França
Direção: Peter Brook
Elenco: Bruce Myers
Peter Brook é sinônimo de bom espetáculo. O diretor britânico, radicado em Paris desde os anos 70, trouxe, a esse Porto Alegre em Cena, um trecho da obra Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, na verdade um capítulo.
Uma das grandes idéias do espetáculo é utilizar o ator Bruce Myers como narrador e personagem. É incrível como Myers consegue magnetizar a platéia. O início de seu monólogo é tão rico que vemos as pessoas sendo conduzidas às fogueiras no auge da grande Inquisição.
“Estamos em Sevilha, no século XVI”, diz o narrador. O confronto – que na realidade não há, pois “Cristo” a tudo ouve, sem emitir uma única palavra – toma conta de toda a peça. Não há cenário, apenas dois bancos dispostos em diagonal. Um homem da inquisição pretende queimar na fogueira aquele para o qual “trabalha”. Uma pequena heresia de Dostoievski, em um texto que mexe a todo momento com os limites da fé.
Intolerância religiosa. Queimamos aqueles que são de nós diferentes. Arrasamos com o pensamento contrário ao nosso. Enfim, não se acabou a queima na fogueira, pois as palavras também agridem, também condenam, também queimam.
O grande inquisidor é um espetáculo textual, que conta com uma aula de atuação de Bruce Myers, ator que se agiganta no palco. Não há nada que possa quebrar a concentração da platéia: nem elementos de cena, nem trilha sonora. Apenas o texto e o ator, de corpo inteiro.
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Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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