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categoria: 2009

O CORAÇÃO DO ATOR

SÃO PAULO

Direção: Eduardo Figueiredo

Com: Antônio Petrin e Elaine Giacomelli

 

Em razão de problemas cardíacos, Jasek, um sexagenário ator polonês, às vésperas de estrear Ricardo III no teatro, é aconselhado a deixar de atuar para que possa ganhar mais uns anos de vida. Este é o embate proposto por Eduardo Figueiredo que assina a direção e texto de os doentes do coração deveriam ser atores, cuja inspiração adveio da obra Além das ilhas flutuantes, de Eugênio Barba.

 

Ao chegar ao teatro, poucos minutos antes do espetáculo, o público é recebido por uma jovem de pés descalços e elegantemente vestida, Elaine Giacomelli, entoando, na sua gaita, uma doce melodia que serve de sinal para a abertura das portas do teatro. Enquanto o público procura os seus assentos, a jovem sobe ao palco e senta-se ao piano postado no fundo do tablado. Percebe-se que à sua frente, no centro do palco, está um senhor de cabeça baixa e coberta por um pano sentado em um banquinho. Assim que as luzes do teatro se apagam, este senhor descobre o rosto e inicia a falar.

 

Desta forma, tem início o espetáculo no qual Jasek, Antônio Petrin, expõe suas dores, suas memórias e seus amores diante da plateia. Entrecortados pelos seus depoimentos, o ator também interpreta algumas falas de Ricardo III e dialoga com a jovem que recebera o público no foyer, agora entoando algumas canções ao piano e assumindo também a condição de algumas paixões do sexagenário ator.

 

os doentes do coração deveriam ser atores tem como grande destaque a interpretação de Antônio Petrin, que consegue envolver o público, em seu drama particular, a partir de uma atuação competente e verossímil, transmitindo toda a angústia e sofrimento que caracteriza seu personagem. O espetáculo se encerra com vigorosos aplausos de uma plateia duplamente emocionada: seja pela bela interpretação de Petrin, seja pela escolha do seu personagem, Jasek, em permanecer atuando. os doentes do coração deveriam ser atores propicia ao público uma certeza de que tanto o ator quanto o  personagem comungam de um inabalável sentimento: a paixão pelos palcos.

 

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