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categoria: 2005

UM HOMEM INDIGNADO

Direção: Djalma Limongi Batista
Elenco: Walmor Chagas

Está na moda fazer uma análise crítica da sociedade, apontando todo o tipo de superficialidade existente nas relações humanas, envolvendo a mídia, o mundo globalizado e fragmentado, o consumismo. Esse tema tem dado muito material para textos que se transformam em literatura, cinema ou teatro. Portanto, não é nada original insistir nessa discussão seguindo a mesma cartilha, o mesmo discurso.
O que é original, e é o primeiro destaque de UM HOMEM INDIGNADO, é o seu cenário. Uma cadeira giratória envolvida por telões – que se dividem em telas, quase numa imagem de espelho, imagens multiplicadas – e poucos objetos de cena.
No palco, um de nossos mais tarimbados atores, Walmor Chagas, vive numa espécie de reality show pós-moderno. A proposta: fazer um levantamento da vida de um ator, mostrando cenas e depoimentos até o momento em que esse ator se suicida.
Os primeiros 20 minutos do espetáculo até que funcionam. Walmor gira na sua cadeira respondendo às personagens que surgem na tela, em ritmo ágil e ácido. Porém, mesmo que curta (55 minutos), a peça, padecendo de um texto mais original, torna-se enfadonha. A boa idéia cênica não é totalmente bem executada, e os vídeos variam entre o ruim e o constrangedor. Salva-se o divertido diretor teatral, Zé Celso Martinez, que oferece um papel a Walmor (também nome do personagem), negado pelo ator, cansado do baixo-astral de um Nelson Rodrigues. Mas a atuação de Victor Wagner, como o diretor do programa, é absurdamente canastrona. Isso sem falar do desperdício da participação de Italo Rossi, dois segundos lendo O código da Vinci, numa manjada crítica aos best-sellers; e dos desconhecidos e canhestros atores que fazem o inca (uma das partes mais mal idealizadas) e a atriz iniciante.
Solitário no palco, Walmor consegue atrair, vez em quando, a atenção da platéia, mas por poucos segundos. A redundância textual, vista nas piadas com relação à terceira idade, à baixa qualidade das produções artísticas, e as várias ameaças de morte em cena acabam oferecendo ao espectador um único desejo: que o intento do ator se realize o mais rápido possível.
UM HOMEM INDIGNADO não faz jus à bela história artística de Walmor Chagas, comemorando 55 anos de carreira. A fraca recepção da platéia provou isso.

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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