na história. Além disso, atrás dessas paredes vê-se o mar, projetado em um telão durante todo espetáculo, com sonoplastia perfeita e direito a efeitos especiais que reproduzem o vento e chuva. Há, ainda, uma trilha sonora fantástica (característica marcante nos espetáculos de Monique) e um belo figurino.

O elenco é bastante afinado. Renata Sorrah, a mulher madura, está contida e serena, sem os exageros nos quais o papel poderia acabar caindo. Além disso, sempre é um prazer vê-la em cena. Sílvia Buarque, que faz a mulher jovem, supera as expectativas e faz um bom trabalho, chamando para si o melhor desempenho da peça. Gabriel Braga Nunes aparece muito pouco, mas cumpre seu papel e consegue transmitir a angústia do personagem. Além deles, Bia Junqueira, que faz a amiga madura, é competente, enquanto Dadá Maia não rende como amiga jovem e o talentoso Fernando Eiras, com alguns diálogos mais engraçados, não diz a que veio. Portanto interpretações sem grandes destaques.

Enfim, trata-se de peça recheada de bons elementos e um elenco talentoso, mas que fica no vácuo, à espera de um algo mais.

Cotação: Regular(**)

SERVIÇO:
Um dia, no verão
De: Jon Fosse
Adaptação: Lya Luft
Direção: Monique Gardenberg
Com: Renata Sorrah, Sílvia Buarque, Gabriel Braga Nunes, Bia Junqueira, Fernando Eiras e Dada Maia

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