RIO DE JANEIRO
Direção: Guilherme Piva
Com: Inez Viana
O Teatro do Sesc, dando seguimento ao Porto Alegre em Cena, foi o palco da apresentação do espetáculo carioca A mulher que escreveu a Bíblia, e contou com uma plateia lotada. A peça resulta de uma adaptação de Thereza Falcão da premiada obra homônima de Moacyr Scliar. Para tentar solucionar seus problemas sentimentais, a protagonista lança mão da terapia de vidas passadas, na qual descobre que, há mais de três mil anos, fora a mais feia entre as 700 esposas do Rei Salomão e que escrevera a Bíblia, por conta da sua habilidade com a escrita, a pedido do rei.
A adaptação do texto do Scliar tem como tônica a comicidade. Utiliza uma linguagem extremamente coloquial, insere na sua narrativa paródias de algumas canções como Somewhere over the rainbow, e dialoga com a plateia ao longo da apresentação. A comicidade exagerada, do início ao fim do espetáculo, retira toda e qualquer densidade que o texto poderia oferecer. O enfrentamento da feiura, pela protagonista, é feito sempre em tom de deboche, o que dificulta uma introspecção maior sobre tal fato.
Ainda que a atuação de Inez Viana seja competente dentro da estética que a adaptação quis dar ênfase, ainda que o espetáculo ofereça bons momentos de iluminação que valorizam o cenário quase que minimalista: duas rochas à esquerda do palco e uma extensa cortina de voil ao fundo, o espetáculo peca por esta exacerbada busca do riso.
Após exatas uma hora e vinte minutos, o monólogo se encerra sob os aplausos de uma plateia que se divertiu ao longo do espetáculo, mesmo sem a mescla de outras nuances dramáticas que poderiam igualmente marcar presença, sem prejuízo ao aspecto cômico da montagem.
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