Texto do espanhol Jordi Galcerán, O método Gronholm ganhou diversos prêmios na Espanha e também já pôde ser visto nas telas de cinema com o título O MÉTODO. Com temática bastante atual, a história conta a dificuldade pela busca de um bom emprego e o que as pessoas fazem para consegui-lo.
Quatro grandes executivos se reúnem em uma sala fechada para conseguir um grande emprego em uma multinacional. O texto, recheado de humor, sarcasmo e ironia, revela os quatro se submetendo a coisas inimagináveis. Diante disso tudo, existe um detalhe muito importante: entre eles existe um executivo da empresa disfarçado e que irá escolher quem será o escolhido. O método do título realmente existe e é usado em grandes empresas mundo a fora. O mistério de saber quem é o elemento infiltrado instiga o público até o final, e por razões óbvias, aqui não será revelado.
O texto pode ser direcionado tanto para o drama quanto para comédia. Na encenação brasileira, a comédia dá o tom do espetáculo. É um texto contemporâneo e inteligente, que conta com uma boa direção e apresenta um grande exercício para os atores, que enfrentam uma dupla jornada, interpretam os executivos e também situações impostas pela empresa.
O cenário clean e sofisticado de Marcos Flaskman e o figurino sóbrio e elegante de Paula Raia e Fernanda de Goeye, aliadas às corretas iluminação e trilha sonora dão um cara bonita ao espetáculo. O grupo de quatro atores é bastante entrosado, o que faz o resultado ser ainda melhor. Lázaro Ramos e Ângelo Paes Leme são os astros do espetáculo. O primeiro representa Fernando Fontes, um executivo perspicaz e engajado pela empresa. O ator está fantástico, principalmente nas cenas cômicas, fazendo valer com louvor o burburinho em sua volta, atualmente. Já o segundo faz Carlos Figueiredo, competitivo ao extremo e, digamos, um pouco delicado, ou estaria ele fingindo ser o que não é? Em O método… é assim… nada do que parece é. Ângelo, relegado a papéis secundários na TV, aqui arrasa com seu timming cômico. Edmílson Barros vive Henrique Madeira, sujeito atrapalhado (ou não), que já ganha a platéia com gagues e trejeitos. É bastante talentoso, mas infelizmente faz rir de forma mais fácil, usando desses artifícios, ao contrário dos outros dois. Finalmente, Taís Araújo é Mercedes Delgado. Sem dúvida, o elo mais fraco do elenco. Com uma pose de executiva extremamente artificial, a atriz escorrega por alguns momentos, mas não prejudica em nada porque, no conjunto, os quatro são muito afinados, e isso fica muito claro na cena em que eles usam, cada um, um chapéu diferente. Eles arrasam e se divertem muito em cena.
No todo, a peça é boa, e o grande mérito é um texto extremamente atual e um elenco entrosado. Cortando-se alguns excessos, a peça ficaria redonda. O método Gronholm nada mais é que um jogo, em que participam atores e platéia. Um jogo, acredito eu, que merece ser jogado.
Cotação: Bom(***)
O Método Gronholm
Texto: Jordi Galcerán
Direção: Luís Antônio Pillar
Com: Lázaro Ramos, Taís Araújo, Ângelo Paes Leme e Edmílson Barros
Fabio Morales -
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