Lituânia
Direção: Eimuntas Nekrosius
Elenco: Vladas Bagdonas, Salvijus Trepulis, Elzbieta Latenaite, Povilas Budrys, Vaidas Vilius, Margarita Ziemelyte, Kestutis Jakstas, Gabrielia Kuodyte, Zemyna Asmontaite, Diana Gancevskaite, Viaceslav Lukjanov e Vladimiras Dorondovas
Um cenário com cones. Escuro. Homens marcham com certa displicência. E o texto de Fausto.
E uma música ininterrupta.
O texto de Goethe é o que resta de Fausto, montagem da Lituânia. A aposta do diretor em explorar um teatro mais imagético, com gestual e expressão exagerados, não me conquistou. Já tinha assistido à montagem de Hamlet, no gelo, da mesma trupe, e igualmente tinha achado o espetáculo pretensioso e hermético. Lá, porém, o gelo a derreter era uma atração à parte.
Confesso que me cansa um pouco este teatro de vanguarda, algo que Gerald Thomas já fazia vinte anos atrás, e com uma plasticidade muito mais interessante. Portanto, que vanguarda é esta? Evidentemente que muitos me dirão que sou ignorante frente às metáforas, à sutileza dos movimentos, ao complexo jogo claro-escuro que o diretor propõe. Desculpem, mas a mim isso não convence. Prefiro ainda o bom teatro em que o texto faz a ação, e entramos dentro do cenário.
Enfim, esta também é a função da arte: desacomodar, causar polêmica, afrontar certezas, nos fazer remexer na cadeira, bocejar. Fausto, para mim, foi um longo exercício de paciência.
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Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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