São Paulo
Direção: Débora Dubois
Elenco: Renato Borghi
Um homem cumpre sempre o mesmo ritual. No restaurante de varanda, fuma três cigarros enquanto ultrapassa etapas de um almoço, da chegada do garçom ao cafezinho final. É uma quinta-feira, lasanha é o prato do dia. Repentinamente, esse homem percebe sangue e nervos no pulso: sua mão sumiu.
Criativo e divertido, o texto de Fernando Bonassi e Victor Navis brinca com a quebra da rotina numa situação absurda. O estranhamento provocado pela situação chama a atenção de uma junta de médicos. Dialoga com o excelente livro de Inácio de Loyola Brandão, Não verás país nenhum, do homem que repentinamente vê a sua mão com um furo no meio.
Na peça, Borghi se multiplica no palco, ajudado pela excelente iluminação, que pontua como personagens secundários.
Felizmente, não há explicações pela perda daquela mão, deixando que a temática do absurdo se construa de forma mais ampla. Mais um ponto para o Porto Alegre em Cena mais homogêneo dos últimos tempos.
COTAÇÃO: * * * *
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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