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categoria: 2009

NA CAMA COM MARLENI

RIO GRANDE DO SUL

Direção: Liliana Sulzbach e Márcia do Canto

Com: Araci Esteves e Ida Celina

 

A partir da belíssima concepção cênica, assinada por Élcio Rossini, que propicia um excelente aproveitamento do palco, as protagonistas Marlene Dietrich e Leni Riefenstahl, Araci Esteves e Ida Celina respectivamente, encontram-se e discutem suas carreiras, amores, crenças. Entre elas, há um tom de competição, em um duelo que remete a clássicos do cinema como O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE?, até encontrarem um denominador comum que lhes aproxima: a iminência da morte, da finitude.

 

Vê-se no palco um amplo dormitório onde Marlene busca o sono, até ser interrompida pela chegada de Leni, que invade o quarto escalando a sacada do prédio. Neste quarto encontra-se à esquerda uma cama de casal, à sua frente uma série de malas, do outro lado uma penteadeira, cujo espelho também é um monitor de vídeo, e uma poltrona; ao fundo uma ampla porta-janela com uma sacada e uma parede, formada por meio de painéis superpostos, que demonstram a nobreza e austeridade do cômodo, com fotos dos quadros dos amores de Marlene.

 

Marleni promove, por meio da metalinguagem, uma fusão das artes cênica e cinematográfica, a partir da mescla de projeção de imagens no palco, seja a paisagem e a sacada por meio de projeção de imagens, seja o aparecimento das personagens, quando saem de cena, ou quando fazem um flash back, no espelho da penteadeira e no balcão da sacada, ou mesmo a imagem das atrizes alemãs nas películas, o que dá um resultado muito bonito aos olhos dos espectadores, embora seja, infelizmente, um recurso pouco explorado ao longo da peça.

 

O espetáculo, dirigido pela cineasta Liliana Sulzbach e pela atriz Márcia do Canto, apresenta algumas falhas importantes, quais sejam: um texto enfadonho por ser demasiadamente didático e explicativo, pormenorizando para a audiência quem foram as personagens ali retratadas, e a equivocada utilização de microfones nos figurinos das atrizes, que ao invés de auxiliá-las na projeção de voz, prejudica-as na medida em que, muitas vezes, principalmente nas falas de Celina, dê a impressão de que está sendo dublada.

 

Por alguma razão, a plateia em geral ri de uma série de situações trazidas, quando na verdade estas situações tenderiam muito mais para a o drama do que propriamente à comédia. Desta forma, Marleni, pelo conjunto da obra, demove a audiência da sua cômoda situação de espectador e os envolve, estranhamente no riso, já que talvez não tenha conseguido provocar a reflexão pelo aspecto dramático do texto. Ainda que cheio de boas intenções, o espetáculo fica muito aquém do esperado, tendo em vista o quilate dos artistas envolvidos no projeto, e recebeu, ao final, um aplauso morno da plateia do Teatro do CIEE.

 

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