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categoria: CENA CRÍTICA

SANDY & JÚNIOR, JÁ VÃO TARDE!

Após 17 anos de muito sucesso, os irmãos Sandy e Junior, filhos do cantor Xororó (da dupla Chitãozinho & Xororó), decidiram pôr um fim à parceria que lhes rendeu dezenas de hits e um reconhecimento sem tamanho, sobretudo entre uma geração que cresceu junto com eles. Sandy & Junior é hoje um nome consagrado no mercado musical, sinônimo de vendas de discos e de produtos relacionados ao nome da dupla. Nada mais normal do que um grande furor em torno da separação dos dois, com direito a especulações, choradeira e turnê de despedida, passando pelas principais cidades brasileiras.

A dupla fez seu show em Porto Alegre no dia 11 de novembro, um domingo de sol e de temperatura amena, algo realmente inusitado para essa época do ano, para a minha sorte. A apresentação se deu para um público formado, em sua maioria, por adolescentes, jovens adultos e pais que acompanhavam crianças pequenas. Sempre simpatizei com a dupla e confesso que gosto de uma quantidade considerável de músicas deles – só estava me faltando assistir a um show. A espera para que esse show derradeiro fosse um marcante desfile de sucessos era tanta, que muitas das expectativas terminaram indo por água abaixo no decorrer da apresentação. Atraso, performances fracas e estranheza na execução do espetáculo culminaram na despedida gaúcha da dupla.

O repertório do show é formado quase que em sua totalidade pelo mesmo repertório do Acústico MTV, que a dupla lançou nas lojas no mês de agosto. Os arranjos são praticamente os mesmos do especial, o que soou fraco e deslocado para um ginásio de eventos e de qualidade acústica duvidosa. O especial conta com participações especiais (Lulu Santos, Ivete Sangalo e Marcelo Camelo, do Los Hermanos), que impossivelmente seriam trazidas para a turnê, o que representou uma grande perda a ser somada em relação ao que se ouve no disco – pode-se dizer que os irmãos não conseguiram segurar a peteca das novas versões sem a presença de seus convidados. Para completar, algumas das canções selecionadas, incluindo as três inéditas, não têm o apelo significativo de diversas outras que ficaram de fora. Em muitos momentos do show, viam-se pessoas de braços cruzados e com olhar entediado com a apresentação, uma vez que nem os astros da festa pareciam saber muito bem o que faziam lá. A falta de imaginação foi tanta que até o bis, além de curto, ganhou execução de música repetida.

Sandy & Junior no palco são de plástico, algo quase robótico. Tudo é tão ensaiado para sair nos moldes perfeitos que se torna chato e tedioso, tal e qual suas entrevistas. Não há improvisos, não há espontaneidade, nem mesmo são capazes de soltar uma piada engraçada ou um palavrão. Os dois transmitem uma simpatia e uma educação que beira o exagero: em certos momentos, a impressão que fica é que, se alguém espirrasse na platéia, a música pararia só para eles desejarem saúde ao gripado. Os diálogos ensaiados e a necessidade de manter a pose de bons meninos é tamanha que eles esquecem o papel principal deles em cima do palco, que é pôr o público a dançar e cantar e proporcionar um show digno de uma despedida.

Soma-se a esses problemas uma impressão de desânimo. Junior, sempre muito mais ativo e animado que a irmã no palco, estava engatado em marcha lenta. Conteve-se na maior parte do show, manifestou-se pouco e agiu muito mais como coadjuvante do que como astro. Sandy agiu da forma de sempre: meiguinha, queridinha, sorrizinho amarelo, boa noite e muito obrigada – o momento mais ousado da moça foi uma dancinha breve e pra lá de mixuruca, que passou longe de qualquer sensualidade.

A participação de dois membros do conjunto Família Lima, incluindo Lucas Lima, o namorado de Sandy, foi um fator extra para amarelar ainda mais o show e ofuscar a dupla. Lucas soltou o vozeirão no microfone e apagou as vozes de Sandy e Junior, recebeu uma enxurrada de palmas do público e teve que encarar um “Beija! Beija! Beija!” em coro, emitido por um mar de adolescentes com os hormônios à flor da pele, banhado em água fria por Sandy que, com um educado (como sempre) “Ai gente! Nós estamos aqui para cantar e não para beijar“, deixou todo mundo com um sorriso constrangedor no canto do rosto.

Enfim, 17 anos de carreira e um crescimento musical notável não parecem ter dado à dupla Sandy & Junior o respaldo suficiente para decolar em carreiras solo. A rigidez com que foram criados, dentro e fora dos palcos, tornou-os meras crianças crescidas e artistas frios, sem carisma suficiente para erguer multidões – apesar do talento indiscutível; aqui o nome e o impacto comercial falam acima de qualquer habilidade para cativar o público. A impressão que eu tinha da dupla pela TV e por flashes de shows era a de um arrasa-quarteirão, conceito que caiu muito após essa apresentação meia-boca que presenciei. Se o ritmo habitual da dupla é sempre esse, a tão prometida carreira solo de Sandy não vai passar de promessa e o destino dos irmãos será continuar a fazer mais do mesmo, porém, com cada um pro seu lado. E, quem sabe, de vez em quando, eles gravam um CD de reencontro, engordam um pouco mais a poupança e fazem outra turnê igual a essa. Prova-se mais uma vez que não basta saber cantar, tem que ser artista!

Mauricio Costa - É freak de computador, se aventura como DJ e é fã de cinema, séries e música, sobretudo a brasileira. Blog: "MAU NA FOTO",
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Comentários

Um comentário para “SANDY & JÚNIOR, JÁ VÃO TARDE!”

  1. Oi, esse “ja vao tarde” nao fica bem, ate parece que tas com inveja da dupla, sinceramente, se nao quer ajudar entao nao atrapalhe, a vida tem altas e baixas, nao podes julgar e condenar sandy e junior so porque talvez o show tenha sido um fracasso, tens k ser mais moderado nas palavras que dizes/escreves.

    Posted by Nikky | May 15, 2010, 10:37

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