RIO DE JANEIRO
Direção: Marcos Alvisi
Com: Luana Piovani
Noite fria com resquícios de chuva foi o cenário no qual Luana Piovani foi aguardada pelo público do Teatro do CIEE para a sua apresentação em Pássaro da Noite, de José Antônio de Souza, dando sequência aos espetáculos do 16º Porto Alegre em Cena.
A peça é um monólogo no qual a plateia é cúmplice dos delírios, divagações, confissões de uma secretária aparentemente austera que vai se desnudando para o público, tanto no sentido físico, quanto psíquico, revelando, numa sexta-feira em clima de fim de festa, a solidão, as angústias, as mágoas e passagens amorosas ao longo de sua, por assim dizer, recente vida adulta.
Utilizando-se de poucos recursos cênicos, basicamente iluminação, alguma sonoplastia, alguns adereços retirados do figurino, como um singelo lenço e um isqueiro, a palavra é a grande protagonista deste espetáculo. E e justamente através dela que Piovani envolve os espectadores a partir de sua vibrante atuação. Pode-se dizer que existe uma excelente alquimia entre o texto e a intérprete, resultando em um espetáculo envolvente.
O texto de José Antônio de Souza mescla poesia e prosa. Entretanto, Pássaro da Noite, traz um certo jogo de palavras, alguns trocadilhos que empobrecem a narrativa, como por exemplo na passagem em que a mulher diz: “Eu falo de falo. É isso mesmo, falo”, e daí se reporta ao órgão reprodutor masculino da qual tira proveito para fazer várias inferências. Abstraindo-se desse recurso propositadamente utilizado, o texto orbita entre as sutilezas e as profundezas das relações humanas. Não fosse o uso do português coloquial e de gírias atuais, poder-se-ia dizer que é um texto atemporal, diante das questões levantadas.
Marcos Alvisi, ganhador do prêmio Sharp de melhor direção e melhor espetáculo, em 1998, dirigindo Diogo Vilela em Diário de um louco, é quem assina Pássaro da noite. Em razão de também ser ator, Alvisi imprimiu uma direção com bastante liberdade à personagem.de Piovani, excetuando-se alguns momentos em que ela tem as marcações de palco absolutamente guiadas pelos refletores, passagens essas nas quais se percebe claramente a presença do diretor.
Magnética é a melhor definição de Pássaro da Noite, por conta da pungente interpretação e da entrega que Piovani oferece aos espectadores. Por esta razão, foi largamente ovacionada ao final do espetáculo e aproveitou a oportunidade para dizer que há muito já desejava fazer parte do Porto Alegre em Cena.
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